A grande revolução do século XXI

Tradução de André Langer.

Semanas atrás, publicamos algumas breves reflexões sobre “A grande crise do século XXI”. Um problema de menor monta é que nos acusam de sermos dramáticos, grandiloquentes e apocalípticos. Tudo isso é irrelevante, esquecível. Correndo o risco de nos equivocar, como todos, como em tudo, nossa obrigação é proporcionar uma visão geral sobre os problemas mais importantes que podem afetar a humanidade no tempo presente e nos tempos vindouros, embora a essa altura já não estejamos mais caminhando sobre este belo planeta, nem estaremos mais desfrutando desse maravilhoso e tão desvalorizado milagre de estarmos vivos.
Para mim, não há dúvida. A grande crise planetária que a humanidade e o resto das espécies neste planeta enfrentarão continua focada no problema socioecológico. As duas bombas-relógio que indicávamos no artigo anterior (a perigosíssima e insustentável concentração de riqueza, mero sequestro do progresso humano por uma elite financeira, e a próxima aceleração das mudanças climáticas), ambas unidas por um sistema social e econômico baseado no consumo e no desperdício (“A pandemia do consumismo”, 2009), serão detonadas pela próxima grande revolução tecnológica, sem dúvida com um impacto maior do que aquele que a internet produziu.
Refiro-me à Inteligência Artificial.
Há 10 anos, observávamos que “enquanto as universidades conseguem fazer robôs que são cada vez mais parecidos com os seres humanos, não apenas por sua inteligência comprovada, mas agora também por suas habilidades de expressar e receber emoções, os hábitos de consumo estão nos tornando cada vez mais similares aos robôs”. A mesma ideia está no livro Cyborgs (2012), mas vem do meu segundo livro Crítica de la pasión pura (1998).
Obviamente, por “robôs” eu estava me referindo a um conceito que, até então, não tinha o desenvolvimento que tem agora: a inteligência artificial (IA). O tempo confirmou esse pessimismo e me corrigiu em alguns otimismos da mesma época sobre a democracia direta derivada de comunidades online (embora, quem sabe, talvez ainda seja possível).
Atualmente, os robôs estão comendo milhões de empregos e, no entanto, isso não parece ser nada em comparação com a revolução da inteligência artificial. Os robôs só serão perigosos para os trabalhadores se os benefícios de sua eficiência continuarem sendo concentrados nos “donos dos meios de produção” (perdão pela terminologia marxista) e não chegarem aos trabalhadores, que contribuíram com seu trabalho e seus impostos para que todo esse conhecimento pudesse se desenvolver nas universidades.
Os professores não recebem seu salário apenas das mensalidades e dos impostos (no caso das universidades públicas), mas enquanto se dedicam à pesquisa e à especulação, a invenções que deixarão nossos beneficiários sem trabalho, outros (os beneficiários) se curvam sob o sol nos campos, cultivando e colhendo alimentos ou erguendo e abaixando caixas de frutas que depois compramos quase sem esforço em aclimatados supermercados.
Mas nem mesmo os inventores nem os professores que participaram do processo se beneficiaram – nem se beneficiarão – economicamente desses feitos da alta tecnologia como fizeram – e continuarão a fazer – os sequestradores, os “gênios” dos negócios, que, mais do que inventar algo, simplesmente embolsaram os lucros. Como sempre, os donos do dinheiro ganharão mais dinheiro e serão reverenciados pelos avanços de nossas sociedades. Enfim, essas besteiras de que graças ao bom Bill Gates ou a algum outro bilionário, temos internet e computadores, etc.
Voltemos ao ponto central. As Inteligências Artificiais não são como os robôs, meros braços efetivos, mas cérebros implacáveis que já estão sendo usados em grandes companhias e corporações do mundo desenvolvido. Elas quase nunca estão em robôs, como o Terminator, mas em espaços virtuais, o que as torna ainda mais temerárias. Logo serão capazes de entender os seres humanos melhor do que qualquer psicanalista e, obviamente, não precisarão de 20 anos de terapia.
Atualmente, a inteligência artificial já está sendo usada para ler os currículos dos candidatos a emprego e é capaz de selecionar os melhores candidatos com base em previsões: Maria vai renunciar em dois anos; José vai pedir um aumento de salário antes do terceiro ano, etc. É claro que em breve nem Maria nem José serão necessários para cuidar de crianças ou de idosos porque a IA pode fazer isso muito melhor e cometendo menos erros.
O que em princípio pode ser celebrado pelos otimistas por seu inquestionável aumento da repetida, até o aborrecimento, efetividade, tem seu lado tenebroso. Os robôs inteligentes não precisam ser maus para organizar o Mal. Basta que sirvam aos poderosos, como qualquer outra inovação anterior, sejam eles governos despóticos ou megaempresas (despóticas e manipuladoras, como qualquer grande companhia, como mostra a história).
Poderíamos dar cem exemplos, mas, por razões de espaço, consideremos um simples aspecto. Durante milhares de anos, todos nós levamos a nossa privacidade para passear por todos os lugares públicos para onde vamos. Com a inteligência artificial, essa privacidade será automaticamente dissolvida. O reconhecimento facial pode não apenas detectar mentirosos ou a orientação sexual (isso não é especulação; já está acontecendo de forma inadvertida pelo público), mas muito rapidamente qualquer IA poderá determinar em poucos segundos que ideias políticas, sociais, religiosas e sociológicas temos, seja lendo um simples CV [Curriculum Vitae], um texto, um artigo, uma carta ou escaneando o nosso rosto. Não será algo muito difícil de perceber, considerando o que já está sendo feito.
Consequentemente, os dissidentes dessa ordem infinitamente opressiva não terão armas tradicionais, mas armas baseadas em IA ou similares. Elas serão os hackers do futuro e, como no passado, os guerrilheiros idealistas e os criminosos comuns, todos colocados no mesmo saco por aqueles que ostentarão o poder dos deuses (ou dos demônios).
Essa luta terminará em uma negociação pacífica? Bem, isso nunca aconteceu na história, salvo exceções, como o direito a oito horas de trabalho, etc. Em uma restauração violenta da liberdade e dos direitos individuais de todos, mais ou menos como na RevoluçãoFrancesa ou em outros assassinatos? Estarão os indivíduos suficientemente intoxicados pela educação funcional, dócil, acrítica e pela manipulação ideológica e psicológica, de modo que não haja luta pela liberdade ou consciência da opressão? Como em tantos outros períodos da história, serão os escravos os mais fervorosos defensores do sistema escravocrata? Podemos nós, os “velhos antiquados”, dizer algo útil a partir da perspectiva de 2018 para os “libertados” ou os “ultrapassados” de 2040 e 2070?, algo que sirva de advertência para aqueles que estarão imersos na tempestade de seu próprio presente?
Ou, pior, terminará a nossa orgulhosa e arrogante espécie humana em um colapso final?
Ninguém pode ter uma resposta definitiva para nenhuma dessas perguntas. Mas fazê-las e chamar a atenção para os grandes problemas atuais e das gerações futuras é, simplesmente, a nossa obrigação moral.

JM, 18 Abril 2018

 

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La gran revolución del siglo XXI

Semanas atrás publicamos unas breves reflexiones sobre “La gran crisis del siglo XXI”. Un problema menor es que nos acusen de dramáticos, grandilocuentes y apocalípticos. Todo eso es irrelevante, olvidable. A riesgo de equivocarnos, como todos, como en todo, nuestra obligación es la de aportar alguna mirada general sobre los problemas más importantes que pueden afectar a la humanidad en el tiempo presente y en los tiempos por venir, aunque para entonces ya no estaremos caminando sobre este hermoso planeta ni estaremos disfrutando de ese maravilloso y tan desvalorado milagro de estar vivo.

Para mí no quedan dudas. La gran crisis planetaria que va a enfrentar la humanidad y el resto de las especies sobre este planeta sigue centrada en el problema socio-ecológico. Las dos bombas de tiempo que indicábamos en el artículo anterior (la peligrosísima e insostenible concentración de riqueza, mero secuestro del progreso humano por parte de una elite financiera, y la próxima aceleración del cambio climático), ambas unidas por un sistema social y económico basado en el consumo y el despilfarro (“La pandemia del consumismo”, 2009), se librarán a través de la próxima gran revolución tecnológica, sin duda con un mayor impacto que la que produjo Internet.

Me refiero a la Inteligencia Artificial.

Hace diez años observábamos que “mientras las universidades logran robots que se parecen cada vez más a los seres humanos, no sólo por su inteligencia probada sino ahora también por sus habilidades de expresar y recibir emociones, los hábitos consumistas nos están haciendo cada vez más similares a los robots”. La misma idea es recogida en el libro Cyborgs (2012) pero procede de mi segundo libro Crítica de la pasón pura (1998). Obviamente, por “robots” me estaba refiriendo a un concepto que, por entonces, no se había desarrollado como ahora: la Inteligencia Artificial. El tiempo ha confirmado este pesimismo y me ha corregido en algunos optimismos de la misma época sobre la Democracia Directa derivada de las Comunidades en línea (aunque ¿quién sabe? tal vez todavía sea posible).

Hoy los robots se están comiendo millones de puestos de trabajo y, con todo, eso no parece ser nada en comparación a la revolución de la IA. Los robots son peligrosos para los trabajadores sólo si los beneficios de su eficiencia se siguen concentrando en los “dueños de los medios de producción” (perdón por la terminología marxista) y no llegan a los trabajadores, que fueron quienes aportaron, con su trabajo y sus impuestos, para que todo ese conocimiento se desarrollara en las universidades. Los profesores no sólo recibimos nuestro salario de las matrículas y de los impuestos (en el caso de las universidades públicas), sino que mientras nos dedicamos a la investigación y la especulación, a inventos que dejarán a nuestros beneficiaros sin trabajo, otros (los beneficiarios) están doblados bajo el sol en los campos, cultivando y cosechando los alimentos o subiendo y bajando cajones de fruta que luego compramos casi sin esfuerzo en los aclimatados supermercados. Pero ni siquiera los inventores ni los profesores que participaron en el proceso se beneficiaron ni se beneficiarán económicamente de esas proezas de la alta tecnología como lo han hecho y lo seguirán haciendo los secuestradores, los “genios” de los negocios que más que inventar algo simplemente se embolsaron los beneficios. Como siempre, serán los dueños del dinero quienes hagan más dinero y sean venerados por los adelantos de nuestras sociedades. En fin, esas tonterías como que gracias al bueno del Bill Gates o de algún otro multimillonario tenemos internet y computadoras, etc.

Volvamos al punto central. Las IAs no son como los robots, meros brazos efectivos, sino cerebros implacables que ya se están usando en las grandes compañías y corporaciones del centro del mundo. Casi nunca están en los robots, como Terminator, sino en espacios virtuales, lo que las hace aún más temerarias. Pronto podrán entender a los seres humanos mejor que cualquier psicoanalista y, obviamente, no necesitarán veinte años de terapia. Actualmente, ya están siendo usadas para leer los currículums de los solicitantes de trabajo y son capaces de seleccionar a los mejores candidatos en base a predicciones: María renunciará en dos años; José pedirá aumento de sueldo antes del tercer año. Etcétera. Claro, pronto ni María ni José serán necesarios ni para cuidar niños ni ancianos porque las IA podrán hacerlo mucho mejor y cometiendo menos errores.

Esto, que en principio puede ser celebrado por los optimistas por su incuestionable aumento de la repetida, hasta el hastío, efectividad, tiene su lado tenebroso. Los robots inteligentes no necesitan ser malos para organizar el Mal. Basta con que sirvan a los poderosos, como cualquier otra innovación previa, ya sean gobiernos despóticos o mega compañías (despótica y manipuladora, como cualquier gran compañía, según lo demuestra la historia).

Podríamos poner cien ejemplos, pero por razones de espacio consideremos un simple aspecto. Desde hace miles de años, todos llevamos nuestra privacidad de paseo por todos los lugares públicos por donde vamos. Con las AI, esta privacidad se disolverá automáticamente. El reconocimiento facial no sólo puede detectar mentirosos, o la orientación sexual (esto no es especulación; ya está ocurriendo de forma inadvertida por el público), sino muy pronto cualquier IA podrá determinar en unos pocos segundos qué ideas políticas, sociales, religiosas y sociológicas tenemos, ya sea leyendo un simple CV, un texto, artículo, carta o escaneando nuestro rostro. No será algo muy difícil de concretar, considerando lo que ya se está haciendo.

Como consecuencia, los disidentes de ese orden infinitamente opresivo no tomarán armas tradicionales sino las mismas basadas en IA o similares. Serán los hackers del futuro y, como en el pasado, serán los guerrilleros idealistas y los criminales comunes, todos metidos en una misma bolsa por quienes ostentarán el poder de los dioses (o los demonios).

¿Terminará esta lucha en una negociación pacífica? Bueno, eso nunca ha ocurrido en la historia, salvo excepciones, como el derecho a las ocho horas de trabajo, etc. ¿En una restauración violenta de la libertad y de los derechos individuales de todos, más o menos como en la Revolución Francesa o en otros magnicidios? ¿Estarán los individuos suficientemente intoxicados por la educación funcional, dócil, acrítica, y la manipulación ideológica y psicología como para que no haya ninguna lucha por la libertad o la conciencia de la opresión? Como en tantos otros períodos de la historia ¿serán los esclavos los más fervientes defensores del sistema esclavista? ¿Podemos los “viejos anticuados” decirle algo útil desde la perspectiva del año 2018 a los “liberados” o “superados” del 2040 y del 2070?, algo que sirva de advertencia a aquellos que por entonces se encuentren inmersos en la tormenta de su propio presente?

O, peor, ¿terminará nuestra orgullosa y arrogante especie humana en un colapso final?

Nadie puede tener una respuesta concluyente a ninguna de estas preguntas. Pero plantearlas y advertir los grandes problemas actuales y de las generaciones futuras es, simplemente, nuestra obligación moral.

Jorge Majfud, abril 2018.

Emma González: quando a masculinidade de Zeus treme

[Spanish>>]

Emma González ou quand ça branle dans le manche viril de Zeus ]

Jorge Majfud

A tradução é de André Langer

 

Diferentemente de outras chacinas absurdas ocorridas em escolas secundárias dos Estados Unidos, a de Parkland tem sido diferente por provocar uma onda de manifestações em massa em todos os cantos dos Estados Unidos e em várias partes do mundo. O medo: só a juventude estadunidense pode conseguir alguma mudança social neste país, ainda que sejam mudanças apenas tímidas quando comparadas com o terremoto dos anos 60, conquistas que foram, anos mais tarde, quase aniquiladas pela reação conservadora da era Reagan-Thatcher. Ou quase, porque se neste país há mais liberdades individuais do que naquela época, isso se deve a esses demonizados movimentos de resistência social e não a nenhuma das guerras contra um país pequeno e distante.

Os anos sessenta legaram muitas coisas, embora depois tenham sido gradualmente desprestigiados pela reação e pela propaganda conservadora que, segundo todas as pesquisas, aumentou a desproporção da acumulação de riqueza neste país, agora concentrada quase exclusivamente em uma pequena minoria, enquanto dezenas de milhões de trabalhadores e estudantes não têm nada além de dívidas, dezenas de milhares morrem a cada ano por causa das drogas ou do suicídio (morrem mais soldados quando retornam do que nos campos de batalha; eu conheci o drama pessoal de mais de um) e dezenas de milhares morrem por armas de fogo. Nos Estados Unidos, somente as crianças (essas que recebem fuzis nos seus aniversários e os escoteiros promovem como símbolo de liberdade e masculinidade) matam mais pessoas, por acidente, do que todos os terroristas juntos, mas sobre isso não se ouve uma única palavra em nenhum apaixonado debate político.

Se este país nas últimas gerações conseguiu algumas liberdades, não foi por causa dos soldados no Vietnã, como afirma o sagrado clichê, mas se deve àqueles corajosos organizadores de lutas sociais como Luther King ou César Chávez. A Guerra do Vietnã foi miseravelmente perdida e, além de milhões de mortos, não deixou nada de positivo para este país. Menos liberdades e direitos. Por outro lado, a revolução feminista do Ocidente, dos negros no Sul da União e dos diaristas da Califórnia deram, esses sim, resultados concretos, embora hoje estejam na berlinda da última reação, que talvez não seja outra coisa que um punhado de afogados de uma ordem cambaleante.

Um dos rostos visíveis do mais recente movimento é o de Emma González, sobrevivente do massacre de Parkland e filha de exilados cubanos. Emma representa muitos outros cubano-estadunidenses da sua geração, jovens libertados da paranoia e da obsessão pela derrota de Baía dos Porcos, que, em todo caso, precisa conviver com elementos da velha geração, alguns dos quais são considerados terroristas até pelo FBI, mas que, em todo caso, andam livres em Miami.

Um dos poucos escritores e intelectuais que representam este grupo, a escritora Zoe Valdés, referiu-se a Emma González como uma comunista “machorra” (sapatão). A acusação não é nova. Ao longo da história, os grupos mais reacionários, as tradicionais classes dominantes da América Latina e até dos Estados Unidos (eu diria que em menor grau), praticaram o macartismo, segundo o qual qualquer crítico capaz de dizer suas verdades incômodas ao poder dominante é, automaticamente, um comunista. E pouco importa se essas verdades são objetivamente documentadas. Se você disser que o golpe de Estado na Guatemala de 1954 foi orquestrado pela CIA e pela UFC contra um governo democrático, você é comunista. Se você disser o mesmo sobre o Chile em 1973, você é marxista-leninista, etc.

No entanto, os comunistas não precisam ser apontados. Em geral, os comunistas são reconhecidos como tais. Os fascistas, racistas e machistas, por outro lado, não. É preciso adivinhá-los ou deduzi-los de acordo com seus ditos e ações.

Agora, que uma jovem e milhões de jovens marchem por suas vidas e questionem com determinação a religião das armas, que não se encaixem no estereótipo imposto (pré-fabricado e reduzido a uma caricatura) do patriota, nos estreitos limites dos mitos sociais, que não seguem os caminhos traçados pelas vacas sagradas rumo ao matadouro, transforma-os em perigosos comunistas. Mas me parece que esse hábito de rotular de comunista todo crítico inconformado, todo democrata radical, é um pouco exagerado. Miami, por sua vez, está cheia de ex-comunistas que um dia se deram conta, como por uma súbita revelação, do grande negócio (econômico e moral) que era envolver-se na bandeira do vencedor e mudaram de lado ou tornaram-se mais caubóis que John Wayne.

A escassez de recursos intelectuais daqueles que sacam a palavra mágica (comunista) como quem saca um revólver é bem conhecida. Há alguns anos, o pai cubano do senador e candidato à presidência, Ted Cruz, afirmou que a Teoria da Evolução era uma perversão do marxismo. Até mesmo a teoria da mudança climática, que ameaçava os lucros das super-petroleiras, até recentemente era o produto dessas pessoas más.

Esta geração (uma parte significativa) teve a coragem de dizer ‘Chega, basta’. E o disse de forma escandalosa para uma sociedade fanática: “chega de orações e de condolências”. Por isso, devem demonizá-los como comunistas ou perigosos rebeldes, lésbicas ou conspiradores, como nos anos cinquenta os sulistas marchavam com cartazes denunciando a imoralidade dos ativistas com cartazes que diziam que “a integração racial é comunismo” enquanto pediam aos seus governantes para que salvassem a “América cristã”.

Os ataques a Emma revelam certo nervosismo ideológico. (Um candidato republicano a definiu como “lésbica skinhead”. Ela se assume como bissexual. Não é rebelde por ser lésbica, mas por ter a coragem de se assumir como é em uma sociedade hostil e, não poucas vezes, hipócrita.) Emma representa a mudança, não apenas por ser jovem, bissexual e uma incômoda insuportável para a poderosa Associação Nacional do Rifle, mas também por fazer parte de uma geração que pode representar um momento crítico na história deste país e do mundo. Homens e mulheres (sobretudo os homens) escreveram leis e constituições. Homens e mulheres (sobretudo as mulheres) podem e devem reescrevê-las de acordo com as necessidades dos vivos, e não dos mortos.

Nem Zoe Valdés nem ninguém tem autoridade moral para criticar essa corajosa jovem. Todo o resto são clichês da Guerra Fria que a nova geração não engole tão facilmente. São medos próprios dos superpoderes, que não são poderes absolutos e sabem quando um tremor repentino mexe suas bochechas.

Nos próximos anos veremos uma luta existencial da reação da onda neopatriarcal, nacionalista, racista e imperialista (caricatos anos oitenta ainda em ascensão, hoje no poder político), contra uma geração mais jovem, a pé, pronta para resistir às narrativas que escondem os verdadeiros problemas do mundo, disposta a não acreditar em mitos que nem mesmo funcionam, com rebeldia suficiente para dizer algo tão simples como ‘Chega’.

Emma González ou quand ça branle dans le manche viril de Zeus

[Spanish>>]

[Portugues>>]

Translated by  Fausto Giudice

À la différence d’autres tueries absurdes dans les écoles secondaires des USA, celle de Parkland a produit une vague de manifestations de masse à travers tout le pays et dans diverses parties du monde. La crainte : que la jeunesse usaméricaine puisse réaliser un changement social dans ce pays, même si ce ne seront que des changements timides en comparaison avec le tremblement de terre des années soixante, qui a ensuite été presque annihilé par la réaction conservatrice de l’ère Reagan-Thatcher. Presque, parce que si dans ce pays il y a plus de libertés individuelles qu’alors, c’est à cause de ces mouvements diabolisés de résistance sociale et non du fait d’une guerre contre un petit pays lointain.

À la différence d’autres tueries absurdes dans les écoles secondaires des USA, celle de Parkland a produit une vague de manifestations de masse à travers tout le pays et dans diverses parties du monde. La crainte : que la jeunesse usaméricaine puisse réaliser un changement social dans ce pays, même si ce ne seront que des changements timides en comparaison avec le tremblement de terre des années soixante, qui a ensuite été presque annihilé par la réaction conservatrice de l’ère Reagan-Thatcher. Presque, parce que si dans ce pays il y a plus de libertés individuelles qu’alors, c’est à cause de ces mouvements diabolisés de résistance sociale et non du fait d’une guerre contre un petit pays lointain.

Les années soixante ont laissé  beaucoup d’acquis, même si elles ont été peu à peu discréditées par la réaction et par la propagande conservatrices, par toutes les mesures, avec l’augmentation de la disproportion de l’accumulation de la richesse dans ce pays, concentrée désormais presque totalement dans les mains d’ une micro-minorité alors que des dizaines de millions de travailleurs et d’étudiants n’ont que des dettes, que des dizaines de milliers de personnes meurent chaque année à cause de la drogue ou par suicide (plus de soldats meurent à leur retour que sur le champ de bataille, je connais le drame personnel de plus d’un) et des dizaines de milliers meurent par armes à feu. Aux USA, seuls les enfants (ceux qui reçoivent des fusils pour leurs anniversaires et que les Boy Scouts promeuvent comme symbole de liberté et de masculinité) tuent plus de gens, par accident, que tous les terroristes pris ensemble, mais de cela on ne souffle mot dans aucun débat politique passionnés.

Si ce pays a acquis certaines libertés durant les dernières générations, ce n’est pas dû aux soldats du Vietnam, comme l’affirme le cliché sacré, mais à ces courageux organisateurs de luttes sociales comme Luther King ou César Chávez. La guerre du Vietnam a été lamentablement perdue et, mis à part des millions de morts, elle n’a rien laissé de positif pour ce pays. Moins de libertés et de droits. En revanche, la révolution féministe de l’occident, celle des Noirs du Sud de l’Union et des ouvriers agricoles de Californie ont, elles, donné des résultats concrets, même si ceux-ci sont aujourd’hui remis en cause par la dernière vague réactionnaire en date, qui n’est peut-être que le dernier sursaut d’un ordre qui vacille.

L’un des visages les plus en vue du mouvement le plus récent est celui d’Emma González, rescapée du massacre de Parkland et fille d’exilés cubains. Emma représente beaucoup d’autres Cubains-USAméricains de sa génération, des jeunes libérés de la paranoïa et de l’obsession de la défaite de la baie des Cochons mais qui, de toute façon, doivent coexister avec des éléments de l’ancienne génération, dont certains sont considérés comme des terroristes jusque par le FBI mais en tout cas se meuvent librement à Miami.

L’une des rares écrivaines et intellectuelles représentant ce groupe, l’écrivaine Zoe Valdés, a qualifié Emma González de «gouine» communiste. L’accusation n’est pas nouvelle. Tout au long de l’histoire, les groupes les plus réactionnaires, les classes dirigeantes traditionnelles de l’Amérique latine et même des USA (peut-être dans une moindre mesure) ont exercé le maccarthysme, selon lequel tout critique capable de dire ses vérités inconfortables au pouvoir dominant est, automatiquement, un communiste. Même si cela n’a pas d’importance que ces vérités soient objectivement documentées. Si vous dites que le coup d’État de 1954 au Guatemala a été orchestré par la CIA et l’UFC contre un gouvernement démocratique, vous êtes un communiste. Si vous dites la même chose à propos du Chili en 1973, vous êtes marxiste-léniniste, etc.

Cependant, les communistes n’ont pas besoin d’être signalés. En général, les communistes se reconnaissent comme tels. Les fascistes, les racistes et les machistes, d’autre part, non. Vous devez le deviner ou le déduire de leurs dits et gestes.

Maintenant, si une jeune et des millions d’autres marchent pour leur vie et remettent en question avec détermination la religion des armes, ne cadrent  pas avec le stéréotype imposé (préfabriqué et réduit à une caricature) du patriote, dans les limites étroites des mythes sociaux, qu’ils ne suivent pas les chemins tracés par les vaches sacrées jusqu’à l’abattoir, cela fait d’elles et eux de dangereux communistes. Mais il me semble que cette habitude d’étiqueter chaque critique non conforme, chaque démocrate radical en tant que communiste, est un peu exagérée. Miami, en revanche, est pleine d’ex-communistes qui un jour ont réalisé, comme par une révélation soudaine, le grand profit  (économique et moral) que cela apportait de brandir le drapeau du gagnant et ont changé de camp, devenant plus cow-boys que John Wayne.

L’indigence des ressources intellectuelles de ceux qui dégainent le mot magique (communiste) comme un flingue est bien connue. Il y a quelques années, le père cubain du sénateur et candidat à la présidence Ted Cruz, a affirmé que la théorie de l’évolution était une perversion du marxisme. Et même la théorie du changement climatique, qui menaçait les profits des superpétroliers, était jusqu’à récemment le produit de ces mauvaises gens.

Cette génération (une partie significative) a eu le courage de dire Basta. Et elle l’a dit d’une manière scandaleuse pour une société fanatique: “Assez de prières et de condoléances”. Il faut donc les diaboliser comme communistes ou fauteurs de troubles dangereux, lesbiennes ou conspirateurs, comme dans les années cinquante les Sudistes défilaient avec des pancartes dénonçant l’immoralité des militants avec des pancartes affirmant que « l’intégration raciale, c’est le communisme » demandant à leurs gouvernants de sauver “L’Amérique chrétienne”. 
Les attaques contre Emma révèlent une certaine nervosité idéologique. (Un candidat républicain l’a qualifiée de « skinhead lesbienne ». Elle s’assume comme bisexuelle. Elle n’est pas rebelle parce qu’elle est lesbienne, mais parce qu’elle a le courage de s’assumer comme telle dans une société hostile et, assez souvent, hypocrite.) Emma représente le changement, non seulement parce qu’elle est  jeune, bisexuelle, et indispose de manière insupportable la puissante Association des tontons flingueurs, mais aussi parce qu’elle fait partie d’une génération qui peut représenter un moment critique dans l’histoire de ce pays et du monde. Les hommes et les femmes (surtout les hommes) ont écrit les lois et les constitutions. Les hommes et les femmes (surtout les femmes) peuvent et doivent les réécrire en fonction des besoins des vivants, et non des morts.

Ni  Zoe Valdés ni personne n’a une quelconque autorité morale pour critiquer cette jeune femme courageuse. Tout le reste n’est que clichés de la guerre froide que la nouvelle génération n’avale pas si facilement. Ce sont des peurs propres aux superpuissances, qui ne sont pas des pouvoirs absolus et elles le savent quand un tremblement soudain les secoue.

Dans les années qui viennent nous assisterons à une lutte existentielle entre la réaction de la vague néo-patriarcale, nationaliste, raciste et impérialiste (une caricature des années quatre-vingts encore à la hausse, dans le pouvoir politique aujourd’hui), et une jeune génération, debout, prête à résister aux discours qui cachent les vrais problèmes du monde, qui n’est plus disposée à croire à des mythes qui ne fonctionnent même pas, avec assez rébellion pour dire quelque chose d’aussi simple que Basta.

 

JM.

 

Emma González: cuando a Zeus le tiembla la masculinidad

Emma González ou quand ça branle dans le manche viril de Zeus ]

[Portugues>>]

Diferente a otras matanzas absurdas en escuelas secundarias de Estados Unidos, la de Parkland ha producido una ola de manifestaciones masivas a lo largo de Estados Unidos y en varias partes del mundo. El temor: sólo la juventud estadounidense podrá lograr algún cambio social en este país, aunque más no sean unos tímidos cambios en comparación al terremoto de los años sesenta, los cuales luego fueron casi aniquilados por la reacción conservadora de la era Reagan-Thatcher. Casi, porque si en este país existen más libertades individuales que entonces, fue por esos demonizados movimientos de resistencia social y no por ninguna guerra contra algún pequeño y lejano país. 

Los sesenta dejaron mucho, aunque luego fueron gradualmente desprestigiados por la reacción y la propaganda conservadora que, según todas las mediciones, aumentó la desproporción de la acumulación de riqueza en este país, ahora concentrada casi toda en una micro minoría, mientras decenas de millones de trabajadores y estudiantes no tienen más que deudas, decenas de miles mueren por año debido a las drogas o al suicidio (mueren más soldados al regresar que en el campo de batalla; conocí el drama personal de más de uno), y decenas de miles mueren por armas de fuego. En Estados Unidos, sólo los niños (esos que reciben fusiles para sus cumpleaños y los Boy Scouts promueven como símbolo de libertad y masculinidad) matan más personas, por accidente, que todos los terroristas juntos, pero de eso ni una sola palabra en ningún apasionado debate político.

Si este país en las últimas generaciones ha logrado ciertas libertades, no se debe a los soldados en Vietnam, como lo afirma el sagrado cliché, sino a aquellos valerosos organizadores de luchas sociales como Luther King o César Chávez. La guerra de Vietnam se perdió miserablemente y, aparte de millones de muertos, no dejó nada positivo para este país. Menos libertades y derechos. En cambio, la revolución feminista de Occidente, de los negros en el Sur de la Unión y de los jornaleros de California sí, dejaron resultados concretos, aunque hoy estén en tela de juicio por parte de la última reacción, que tal vez no sea otra cosa que un manotón de ahogado de un orden que se tambalea.

Uno de los rostros visibles del más reciente movimiento es el de Emma González, sobreviviente de la matanza de Parkland e hija de cubanos exiliados. Emma representa a muchos otros cubano-estadounidenses de su generación, jóvenes liberados de la paranoia y obsesión por la derrota de Bahía de Cochinos que, de cualquier forma, debe convivir con elementos de la vieja generación, alguno de los cuales son considerados terroristas hasta por el FBI pero de cualquier forma caminan libres por Miami.

Uno de los pocos escritores e intelectuales representantes de este grupo, la escritora Zoe Valdés, se ha referido a Emma González como una comunista “machorra”. La acusación no es novedosa. A lo largo de la historia, los grupos más reaccionarios, las tradicionales clases dominantes de América latina e, incluso, de Estados Unidos (diría que en menor grado) han ejercitado el macartismo según el cual todo crítico capaz de decir sus verdades incómodas al poder dominante es, automáticamente, un comunista. Incluso, no importa si esas verdades están objetivamente documentadas. Si afirmas que el golpe de Estado en Guatemala de 1954 fue orquestado por la CIA y la UFC contra un gobierno democrático, eres comunista. Si dices lo mismo de Chile en 1973, marxista-leninista, etc.

Sin embargo, a los comunistas no hay que señalarlos. Por lo general, los comunistas se reconocen como tal. Los fascistas, racistas y machistas, en cambio, no. Hay que adivinarlos o deducirlos según sus dichos y acciones.

Ahora, que una joven y millones de jóvenes marchen por sus vidas y cuestionen con determinación la religión de las armas, que no encajen en el impuesto estereotipo (prefabricado y reducido a una caricatura) del patriota, en los límites estrechos de los mitos sociales, que no sigan los caminos trazados por las vacas sagradas rumbo al matadero, los convierte en peligrosos comunistas. Pero me parece que esa costumbre de etiquetar como comunista a todo crítico inconforme, a todo demócrata radical, es un poco exagerada. Miami, en cambio, está lleno de excomunistas que un día se dieron cuenta, como por una súbita revelación, del gran negocio (económico y moral) que resultaba envolverse en la bandera del ganador y se cambiaron de bando o se volvieron más cowboys que John Wayne.

La escasez de recursos intelectuales de quienes sacan la palabra mágica (comunista) como quien saca un revólver, es bien conocida. Hace unos años, el padre cubano del senador y candidato a la presidencia, Ted Cruz, afirmó que la teoría de la Evolución era una perversión del marxismo. Incluso la Teoría del cambio climático, que amenazaba las ganancias de las superpetroleras, hasta hace poco era producto de esa mala gente.

Esta generación (una parte significativa) ha tenido el valor de decir Basta. Y lo ha dicho de una forma escandalosa para una sociedad fanática: “basta de rezos y de condolencias”. Por eso deben demonizarlos como comunistas o peligrosos revoltosos, lesbianas o conspiradores, como en los años cincuenta los sureños marchaban con carteles denunciando la inmoralidad de los activistas con carteles que afirmaban que “la integración racial es comunismo” mientras les pedían a sus gobernadores que salvaran la “América cristiana”.

Los ataques a Emma revelan cierto nerviosismo ideológico. (Un candidato republicano la definió como “lesbiana skinhead”. Ella se asume como bisexual. No es rebelde por ser lesbiana, sino por tener la valentía de asumirse como es en una sociedad hostil y, no pocas veces, hipócrita.) Emma representa el cambio, no sólo por ser joven, bisexual, y una incomodidad insoportable para la poderosa Asociación del Rifle, sino también por ser parte de una generación que puede representar un momento crítico en la historia de este país y del mundo. Los hombres y las mujeres (sobre todo los hombres) han escrito las leyes y las constituciones. Los hombres y las mujeres (sobre todo las mujeres) pueden y deben volver a escribirlos según las necesidades de los vivos, no de los muertos.

Ni Zoe Valdés ni nadie tiene ninguna autoridad moral para criticar a esta joven con coraje. Todo lo demás son clichés de la Guerra Fría que la nueva generación no se traga tan fácilmente. Son miedos propios de los superpoderes, que no son poderes absolutos y lo saben cuando un repentino temblor les mueve la mejilla.

Los años siguientes veremos una lucha existencial entre la reacción de la ola neo-patriarcal, nacionalista, racista e imperialista (unos caricaturescos años ochenta todavía en ascenso, hoy en el poder político), contra una generación más joven, de a pie, lista para resistir las narrativas que ocultan los verdaderos problemas del mundo, dispuesta a no creer más en mitos que ni siquiera funcionan, con la suficiente rebeldía como para decir algo tan simple como Basta.

 

JM, 26 de mayo de 2018

 

Putin, el espía que se quedó en el Kremlin

Revista Siempre!, Mexico

  INTERNACIONAL, PORTADA, REPORTEROS|

 Jorge Majfud 

 

  • ¿Qué retos implica para la comunidad internacional tener a un líder como Vladimir Putin, considerado por muchos como el hombre más poderoso del mundo?

 

JM: Putin no es el hombre más poderoso del mundo. Puede ser el más listo, como ha quedado demostrado en sus interferencias en las elecciones de otros países y hasta en la toma de provincias, como Crimea, sin que la comunidad internacional se atreva a mover un dedo. Lo suficiente listo como para no continuar su avance, como sí lo hizo Hitler luego de tomar Austria sin que nadie, ni las potencias mundiales de entonces se atreviesen a tomar medidas concretas. Pero Putin no es Hitler. Entre otras cosas porque es mucho más listo. Sin embargo, por las limitaciones de su gran país (económicas, demográficas, geográficas, etc.), no es el líder más importante del mundo hoy. Si hay que señalar uno, ese es claramente Xi Jinping, desde hace poco presidente comunista-capitalista de por vida de la superpotencia asiática. La diferencia es que Putin, apare de representar a la derecha nacionalista en Rusia y a la izquierda internacionalista fuera de Rusia, tiene una mayor presencia mediática en la prensa occidental, la que ignora, al igual que sus gobiernos, algo que hemos señalado hace dos décadas: el gran desafío para Estados Unidos no es el terrorismo islámico que lo mantiene absorbido y distraído, sino la sobrevivencia de su supremacía (empezando por la economía y más tarde siguiendo con los mares del sureste asiático) desafiada por una potencia que quiere y puede competir por un mismo objetivo: la supremacía económica y militar: es decir, China. Ni siquiera Corea del Norte representa una amenaza a su hegemonía, más allá de algún conflicto concreto y su defensa-ataque basado en sus supuestas armas nucleares. En realidad, el espacio más importante de cualquier conflicto actual es la ciberguerra, aunque Rusia posea el segundo arsenal nuclear más importante del mundo. El progreso en Big Data y en Inteligencia Artificial determinarán la realidad del siglo XXI. En este campo China está haciendo progresos acelerados. Partió de años de robo de propiedad intelectual, y en este momento se encuentra en situación de continuar creando conocimiento por cuenta propia. En materia geopolítica, en materia de ajedrez internacional, todo lo demás son distracciones.

 

  • ¿Cuál es el panorama de Rusia en el ámbito geopolítico, sobre todo teniendo a un Donald Trump que lo admira?

 

JM: El mayor poder de Rusia está en Europa. Europa (sobre todo Alemania) y Rusia han mantenido una relación de amor-odio desde hace un par de siglos, desde Napoleón hasta Merkel, pasando, obviamente, por Hitler. Europa no puede vivir con Rusia pero sin Rusia tampoco. En esta medida Estados Unidos ha tolerado a Rusia hasta ahora. Con Trump la relación se ha convertido en una admiración personal, la cual, como todo, tenía previos vínculos económicos y de negocios. Trump es un actor irrelevante. Absolutamente mediático, pero irrelevante. Una actriz porno o cualquier otro personaje menor de la política tendría la suficiente capacidad de tumbar a Donald Trump. Ninguna de estas mujeres que pueden ponerlo contra las cuerdas tendría una chance mínima ante Putin ni ante Ji Xinping. ¿Por qué? Porque, más allá de la dictadura internacional, Estados Unidos todavía tiene instituciones propias de cualquier democracia liberal, algo que está en claro conflicto con un Trump, que se sentiría en Rusia o en China como pez en el agua. Progresivamente, Trump irá perdiendo relevancia política e internacional incluso dentro de su propio partido. Si no lo tumba una prostituta lo tumba una simple recesión económica. Trump, en su delirio, sueña con ser el Putin americano (incluso manifestó que eso de la reelección indefinida era un tema que los estadounidenses debían considerar. Obviamente nosotros, no los otros; los blancos de Estados Unidos o de Europa, no los primitivos caudillos latinoamericanos).

 

  • La muerte de un ex espía ruso en GB recuerda mucho las ejecuciones que hacía la Unión Soviética, ¿estamos viendo un regreso a esos tiempos de conflictos fríos con el ex jefe de la KGB?

 

JM: No sólo era práctica de la antigua Unión Soviética sino de la más actual Rusia. Pero no debemos olvidar la hipocresía occidental también. ¿Cuántas muertes, asesinatos individuales y en masa fueron consecuencia directa o indirecta de Civilizados gobiernos occidentales? Bastaría con echar una mirada a la historia en América Latina, en África y en Asia, que es como decir el resto del mundo. No tendríamos espacio aquí para enumerar brevemente todas las atrocidades cometidas y las brutales dictaduras instauradas en nombre de la libertad y la democracia. Y no sólo la historia. Casi todos los conflictos actuales, como el caos en Irak y Medio Oriente, como la tragedia en Siria, el antiguo conflicto palestino-israelí y tantos otros tienen a las mayores potencias occidentales como actores fundamentales. Otras potencias, como Turquía (viejo miembro de la OTAN) y Rusia juegan el mismo tenebroso y no menos criminal juego de intereses geopolíticos. Aquí no hay santos. Sólo escorias en el gran teatro del poder económico-militar. Cada uno con sus nobles y conmovedoras justificaciones.

 

(sean)

 

Los hombres del presidente

Revista Siempre, México

Entrevista con Jorge Majfud, por Gerardo Yong

Como si fuera un duelo al estilo del viejo oeste, Donald Trump disparó primero para despedir a quien consideraba como uno de los miembros más importantes de su administración. Rex Tillerson se enteró de que ya no trabajaba para el gobierno de Estados Unidos por las reacciones que había a un tuit de su jefe, donde se anunció que Mike Pompeo, director de la CIA, lo sustituía sin mayor explicación. También propuso a Gina Haspel, al puesto de Pompeo. Todo en menos de 24 horas.

Esta acción trumpiana ya había sido inaugurada anteriormente cuando despidió al jefe del FBI, James Comey, solo que, en esta ocasión, el brazo derecho de Trump ni siquiera lo sospechaba. Los medios internacionales afirman que ya había diferencias entre ellos, principalmente desde que Tillerson rehusó confirmar haber llamado “imbécil” a Trump tras reunirse el 20 de julio en el Pentágono con miembros del equipo de seguridad nacional de la Casa Blanca y algunos funcionarios más. Lo que es cierto es que el también exhombre fuerte de la petrolera Exxon ya estaba a punto de reventar por las indecisiones cometidas por el magnate en materia de diplomacia y su escasa visión internacional.

Según se dice, Tillerson regresaba de un viaje a Africa. La situación coincidió con la muerte de un exespía ruso y su hija en Gran Bretaña, quienes aparentemente fueron envenenados con un agente nervioso de origen soviético. La Casa Blanca ni siquiera reaccionó a esta situación, pero el ahora exsecretario de Estado sí lo hizo en un comunicado de prensa. Lo hizo a sabiendas de que no le gustaría a Trump debido a la simpatía que ha mostrado al Kremlin.

Se especula que Tillerson ya lo presentía y que no le importaba que ocurriera. De cualquier manera, su despido se realizó mientras él volaba de regreso a Estados Unidos. Fue hasta que llegó a la base aérea Andrews, en Maryland, cuando se enteró de que ya no formaba parte del equipo gubernamental. El problema fue que Tillerson no tiene cuenta de Twitter y se enteró por uno de sus asistentes que le mostró una copia impresa del mensaje, donde había sido removido por el presidente, sellando así su carrera como el secretario de Estado norteamericano más intrascendente en la historia de la Unión Americana.

Aunque Trump desestimó en varias ocasiones el manejo de Tillerson sobre la cuestión norcoreana, se adjudica a este el éxito en lograr la reunión cumbre de mayo próximo. De hecho, el diario español El Mundo afirma que este relevo estuvo a punto de “frustrar el viaje de la ministra de Asuntos Exteriores surcoreana, Kang Kyun-wha, a Estados Unidos, donde tenía previsto entrevistarse precisamente con Tillerson este viernes para abordar las previstas negociaciones con Kim Jong- un”.

También menciona que Mike Pompeo es contrario a un encuentro entre Trump y Kim Jong-un y es más afable a una ofensiva militar.

Con esta contextualización, el analista internacional Jorge Majfud afirman que el despido de Tillerson confirma que el gobierno de Donald Trump no tiene ni pies ni cabeza, que sigue la línea de la mediocridad tanto por un presidente que está más ocupado en gozar de su egocentrismo infantil, y de sus funcionarios que no aciertan a comprender cuáles son sus prioridades en un gobierno calificado como el más incierto en la historia norteamericana. Esta es la entrevista que concedió a Siempre! vía correo electrónico.

 

Gerardo Yong: ¿Qué opinas de la estrategia que está siguiendo Donald Trump con su personal?

Jorge Majfud: Trump no tiene estrategia más allá de su patológico narcisismo. Nombró a Tillerson y a una larga lista de otros colaboradores en su gabinete básicamente por afinidades ideológicas y personales (“machos blancos”, como dijimos por entonces en Rusia Today) y hoy ya casi no queda un solo nombre de sus fantásticos amigos. ¿Acaso no dijimos también que ese era un gabinete explosivo y contradictorio? En el caso de Rex Tillerson, era un hombre de negocios, de Exxon, muy afín a los hombres fuertes de Rusia, al igual que Trump, por otras razones. Pero los egos entraron en cortocircuito, como es natural. En el mundo no hay espacio para dos egos. Tal vez la diferencia es que Tillerson tenía un estilo personal más de perfil bajo. Cuando sugirió conversar con Corea del Norte, Trump lo descalificó, acusándolo de perder el tiempo. Medio año después, hace pocos días, cuando una delegación de Corea del Sur le mencionó a Trump en la misma Casa Blanca que había una posibilidad de hablar con Corea del Norte, Trump resolvió en tres segundos que sí, que él se iba a reunir con Kim Jong-un, sin siquiera consultar a su cancillería, a Rex Tillerson, como es el procedimiento normal en presidentes supuestamente responsables. El año pasado Tillerson había explotado por otras razones y en un pasillo habría dicho que Trump era un estúpido, a lo cual Trump, contestando a esos posibles rumores, lo desafió a que midiesen su coeficiente de inteligencia. Todo hombre acomplejado tiene dos debilidades: medirse la inteligencia y el tamaño del pene. Bueno, un año antes el senador Marco Rubio había sugerido en la campaña interna del Partido Republicano que Trump tenía un pene muy pequeño, porque sus manos eran pequeñas, a lo que Trump, en medio de un debate televisivo, mostró sus manos y aseguró que no había problema con el tamaño (de su pene). La discusión se había originado cuando Tump llamó a Rubio “Little Marco”, Marquito, aludiendo a su baja estatura. Y Marquito respondió con la alusión del pene de Trump, por aquello de “petiso, pero me la piso”. ¿Alguien podría considerar que esto es de gente adulta, de gente inteligente, de los principales políticos de la primera potencia mundial? Pues, semejante infantilismo fue premiado en las urnas. Por no hablar de una larga serie de afirmaciones machistas y racistas que fueron igualmente premiadas. Ese tipo de estupideces revelan el nivel de la política del país más poderoso del mundo y su decadencia. No llama la atención. Al fin y al cabo, si hiciéramos una lista de los genios que han poblado este planeta desde los comienzos de la historia, prácticamente ninguno sería presidente o emperador. Es la naturaleza de las cosas humanas.

 

GY: Qué implica que Mike Pompeo ahora hay sido movido a ese puesto, que es considerado como el más importante por los intereses internacionales de Estados Unidos.

JM: Como con cualquier droga, el adicto necesita cada vez más estímulo para lograr el mismo nivel de satisfacción. Es lo que le irá ocurriendo a Trump en su presidencia, que de por sí ya era la cúspide en cuanto a estímulo que necesita un narcisista patológico, aparte de sexo. Como el hombre es abstemio, cada vez necesitará más y más radicales y más medidas intempestivas de su parte. Aquí se podría aplicar aquellas misteriosas palabras de un personaje que decía “nunca confíes en un hombre que no bebe”. Recordemos que es un hombre que siempre tuvo problemas psicológicos, menguados por la fuerza del dinero y la adulación mediática pero ahora agravados por su avanzada edad. Alguien se preguntará cómo alguien así llegó a ser presidente de Estados Unidos. Pues, no veo por qué sorprenderse. Así funcionan las democracias disfuncionales de las que hablaba Sócrates.

 

GY: ¿La renuncia de Tillerson se puede entender como un fracaso en la política internacional estadounidense?

JM: No. No es un fracaso porque no ha habido ningún éxito aún, ni medido desde el estándar estadounidense ni mucho menos medido desde un estándar humanista. Claro que si mañana llueve sobre el Sahara, Trump dirá que se debe a su acción divina, pero eso sólo se lo creen sus fanáticos que rezan para que Dios no deje que la actriz porno logre demostrar que se acostó con él varias veces. Los historiadores dirán otra cosa. La misma elección de un animador de reality show como Trump como presidente, su misma presidencia es una más que clara prueba de la decadencia de este país. Antes las barbaridades como las guerras de Vietnam o ese otro absurdo de Iraq o las múltiples intervenciones bélicas en diversas pares el mundo se disimulaba un poco. Ahora ni se cuida la forma. Todo esto será menguado por una creciente reacción de la juventud estadounidense, primero contra la política dominante y luego contra lo peor de su propia propia cultura de la violencia, pero será tarde para evitar un declive generalizado. Se podrá menguar, mitigar, pero no evitar.

 

GY: ¿Cuál sería tu perspectiva sobre la hegemonía de Estados Unidos? ¿Es probable que estemos viendo un colapso en la primera potencia mundial?

JM: La hegemonía de Estados Unidos está en cuestión, pese a ser la primera economía del mundo y, por lejos, la mayor potencia militar. Pero esta depende de aquella. El infantilismo de la presidencia de Trump es un claro síntoma de este declive. Lo mismo ocurría cuando advertíamos sobre el problema del calentamiento global y nos llamaban idiotas, de profesores pagados para difundir teorías falsas. Bueno, ya estamos sufriendo las consecuencias y aquellos que nos amenazaban y nos llamaban idiotas ahora no dicen nada. El mar se está tragando casas enteras sólo en la costa de Florida. Ahí se las puede ver, hermosas casas arrodilladas o bocabajo ante la evidencia de la erosión y la furia lenta de la naturaleza. Lo mismo con respecto a la política. Lo mejor que le puede ocurrir a Estados Unidos es un descenso suave de su supremacía y, sobre todo, de su histórica arrogancia. Ya no irán a América Latina y a los países negros a enseñarles cómo elegir correctamente a un presidente, como decían sus congresistas sin disimulo. Ya no será el poder hegemónico que se crea la policía del mundo y salvaguarda de la libertad a fuerza de bombas, sino que será un país menos poderoso y mucho más feliz. Un país menos fanático y menos miedoso. Porque si hay un motor de la arrogancia estadounidense, ese es su permanente miedo a todo, como si se tratase de una sociedad paranoica, obsesionada con el éxito y la seguridad. En las décadas por venir eta sociedad deberá decidir: si se convierte en un país calmo y equilibrado o cae definitivamente en el caos de un país del tercer mundo. Hoy ya es un país tercermundista, pero con dinero, sobre todo por ser todavía los dueños de la divisa internacional y de mantener el control de los mares. Esas son sus dos opciones a largo plazo, porque seguir siendo una superpotencia arrogante no está dentro de sus posibilidades reales. Los otros también existen y llegará un día que digan basta, hasta aquí llegamos. Porque le deseo lo mejor al país y a la sociedad de mi propio hijo, porque le deseo lo mejor al resto del mundo, quisiera ver en esta sociedad un grano de sensatez, que se decida por la primera opción: no una caída violenta y producto de una guerra global, sino un descenso en la cordura, en la serenidad de las sociedades verdaderamente libres y felices.

 

Originalmente puiblicada en Revista Siempre!, Mexico, 17 de marzo de 2018.

http://www.siempre.mx/2018/03/choque-de-egos-entre-trump-y-tillerson/

 

Entrevista

con Jorge Majfud (*)

Por Gisela Galimi, periodista argentina 

 

Su padre era carpintero. A veces, cuando no le podían pagar, canjeaba libros por muebles. Y Jorge Majfud niño los leía en su Tacuarembó natal sin más objetivo que esa fascinación vertiginosa de seguir a los personajes. Mientras esta ficción, su vida tuvo también otras historias: las cercanas a la dictadura en esa década de los 70 uruguaya, en la que el Cono Sur se pobló de desaparecidos y muerte. La historia real tocó su vida de niño y hoy pega fuerte en memoria. De esa época recuerda una rara conciencia de la dictadura omnipresente. Su abuelo materno fue prisionero. Alguno de sus tíos paternos formaba parte del ejército. En el medio de relato, una tía se pegó un tiro cuando le dijeron que habían “capado” a su marido. Pura ficción. El hombre pasó por la tortura, pero a su esposa le mostraron un órgano de animal para certificarle un hecho que no fue.

“Como resultado de esta historia no me convertí en un asesino, pero sí en un escritor”, afirma Jorge y quizás por esta mezcla de ficción literaria y realidad ficcionada que fue su infancia, es importante para él que sus personajes no sólo tengan sentimientos sino también ideas, tal como decía Sábato.

Para llegar a este oficio de escritor de novelas y ensayos su talento lo ha llevado por la vida. Estudió arquitectura porque, a pesar de una crónica negligencia en sus estudios de secundaria, unía su facilidad por las matemáticas y su gusto por el arte heredado de la madre escultora. Y pensó que le daría tiempo para escribir. Rápidamente sus novelas hablaron por él en el mundo, hasta que de Estados Unidos lo invitaron a trabajar allí. Hoy catedrático en el país del norte encuentra en la burbuja académica tiempo para investigar y escribir, pero sigue conectado con su nacionalidad, que entiende es mucho más que su domicilio.

De sus personajes a veces dicen que piensan demasiado. Pero él asegura que los deja fluir por su inconsciente hasta que incluso lleguen a interpelarlos con ideas opuestas a las suyas. Así fluyó también este reportaje. Una charla amable con un hombre que siente porque piensa.

“Por vocación, por mis intereses más profundos, por la importancia que le otorgo, me definiría como novelista. Todo lo demás está incluido en ese espacio donde la ficción total es la única capaz de explorar lo más real del ser humano”.

LG: Arquitecto, novelista, ensayista, investigador, catedrático, viajero, uruguayo, extranjero, ser político, pensador, hombre… ¿Cuál de estas palabras define más a Jorge Majfud?

JM: Primero, hombre, en su sentido zoológico y metafísico, en su relación del yo con las emociones más profundas, como el amor, el odio, la envidia, la simpatía, la culpa, la ira, y con las ideas más inquietantes, como la justicia, el más allá, Dios, la Nada, etc. Por vocación, por mis intereses más profundos, por la importancia que le otorgo, me definiría como novelista. Todo lo demás está incluido en ese espacio donde la ficción total es la única capaz de explorar lo más real del ser humano. Una novela no es un ensayo, pero los personajes no son animales puramente emocionales. También tienen ideas, como pueden tenerlo el narrador y el mismo autor. ¿Investigador, catedrático? Bueno, esas son obligaciones de la profesión y placeres adicionales, como ser viajero. Uruguayo no por haber nacido en ese país ni por tener una cédula de identidad, un pasaporte y esas cosas, sino por haber vivido allí la etapa más importante de la vida de cualquier persona, la infancia, la adolescencia. Extranjero, sí, como todos. Uno suele ser extranjero también en su propia tierra, aunque serlo en tierras nuevas siempre es una experiencia crítica, incómoda, removedora. Por una de esas tiranías ideoléxicas, iba a decir “tierras ajenas”, pero no creo que un país tenga dueños. Esas son pelotudeces nacionalistas, tan de modas hoy en día. En el extranjero uno aprende más de uno mismo y de la propia tierra que en lo que se llama la patria, palabra tan llena de contenidos contradictorios y tan manipulada por los instintos más bajos del poder. ¿Ser político? A ver… En su sentido más profundo, todos lo somos, lo cual tiene poco de las miserias de las políticas partidarias. La gran política es algo tan relevante y las opiniones políticas tan superficiales…

LG: ¿A qué te refieres con eso de “la gran política”?

JM: La gran política es esa que no deja a nadie fuera, aunque quiera. Es, según lo entiendo yo, la relación histórica, dialéctica, conflictiva, entre dos fuerzas eternamente opuestas: el poder y el sentido de justicia, el tomar lo que se puede y el renunciar, por una conciencia superior, a lo que se podría.

LG: Te describís como una persona pudorosa en tu vida personal pero sin pudores a la hora de escribir. Venir de una formación como las Bellas Artes y la Arquitectura que trabajan con la imagen y el espacio ¿crees que facilita ese camino hacia el ser directo y descarnado con las palabras? ¿Con qué otras actividades intertextualizan tus textos?

JM: Crecí en una casa llena de dibujos y de esculturas de mi madre. Por las noches de verano, cuando uno se levantaba a tomar agua, aquellos hombres, mujeres y caballos que poblaban las sombras y las luces de la calle, parecían vivos. No creo que la arquitectura haya jugado algún rol en mis novelas. El proceso de creación es más o menos el mismo en distintas artes, pero para mí la arquitectura fue más bien una forma de dedicarme a algo práctico que me dejase tiempo libre para escribir y para viajar. Esas cosas tan improductivas, ¿no? Diría que recibirme de arquitecto fue un accidente, como trabajar de profesor de matemáticas o haciendo cálculos de estructura fue una necesidad de sobrevivencia.  La arquitectura no está más presente en mis novelas que mis trabajos previos como repartidor de farmacia o como ordeñador de vacas en la granja de mi abuelo, cada mañana a las seis en verano o cuando el pasto crujía con la escarcha. La arquitectura es un arte y una profesión noble, pero también lo es la carpintería, por nombrar sólo una, la profesión de mi padre. Pero la sociedad otorga al profesional universitario un prestigio exagerado, me parece, y hasta discriminatorio. Yo me recibí muy joven de arquitecto porque, aunque dedicaba más tiempo a escribir ficción, las matemáticas y la historia me resultaron bastante fáciles. Pero detestaba cuando me decían “buen día, arquitecto” y, por ejemplo, se dirigían mi hermano y le decían “buen día, Alexis”. Son tonterías jerárquicas que hasta la gente más noble y razonable reproduce. Una vez en Pensilvania la secretaria de la universidad en la que había comenzado a trabajar se me presentó en mi oficina para rogarme la disculpase por haberme llamado “míster” sin saber que era “doctor”. Te imaginás la respuesta. Pero así es como funciona el mundo: es una ficción que no sabe que es ficción. Por eso, lo que llamamos ficción es una aproximación mucho más honesta que cualquier otra narrativa, como las políticas, por ejemplo.

LG: En esta dicotomía que marcas entre tu vida personal y tu literatura ¿cómo se resuelve? ¿En qué puntos conversan el hombre y el escritor?

JM: No hay forma posible de separar uno y el otro en sus niveles más profundos. Obviamente que, como cualquiera sabe, autor, narrador y personajes son tres categorías diferentes. Eso es uy simple de entender. Como autor soy un individuo con determinados valores morales, pero como narrador no puedo limitarme a ningún puritanismo. Mis personajes, como el de muchos otros escritores, suelen pasar por situaciones extremas y reaccionar, en algunos casos, como santos o como criminales, y yo no soy ni una cosa ni la otra. Ahí está el valor de la literatura como instrumento de exploración de la condición más profunda del ser humano. Nadie es moralmente responsable de sus sueños, pero los sueños son una ficción de profundo significado, aunque hoy en día parece que la gente ya no sueña, y sin sueños, por terrible que sean o por eso mismo, somos menos humanos.

LG: Aunque la forma de escribir sea sin tapujos la selección de los temas de tus novelas está atravesada por el valor de la denuncia, algo importante para los que crecimos en los 80 en el silencio de la dictadura del Cono sur. ¿Cómo nació esa necesidad? ¿Cómo se alimenta?

JM: Esta misma pregunta me la acaban de hacer en la Freie Universitat de Berlin. La respuesta es la misma: nunca me propongo un plan de escritura. Eso es más para la investigación académica, la que pertenece a un mundo radicalmente diferente. Por eso, para ser un gran escritor no importa si uno es un académico como Umberto Eco o Vargas Llosa o un autodidacta como Onetti. No tiene la más mínima relevancia, porque son mundos totalmente diferentes y con diferentes leyes. Excepto en una investigación, no me trazo ningún plan, ni siquiera cuando escribo ensayos, que supuestamente pertenecen a una esfera más racional, consciente. En un ensayo uno debe aportar argumentos, una línea más racional, pero, aun así, al menos en mi caso, surgen de la pasión del momento. Tal vez no sea casualidad que mi primer libro de ensayos de 1998, escrito en África, se titule Critica de la pasión pura.

LG: Pero en la novela…

JM: En el caso de la novela, la condición es aún más radical. Si por algún momento sospecho que estoy “fabricando” personajes o situaciones, simplemente elimino todo lo escrito. Claro que hay fórmulas para escribir una novela exitosa, un best seller, pero no es eso lo que me interesa. Afortunadamente no vivo de mis libros y no necesito vender para seguir escribiendo. Por regla general, dono los royalties y los honorarios de mis conferencias. Así que me mantengo libre de esas circunstancias y apremios que acosan a otros colegas. Tal vez no sepa hacerlo de otra forma. Desde siempre he dejado que las situaciones y los personajes sean libres y yo, como autor, siempre me he limitado a seguirlos, a convivir con ellos. Hace dos o tres días, en Alemania, un estudiante me preguntó cómo se hace eso. La verdad es que no lo sé exactamente, pero es un ejercicio mental: uno sabe cómo mirar hacia el lado racional y cómo mirar hacia el lado opuesto. Una vez que uno se pone en esta actitud mental, debe mantenerse por un determinado tiempo hasta que las cosas comienzan a ocurrir, a veces de una forma frenética que hace imposible que los dedos sobre el teclado o la mano sobre un cuaderno respondan a la misma velocidad. Pero es mi mayor placer y es una suerte de pavor al mismo tiempo. Todo lo demás, como publicar o vender, como que escriban bien de tus libros, te critiquen o te insulten por ahí, son meros ad hocs, circunstancias irrelevantes de la vida a los que uno se acostumbra a no tomar en serio. Por el contrario, debe entender que hay otras vidas y otros sueños luchando por sobrevivir. Por eso, el valor y la actitud de lo que llamas “denuncia” se dan en los ensayos, no en las novelas. Una novela simplemente convive y expone algunos problemas, los más universales, aquellos que trascienden las circunstancias, las contingencias del momento. En mi caso, el drama social y político de esas dictaduras que viví directamente como niño, probablemente han desarrollado una sensibilidad sobre ciertos temas recurrentes en mis novelas, como la violencia moral, la recurrencia a la fuga, etcétera, pero no se trata de denunciar algo de forma consciente.

LG: Esta temática atraviesa también tus ensayos y columnas de opinión, pero de un modo muy multifacético. ¿Desde qué fuentes observás la realidad para nutriste como pensador moderno?

JM: Las fuentes son múltiples y van desde la memoria, dese la interacción personal con conocidos y desconocidos, hasta los documentos históricos, pasando, inevitablemente, porque esa es la omnipresente realidad contemporánea, por los medios de información. Prefiero los tres primeros.  

LG: Esta es una revista esencialmente de poesía. ¿Cuál es su relación con ese género?

JM: Tradicionalmente, creo que, en su aspecto más superficial, la poesía se identifica con un formato, como lo es la escritura en verso y estrofa, con o sin rima. A lo largo de miles de años de historia, arte y poesía eran cosas muy diferentes. Arte era una forma de hacer regida por reglas estrictas que el aprendiz debía aprender, dominar y reproducir. De ahí viene eso de una “obra maestra”. La poesía, en cambio, era cosa de locos, de locos visionarios, es decir, era el reino de la creación. Recién en la Era moderna el arte se rindió a los principios de la poesía y consideró que la creación, es decir, lo nuevo, no era una maldición demoníaca sino una virtud el espíritu humano, una condición necesaria y exclusiva de valor estético. Desde entonces, la locura del poeta se convirtió en la verdad sublime del artista, del escritor, como intermediario entre la naturaleza más profunda del ser humano y su natural mediocridad. Para mí, la poesía es una forma de ver y sentir el mundo. El formato nos advierte, como lectores, que debemos considerar especialmente la palabra y la sensibilidad del autor en un sentido especial, diferente al común. Es un código, una complicidad totalmente válida. Ahora, yo creo que la poesía no termina ahí, en la forma. Se proyecta como forma de ver el mundo en la prosa, en las artes plásticas, en el cine, en la vida misma. Por eso, un texto en verso puede ser una simple cursilería mientras una prosa puede estar cargada de poesía.

 

(*) Publicado originalmente en la revista barcelonesa, La Guardarraya de febrero de 2018.

 

PDF La Guardarraya, Nº2 febrero 2018

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https://issuu.com/laguardarrayarevistaliteraria/docs/laguardarrayafeb2018

Banderas

Las banderas nacieron para la guerra y, más allá de las cándidas excusas, nunca cambiaron de significado. Aunque se ondeen en nombre del amor, siguen cargando, de una forma o de otra, su cuota de odio en diferentes grados, ya sea de los opresores o de los oprimidos. Cuánto más se venera una bandera, más odio oculto se lleva dentro.

JM

La matanza de Parkland y el mito de las armas (por Andrés Hernández Alende)

por Andrés Hernández Alende

 

16 de febrero de 2018

La matanza del Día de San Valentín en la escuela secundaria Marjory Stoneman Douglas, en Parkland, una localidad del condado floridano de Broward, se suma a una larguísima lista de tiroteos masivos que definen la pavorosa historia del crimen en los Estados Unidos.

La masacre de Parkland, que dejó un penoso saldo de 17 muertos, es la peor en una escuela desde la de Sandy Hook, en el estado de Connecticut, en 2012. En Sandy Hook, como ahora en Broward, los políticos repitieron la misma frase: “Nuestros pensamientos y nuestras oraciones están con ustedes”. Dijeron que rezarían por las víctimas, que se tomarían medidas para que el horror no volviera a pasar, que se controlaría la tenencia de armas y se haría más estricta la verificación de antecedentes. Nada de eso ha sucedido. Nada indica que suceda ahora.

Según un estudio de la Organización Mundial de la Salud de 2010, en las naciones ricas, el 91 por ciento de los menores de 15 años muertos por armas de fuego vivían en los Estados Unidos. Esa cifra es tan aterradora como debería ser inaceptable.

En ningún otro país desarrollado se producen las matanzas que con espantosa frecuencia estremecen a la nación norteamericana.

El índice de homicidios tiene una relación directa con la posesión de armas de fuego. En Australia no ocurre un tiroteo masivo desde 1996, cuando a raíz de una masacre en Tasmania el gobierno reguló estrictamente la tenencia de armas y restringió la venta de armamento de guerra. Pero en los Estados Unidos, una medida similar no encuentra apoyo entre la mayoría de los políticos y ni siquiera cuenta con el respaldo suficiente en el electorado como para cambiar la ley. Esta actitud se debe a un factor cultural y al mismo tiempo a una motivación económica.

La cultura de las armas está muy arraigada en la psiquis nacional. Es una herencia del proceso de fundación y expansión de la nación, cuando las milicias populares combatieron a las tropas de la metrópoli británica y luego los colonos arrebataron el país a la población indígena a tiro limpio. La historia norteamericana está vinculada al mosquete y luego al Winchester colgando de una pared de la cabaña; en la actualidad, esas armas han sido sustituidas por el AR-15, la popular versión civil del fusil militar M-16. El AR-15 fue el arma utilizada por Nikolas Cruz, el joven de 19 años que cometió la masacre de Parkland.

La tradición belicista fomenta un negocio multimillonario de venta de armas cuyo brazo propagandístico, la Asociación Nacional del Rifle, salpica a los políticos para inducirlos a no tomar las medidas salvadoras que hacen falta para detener la violencia.

Una visión torcida de la Segunda Enmienda de la Constitución –que estableció el derecho de poseer armas para los colonos a fines del siglo XVIII– equipara la tenencia de armas con la libertad individual. Pero la verdadera libertad que necesitamos y que deberíamos exigir con más energía es la libertad de enviar a nuestros hijos a la escuela sin el temor de que algo espantoso pueda pasar; la libertad de ir a un lugar público sin la inquietud de que un loco decida abrir fuego contra la multitud; la libertad de vivir sin miedo.

Una enmienda redactada a la carrera en medio de la guerra por la independencia, hace dos siglos y medio, ya no tiene vigencia y podría cambiarse. Pero la tendencia de muchos norteamericanos a ver la Constitución como un texto sagrado es aprovechada por los mercaderes de la muerte para mantener el negocio de las armas y frenar a cualquier político responsable que desee cambiar las cosas.

Vivimos en una sociedad violenta donde muchos se levantan cada mañana a ver cómo estafan al prójimo, en una economía regida por la competencia implacable y la insolidaridad; en una sociedad acostumbrada a que su gobierno resuelva las diferencias internacionales mediante la injerencia, la invasión y la guerra; en una sociedad donde la gente vive atrincherada en su propiedad y donde, como ha dicho el escritor uruguayo Jorge Majfud, “las armas son la segunda religión después del cristianismo”. Inevitablemente, ese tipo de sociedad crispada produce monstruos como Nikolas Cruz, el asesino de Parkland. La solución para detener las matanzas está en desechar el mito de la tenencia individual de armas, pero esa solución requiere un profundo cambio en la sociedad que muchos aún son incapaces de aceptar.

(artículo originalmente publicado en http://www.elnuevoherald.com/opinion-es/article200633324.html )

Andrés Hernández Alende es escritor y periodista cubano, editor de Perspectiva.

Siga a Andrés Hernández Alende en Twitter: @Alende5

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¿Por qué no le copiamos a Estados Unidos?

La semana pasada tuve el gusto de visitar la Freie Universität de Berlín para una charla y, de paso, aceptar una vieja invitación de la Deutsche Welle (la televisión pública alemana que solía ver de niño, con cierto sagrado pavor, con sus programas dedicados a pintores, escultores y todo tipo de gente rara pero fascinante). El edificio donde actualmente funciona el Lateinamerika-Institut de la Freie Universität fue un proyecto de Max Taut y Franz Hoffmann, dos celebridades de la Bauhaus. El espíritu de la escuela de Weimar, única en la historia moderna, sólo se siente, y con una intensidad conmovedora, al caminar por su interior. Los nazis la cerraron en los años treinta por considerarla un reducto de degenerados, más o menos lo mismo que pensaba Stalin del arte de un comunista llamado Pablo Picasso. Sin embargo, mientras la destructiva historia del Tercer Reich ha muerto, o casi, la desaparecida Bauhaus todavía vive en las cosas que nos rodean. Aunque no lo sepamos.  

El viaje de regreso fue agotador, como siempre. En el moderno aeropuerto de Dublín debí esperar horas infinitas. En una mesa de un café cerrado, a las 2:30 de la madrugada, me puse a leer los diarios en mi vieja tablet.

Hasta que pasó un señor canoso que reconoció la página de un diario argentino.

— ¿Argentino? —preguntó.

—No. Uruguayo.

Más allá de Brasil, es más o menos lo mismo. Se sentó en la silla libre y se presentó. No recuerdo su nombre; a esa hora me debatía entre irme por otro capuchino o dormirme sentado.  

—Me encanta Uruguay —dijo, antes de dejarme en claro quién era y qué pensaba de América Latina y del mundo. Aunque los uruguayos tienen un gobierno socialista, o algo así, no le caía del todo mal. Al menos no son corruptos.

Los uruguayos somos el muchacho tranquilo del barrio.

El hombre canoso era, o había sido, un concejal de la provincia de Buenos Aires. En menos de una hora me informó de toda la corrupción del gobierno anterior, de la limpieza del actual, de las decisiones difíciles que habían tenido que hacer en la provincia y en el país para poner orden…  

—Justo ayer —dijo—, el gobierno anunció que se va a liberar el precio de la nafta (combustible) para que fluctúe según la hora y las localidades. De esa forma, cada estación de servicio podrá fijarlo según la oferta y la demanda, como en Estados Unidos. ¿Qué le parece?

—No sé, pero eso de la liberación suena bien.

—Lo mejor, como siempre, es copiar de los americanos. ¿Qué piensa del sistema de precios de combustibles que tienen allá?

—No sé —dije—, me resulta divertido, eso de ir de un lado para el otro buscando ahorrar unos centavos. Da esa sensación de libertad que se tiene cuando se atraviesa el Valle de la Muerte. Allá, aparentemente, funciona.

—No lo dude —dijo el hombre canoso—. Nosotros deberíamos copiar a los americanos.

—Algunas cosas. Como PBS, su televisión pública. O como los inodoros en Alemania.

—¿Perdón?

—En Berlín los inodoros tienen dos tanques de agua. Un botón según las necesidades del caso. Así uno puede ahorrar agua. Lo vi en Medio Oriente hace un cuarto de siglo. Aprender algunas cosas concretas parece razonable. Ahora, copiar… Copiar en crudo es un suicidio.

—No, ¡qué va! ¡Si hubiésemos copiado a los yanquis mucho antes, hoy seríamos como ellos!

—¿No lo hemos hecho antes? Con resultados diferentes. Con todo, eso tiene varias aristas. Como la sola idea de éxito.

—No. No le des muchas vueltas a la cosa o te mareás.

—Bueno, supongamos que éxito es tener dinero y ser famoso. Aun así, sea cual sea, la copia ignora las características culturales de cada pueblo, lo que hace que cada copia sea siempre imperfecta, hasta ridícula, y sus consecuencias imprevisibles.

—No, no. Me la estás poniendo muy complicada. Las cosas son más simples.

—Está bien, olvidemos lo anterior. Pero pensemos que, para ser un día tan próspero como Estados Unidos, Argentina deberá copiarle algo que Estados Unidos nunca aceptará que le copien.

—Como por ejemplo…

— Primero, Argentina debería convertirse en un imperio.

—Me lo venía venir. Ese discurso de los sesenta. Pero el mundo ha cambiado.

—Sí, claro, pero no tanto. El imperio americano todavía está ahí. Llamémoslo hegemonía, para que no se sienta incómodo. Cultura hegemónica, capitales hegemónicos, ideología de la no ideología, como la del libre mercado…

—Ustedes los zurdos (te lo digo con respeto) se pierden en una maraña de razonamientos.

—Bueno, tal vez usted no me ha seguido, pero yo no me siento perdido.

—Puras abstracciones. ¿Podrías darme un ejemplo concreto de eso que llamás imperialismo?

—Pongamos dos. Primero, Argentina debería desplegar unas cien bases militares en cada continente. Incluida dos o tres en Miami y otras tantas en Oregón. Segundo, el peso argentino debería ser la divisa global dominante. ¿Vio que cada vez que los países latinoamericanos tienen problemas económicos imprimen o devalúan su moneda?

—Repúblicas bananeras.

—Sí. Hay unas cuantas. Pero Europa y Estados Unidos no han hecho nada muy diferente. Para salir de la crisis del 2008, la FED inundó el mundo con un tsunami de dólares. Entre cuarenta y cincuenta billones de esos papelitos se vertieron al mercado cada mes, durante muchos años. Sí, ya sé, no es sólo imprimir. Por eso le llaman “expansión cuantitativa”, “compra de bonos”. ¿Hubo alguna explosión inflacionaria por semejante bananismo monetario? Claro que no. Eso les pasa a los países periféricos. No al país que posee la divisa global. El desastre se redistribuye (perdón por la palabra) globalmente. Siempre me he preguntado qué pasa con los ahorros de un humilde trabajador o un pequeño empresario, sea en India, en Argentina o en California, que tiene dólares sucucheados en algún banco, cuando la FED imprime más papel moneda. ¿No hay, acaso, una transferencia de valor de esos ahorros a los nuevos papelitos que van a parar a manos de otra gente, empezando por quienes lo imprimen? Si no, ¿de dónde procede el valor de esos nuevos papelitos verdes, ya que ni siquiera tienen un respaldo en oro?

—Eso pregúnteselo a un economista.

—Sería lo mejor. Sin embargo, sea cual sea la respuesta, es evidente que no es tan fácil copiar para parecerse. Siempre quedan algunos detalles, ¿no?

El hombre canoso suspiró cansado. Debían ser las 4:00 de la madrugada. Se levantó, comentó algo del Barcelona, Messi, Suárez, me deseó buen viaje, y se fue arrastrando su maleta.

 

JM

enero 2018

Pía Castro (Deutsche Welle)

AQUÍ ESTOY

Aquí estoy – Jorge Majfud, escritor uruguayo

Pía Castro entrevista al escritor y académico uruguayo Jorge Majfud, un experto en América Latina radicado en Estados Unidos. El novelista y ensayista conversa acerca de las divisiones y contradicciones de la comunidad hispana en ese país. El racismo latente en Estados Unidos, la inmigración y la lengua española como puente entre diversas culturas son algunos de los temas tratados en esta edición.

El escritor uruguayo Jorge Majfud es el invitado de esta semana en ¡Aquí estoy! Es académico y se desempeña como profesor de estudios de América Latina en la Universidad de Jacksonville en Florida, Estados Unidos. Pía Castro lo invitó a recorrer la emblemática Bernauer Straße de Berlín mientras conversaban. Para Majfud, la capital alemana es una ciudad de “grandes mentes” y “grandes tragedias”. El breve paseo por los restos del muro de Berlín da pie para hablar de las divisiones y contradicciones de la comunidad hispana en Estados Unidos, el país donde reside desde hace varios años. Majfud aborda el tema del racismo, que a su juicio siempre estuvo latente en la sociedad estadounidense, a pesar del avance que significaron los dos mandatos de Barack Obama. También reflexiona sobre lo que significa ser inmigrante y vivir entre varias lenguas, así como de la capacidad de unir que, en su opinión, tiene el idioma español.

La trivialización de los grandes temas de la humanidad

Estimados profesores de la Universidad Alice Salomon de Berlín:

Por este medio les solicito reconsiderar la decisión de borrar el poema de Eugen Gomringer grabado en uno de los edificios de su institución por incluir la palabra “admirador” la que, según sus estudiantes, denigra a la mujer. 

Admirar no puede ser una ofensa, al menos que el objeto o sujeto de admiración no sean las mujeres sino el odio, la opresión y el genocidio. 

Este tipo de activismo denigra, trivializa y caricaturiza la heroica lucha de las mujeres y del feminismo a lo largo de la historia y en el presente. 

Las palabras no ofenden. Ofenden los hechos y las intenciones, y cualquier estudiante que entienda que el poeta quiso denigrar a las mujeres en este poema debería considerar abandonar la universidad y dedicarse a otra cosa. 

Por otra parte, la reciente ola de hipersensibilidad dialéctica en las universidades banaliza el trabajo intelectual. Es precisamente aquí donde debemos tener la entereza suficiente para lidiar y confrontar todo tipo de ideas, incluidas aquellas que nos repugnan. O renunciar a nuestro trabajo. Si alguien no puede ver sangre no debería aspirar a ser un cirujano.

Si las palabras y las ideas deben ser censuradas porque hieren algunas sensibilidades (imagínese qué deberíamos hacer con Shakespeare, Sartre, Gerda Wegener, Bukowski), es que no se ha entendido nada la misión central de las universidades –ni de la cultura ni de aquellas mujeres y hombres que, aunque no hayan pisado una universidad en sus vidas, han contribuido al progreso del conocimiento y la libertad a pesar de sufrir las diversas formas de la censura.

Atte,

JM.

http://www.dw.com/es/alemania-borrar%C3%A1n-pol%C3%A9mico-poema-por-sexista/a-42310170

 

El destino de un millón de jóvenes a subasta

DACA o los 25 mil dólares por cabeza

 

Sólo el título de “soñadores” para referirse a los jóvenes indocumentados que fueron traídos por sus padres a Estados Unidos siendo niños, es un cliché. Si no un sarcasmo, si consideramos que sus sueños no se refieren al sueño americano sino a una larga pesadilla que no sólo tiene efectos legales y sociales sino profundamente morales y psicológicos.

Ernest Hemingway alguna vez discutió con alguien sobre la naturaleza de los ricos y, por alguna razón no del todo clara, le atribuyó a su colega Scott Fitzgerald el siguiente razonamiento: “sí, los ricos son diferente a nosotros; ellos tienen plata”. La precisión sobre quién fue el verdadero autor de esas palabras es ahora irrelevante. No el problema en cuestión. Aparte del detalle del dinero, podemos sospechar que hay otras diferencias. Los estudios realizados sobre el tema demuestran que los ricos que caminan en la calle le prestan menos atención a la gente que los demás. Incluso la cuantificación del tiempo que estas personas miran a otras es sistemática y significativamente menor. (Knowles y Dietze, New York University 2016, etc.) A partir de ese hecho, se ha teorizado una explicación: a los ricos les interesa menos la agente que al resto de la gente. Justo, candidatos ideales para presidentes y representantes del pueblo.

Claro que esto es un hecho estadístico, lo que significa que siempre será posible encontrar ricos más interesados en los pobres que algún pobre. Sobre todo en una cultura, en una civilización deshumanizada por la sobrevaloración de la mercancía, sea material, humana o animal. En toda cultura, los valores (éticos, estéticos) que proceden de un grupo dominante son gradualmente absorbidos y adoptados por los grupos subalternos. Digámoslo así para no usar las palabras oprimidos o dominados que ponen nerviosos a los apologistas de los valores en curso. Otra vez: siempre hay excepciones, como las culturas contestatarias o resistentes, porque las sociedades son equilibrios inestables y contradictorios.

Esta cultura, donde el éxito se mide, exclusivamente, por la fama y el dinero, tiene al “hombre de negocios” como el héroe sagrado e incuestionable. Gracias a los hombres de negocios comemos pan, conocemos el teorema de Pitágoras, existe la ley laboral de las ocho horas y las mujeres tienen hijos. Algo tan arbitrario como si pretendiésemos lo mismo de los poetas, los profesores, los carpinteros, los conductores de taxis, etc. Arbitrario pero, a esta altura, totalmente naturalizado.

Ahora, si bien el actual tsunami mercantilista puede tener su epicentro en el mundo anglosajón (el mundo todavía dominante) podemos ver en otras culturas y en otras regiones periféricas cómo la brutalidad del dictador o del hombre rico traficó igualmente con seres humanos como si fuesen mera mercadería. Bastaría con recordar que en la Nicaragua de los 70s, el dictador Anastasio Somoza, asesorado por hombres de negocios cubanos, les compraba sangre a los pobres por un dólar el litro y se la vendía a los Estados Unidos por diez.

La historia de Somoza escandaliza por su valor gráfico, como uno se escandaliza por los rituales aztecas mientras que la tortura y quema de herejes en la Europa de entonces (también por razones político-religiosas) es vista apenas como un lamentable paso hacia el desarrollo de gente civilizada.

Ahora mismo, en este momento, no escandaliza algo que, desde el punto de vista de la víctima, es mil veces peor que la venta de sangre, como lo son las negociaciones para resolver el problema de casi un millón de jóvenes que viven en Estados Unidos desde que eran niños, que estudian, trabajan y contribuyen a este país mucho más que los políticos y los exitosos hombres de negocio que han secuestrado la moral de una sociedad de trescientos millones de personas.

El presidente Trump ha propuesto, e insiste, con su solución: si el partido de la oposición acepta financiar la construcción de su muro en la frontera mexicana, él firmará una ley que evite la expulsión del país a un millón de jóvenes. Como bono, la gran oferta de un camino a la ciudadanía en diez o doce años.

La propuesta (una vez más) demuestra algo que, por razones de cultura y costumbre, no se ve como evidente e inmoral ante los ojos de cualquiera: el presidente siente y razona como un exitoso hombre de negocios y propone negociar la vida de un millón de jóvenes por 25 mil millones de dólares. Tal vez piense que, a 25 mil dólares por cabeza, cualquiera de esos honestos seres humanos debería sentirse, finalmente, valioso.

De acuerdo, un político debe lidiar con los aspectos prácticos de los conflictos sociales. Debe negociar. Pero nada de eso significa que esté exento de un sentido moral. Si se va a discutir el destino de los jóvenes y la ley DACA, la discusión debería centrarse en el problema de cómo llegar a una solución humana, justa y razonable. Un presidente decente no puede poner en una mesa de negociaciones, por ejemplo, la abolición de la segregación racial o la inequidad salarial de géneros a cambio de que le permitan perforar en el Ártico para extraer gas natural. En cada caso, la decisión debería centrarse en cada problema. ¿Qué solución es más justa y razonable? ¿Podría un médico exigir un aumento salarial como condición a entrar a una sala de cirugía donde espera un paciente anestesiado? No. Pero desde el tratado de Guadalupe de 1848, los negocios más legales se hacen secuestrando a la otra parte.

Sí, un exitoso hombre de negocios piensa y siente diferente. En casos, pasando por encima de las reglas éticas más básicas. Cuando ese hombre de negocios es el presidente del país más poderoso del mundo, entonces la inmoralidad salpica al resto de la sociedad que mira pasiva la violación de principios éticos fundamentales. Lo cual no es nada nuevo tampoco. Mientras la economía vaya bien, la sensibilidad moral puede esperar.

El mercado de carne humana continúa de muchas formas. Ésta es una forma evidente que ya no escandaliza a nadie. Lo cual significa que estamos ante un problema inconmensurablemente mayor.

 

JM

​¿Por qué los nacionalismos ahora?

Las actuales olas nacionalistas tienen, al menos, dos características: primero, no se trata de los nacionalismos que llevaron a la descolonización de África o a la rebelión en el resto del tercer mundo durante los 50 y 60. En aquellos casos eran nacionalismos de izquierda, casi una contradicción, por otras dos razones (porque estaban inspirados en pensamientos socialistas, internacionalistas, y porque se trataba de revindicar y levantar el espíritu del oprimido, del sirviente deshumanizado). No es casualidad que algunos de los inspiradores de estas corrientes, nacionalistas como instrumento, no como objetivo, fuesen rebeldes como Frantz Fanon (psiquiatra y pensador latinoamericano radicado en Argelia, autor de Pieles negras, máscaras blancas, 1952) o Ernesto Che Guevara, ambos con ideas como “el hombre nuevo”, ese proyecto quijotesco de un ser descolonizado, descosificado y liberado de la ambición que lleva a unos hombres a explotar a otros por dinero. Ambos, no por casualidad, acusados de violentos o inspiradores de la violencia. Por entonces las potencias europeas y estadounidense eran la versión de la madre Teresa militarizada, masacrando millones alrededor del mundo en nombre de la libertad y la democracia. La Unión Soviética hacía más o menos lo mismo en nombre de la igualdad, aunque sus tentáculos globales eran de menor alcance, histórico y geográfico. Sólo en ese sentido se entiende la firma habitual del Che, “Patria o muerte, venceremos”.

Obviamente, este tipo de patriotismo no se debe confundir con el patriotismo de las potencias coloniales: los colonizados saludaban la bandera del opresor como a un dios que les recordaba su propia inferioridad, razón por la cual ocupaban el lugar natural del servidor, del feo, del vicioso, del retardado. Incluso, aún hoy el colonizado suele emocionarse al reconocer esta superioridad del colono haciendo hasta lo imposible por parecerse y asimilarse al poderoso, al vencedor. El colonizado, sea inmigrante o acomodado en su propia patria, se pondrá discursos, camisas y pantalones con la bandera del poderoso y hasta dejará correr una lágrima cuando encuentre una buena razón para defender y justificar la arrogancia del vencedor, cual patético síndrome de Estocolmo. Esa lágrima que se le escapa al desposeído cuando descubre la buena persona que es por defender al poderoso que, tarde o temprano, lo recompensará por el servicio moral.

Pero el nacionalismo del colonizado y el del colonizador son tan diferentes como el feminismo y el machismo. Parecen iguales, pero son lo opuesto en su dimensión ética y política.

En segundo lugar, los actuales nacionalismos, como los del siglo XX, son nacionalismos de derecha y se dan, fundamentalmente, en el mundo rico o desarrollado. Eventualmente se pueden expandir al resto del mundo, como todo lo que surge aquí. También Europa y Estados Unidos fueron los primeros en difundir ideas como el Fin de la historia y el triunfo definitivo del neoliberalismo y las democracias liberales a partir de la disolución final de la parodia soviética. De ahí partió la idea de globalización como la liberación definitiva de los capitales. La idea de la disolución de las fronteras sólo se dio en Europa con la ampliación de la Unión Europea y el establecimiento del Euro, y en América del Norte, con tratados como el NAFTA. Era una globalización de los capitales, del poder, no de los trabajadores, que malinterpretaron las buenas intenciones convirtiéndose en inmigrantes ilegales.

Entonces, ¿cómo es posible que sea justo en esa misma área geomonetaria donde los discursos nacionalistas, proteccionistas y los cuestionamientos a las democracias liberales se están dando con más fuerza?

La respuesta la venimos repitiendo desde hace algunos años: se trata de la percepción, no declarada, del declive. No es que Europa y Estados Unidos se encuentren ya en la pobreza, sino todo lo contrario. Lo que ocurre es que sus habitantes ya perciben el declive relativo de sus privilegios hegemónicos. La próxima etapa es la rebelión de los de abajo en este mundo rico, desdesarrollado.

Este es un componente psicológico, pero existe un modelo histórico anterior de base ideoeconómica. Se trata de la historia del proteccionismo contra la ideología del libre mercado. A principios de la Revolución industrial, Inglaterra era uno de los países que más brutalmente penalizaba el libre mercado de productos en desarrollo, como los manufacturados. Hasta que sus industrias fueron lo suficientemente fuertes como para “competir” con India, América latina e, incluso con los subdesarrollados Estados Unidos del siglo XIX. América Latina adoptó fácilmente este cuento y abrió sus fronteras (la destrucción del Paraguay durante la guerra de la Triple Alianza fue una de sus jugadas maestras). Por el mismo tiempo, Estados Unidos tenía las cosas más claras, como muchas otras veces en lo que se refiere a competencia y beneficios económicos. Los presidentes Cleveland y McKinley lo pusieron más o menos así: nosotros seremos los campeones del libre mercado cuando nuestras industrias sean lo suficientemente fuertes para competir con las británicas. No ahora.

Cuando Estados Unidos desarrolló sus industrias a un nivel que lo alejaba de cualquier competidor, de repente se cumplió la profecía: promovió el libre mercado, por las buenas y por las malas. Práctica, por supuesto, que nunca tuvo mucho de libertad debido a recurrencias como el dumping (aniquilación de la competencia por venta a precios debajo del coste) y las frecuentes intervenciones del ejército y los diplomáticos estadounidenses (algo así como los ad hocs del capitalismo para convertirlo en lo que realmente era: imperialismo revestido de nombres como libertad, justicia y democracia). Por no hablar de la inundación de dólares sobre las dictaduras amigas y luego la manipulación de las tasas de interés por parte de la FED que creó astronómicas deudas externas en el tercer mundo.

Por supuesto que, durante todo ese período, el nacionalismo sólo era un cuento para alentar a los soldados, pero no a los capitalistas, que de nacionalistas no tenían un pelo. El nacionalismo ajeno era tan malo que casi no se promovía el propio para no dar el mal ejemplo.

Ahora que Europa y Estados Unidos han perdido la abrumadora hegemonía (económica) de décadas atrás, surgen las rabietas nacionalistas entre sus habitantes. Estados Unidos reacciona con discursos proteccionistas y egocéntricos, añorando un pasado que fue varias veces más pobre y racista que el presente, pero por entonces dictaba como un dios brutal, bondadoso y temible. Inglaterra, todavía un centro importante de las finanzas, se sabe débil y decadente. Provincias como Cataluña reclaman su pasado y una riqueza que es relativamente mayor al resto de España, la que a su vez responde con su propio nacionalismo en nombre de la unidad, llegando, no en pocos casos, a un revival del falangismo y a una xenofobia que va desde el disimulo a la exaltación del racismo. Y así podíamos seguir con el resto del hasta hace poco eufórico mundo rico que quería disolver las fronteras y globalizar los Derechos Humanos.

Así vemos cómo el efecto de la percepción de ya no ser los referentes económicos y morales produce el renacimiento de sus propios monstruos y la pérdida de sus mejores logros, como los valores humanistas, de la ilustración y hasta de la confianza en las ciencias.

Claro que todo vuelve y todo termina. Lo importante es saber cuánto se destruirá hasta que el más arrogante y ciego nacionalismo vuelva al sótano donde se guardan las vergüenzas de la historia.

 

JM, enero 2018.

 

El lejano Oeste

de El mar estaba sereno (novela, 2018)

 

San Francisco, 24 de diciembre de 2010

Ernest Hatuey se mudó a California con su primo Eduardo en el otoño de 2009. Pero no duró mucho tiempo en la casa de la calle Embarcadero Road, en Palo Alto. Dos meses. Su primo Eduardo terminó desalojándolo como consecuencia de una discusión que terminó mal. Finalmente, Ernest Hatuey había perdido los límites luego de muchos meses de relativo autocontrol.

Todo había comenzado, aparentemente, con una broma. El 25 por la tarde habían estado tomando cerveza en el patio trasero con unos amigos de Eduardo y con Vladimir, un cubano que Ernest había conocido en un Chili’s de San Bruno. Ernest compartía con Vladimir el gusto por las motos de estilo, lo que en Vladimir se evidenciaba por un bordado brillante de las inconfundibles H-D sobre la espalda de su chaqueta negra. Los motoqueros que tanto alardeaban de la libertad y tanto odiaban al gobierno que los acosaba con impuestos y regulaciones, siempre usaban las autopistas y los caminos construidos por el maldito gobierno. Pero como es típico de esta cultura, pensaba Eduardo, sólo se puede ver el objeto, nunca el contexto. Por eso la autopista, el camino, las carreteras no contaban, eran invisibles. Sus héroes sólo podían ver las motos y esos tipos con bigotes largos desafiando al maldito gobierno que les impedía ejercer toda su libertad.

Pero al menos, pensó Eduardo, Hatuey había encontrado un cómplice. Aunque nunca había sido fácil para hacer amigos, esa era prácticamente la única habilidad social que le había quedado después de la guerra, o después del tour por Irak, como curiosamente le llamaban todos: hacer amigos, no conservarlos.

En la parrillada del 25 de diciembre por la tarde, Ernest bromeó sobre el insoportable liberalismo de los californianos, sobre todo de los hippies de San Francisco que todavía vivían en los sesentas, mientras en la televisión una de las hijas de Bush se despachaba con una respuesta irónica que arrancó los aplausos del público. Ernest Hatuey se detuvo un momento para mirar el curioso debate que debía estar teniendo lugar en Texas o en Arizona.

—Este debe ser Jenna —dijo John, tratando de reavivar el fuego—. Yo pensaba que nos estábamos liberados de los Bush. Pero se mira como que ni una barbecue puede uno hacer en paz…

—En algún lugar escuché que San Francisco es la ciudad más antimilitarista de país —dijo Hatuey—. ¿Eso es cierto? A ver, los genios de Stanford y de Berkeley, díganme si me equivoco… Deben haber muchos aquí, ¿cómo es que dicen ustedes? “Sí, hay… muchos estudios sobre el tema…”

En Texas o en Arizona la gente se levanta y sigue aplaudiendo. Desde el patio, se escuchan los aplausos y se ve la pantalla en una pared de la sala de estar, ocupada, por momentos casi completamente, con la cara de Jenna, quien no puede contener una sonrisa de satisfacción que a Eduardo le hace acordar al padre: la boca recortada como un tajo, los ojos pequeños, como los de Barney Rubble, pensó John.

—Puede ser —respondió alguien.

Puede ser —repitió Hatuey—. Puede ser. No hay evidencias… ¿Tú qué crees, Vladimir?

—¿Qué es el nombre en español de Barney Rubble? —preguntó John.

—¿Barney Rubble?—preguntó sorprendido Eduardo— ¿Quién es ese?

—Hombre, aquel carácter famoso de los cartoons de los The Flintstones… Las familias que dormían en camas separadas por no confundir a los niños. En los años sesenta los niños debían pensar que sus verdaderos padres eran pervertidos porque dormían en una misma cama…

—Perdón, ¿me estoy perdiendo de algo?

—El carácter que dice yabba-yabba-dooo

“Usted es más inteligente que su padre —se escuchó que dijo el adversario de la hija de Bush—. Sin embargo también está equivocada. Sus afirmaciones contradicen todos los documentos recientemente desclasificados por el mismo gobierno que usted…”

Los Picapiedras

—Yo no sé…

—Sí, Los Picapiedras. El patriarca era Pedro Picapiedra, casado con Wilma y…

—Fred. Ese debe ser Fred. ¿Y el otro?

—Pablo Mármol.

—Ese. Ese es Barney. Barney. Barney es George Bush.

—Tienes razón. ¡Bush es Pablo Mármol! Cómo no me di cuenta antes. Ya me resultaba familiar ese hombrecito de la Edad de Piedra.

“…Por favor, no pare de contar ahí. Aparte de los soldados muertos, hay muchos otros miles de discapacitados, muchos otros miles de suicidas. Por no contar los cientos de miles de iraquíes, que también son personas, aunque sean un dato irrelevante…”

—Yo digo que no sé porque no leo —dijo Vladimir—. No tengo tiempo para esas cosas. Trabajo ocho y nueve horas en el aeropuerto. No, no. No me pregunten, como todo el mundo, si soy piloto o guardia de seguridad. No. Aunque en Cuba era pediatra, aquí hago el precintado de maletas, es decir, las envuelvo con cintas de seguridad. Pero prefiero esto a aquello otro.

“Cierto, murieron cinco mil soldados. Yo no los critico ni los desprecio. Al fin y al cabo eran muchachos que ni siquiera tenían edad legal para consumir alcohol. ¿Qué podían saber esos niños con cuerpos de hombres? Mataron y volvieron hechos pedazos, reclamando su premio moral, exigiendo que todos les digan “gracias por luchar por nuestra libertad; porque la libertad no es gratis” y todo ese discurso que les repiten siempre para que vaya a arriesgar sus vidas, con fanático orgullo y sin pensarlo demasiado. No los culpo por esa necesidad. Si a uno le falta un apierna y medio rostro, al menos necesita pensar que todo ese sacrificio fue por algo y no por nada, por una mentira que no valía un centavo. Crítico y desprecio a todos aquellos que pasaban los fines de semana en sus mansiones y los mandaron a una guerra hecha en base a mentiras. Pero todos saben que la justicia humana nunca los alcanzará porque son los dueños de las armas y de la opinión pública…”

—Qué bien…

—No, qué bien. Después de tres horas de hacer esto, así, con la mano, ya no quieres más y lo único que reclamas es que se termine el día… Pero después viene el otro y el otro y siempre hay que resolver. Claro que no tuve la misma suerte de algunos otros que se escaparon del Régimen mucho antes. Ni la suerte de muchos que ni siquiera son ciudadanos y hasta son pilotos. ¿Se imaginan ustedes? Ni siquiera son ciudadanos americanos y ya son pilotos de un Boeing 777.

—¿Tú eres ciudadano?

—Sí. Llegué en el 2002 en una de esas balsitas que ustedes conocen, una balsita hecha de gomas y bancos de plaza, que me costó una fortuna, chico, para lo que son los salarios allá. Pero apenas me planté aquí me recibieron con los brazos abiertos. En el 2004 me dieron la residencia.

—Habla más abajo —decía John, que hacía un gran esfuerzo por seguir el debate desde la parrilla—. No necesita gritar.

—Bueno, sí que tuviste mucha suerte de nacer en Cuba —dijo alguien abriendo una lata de cerveza—. Yo llegué de Republica Dominicana con una beca para estudiar en Berkeley, hace diez años, y después de graduarme todavía estoy esperando que a alguien se le ocurra que puedo quedarme o rime al carajo.

El adversario de la hija de Bush había terminado su argumento. Los abucheos habían cesado pero no habían sido reemplazados por aplausos. Se hizo un silencio profundo, momento en que el señor de lentes se dirigió al público y dijo:

“Sure, silence. Sólo silencio, esa reacción tan normal, tan previsible, tan humana ante la verdad”.

—Por eso yo me aseguré —dijo Vladimir— y no esperé a que me coman los gusanos y después de la residencia me puse a estudiar para el examen y me hice ciudadano americano. Tuve suerte que me tomara el examen un cubano, porque el inglés y la historia no son lo mío. Por eso yo estoy muy agradecido a este país, que me sacó del hambre y de la persecución.

—¿Pero algo malo debe tener, no? —preguntó Eduardo, poniendo un CD de música, apenas dieron por finalizado el programa en Texas. John repitió: “No applause. Just silence, silence, that predictable reaction to the truth…”

—¿Este país? No algo. Muchas. Este país tiene muchas cosas malas. Como toda esa escoria que llega rompiendo la ley y luego se dedica a criticar al país que les mató el hambre.

Norberto, el mexicano que hasta entonces se había mantenido en silencio, concentrado en los tacos con aguacate, tosió, como única respuesta.

So… bye, bye Miss American Pie 

Drove my Chevy to the levee, but the levee was dry…

—A ver… — dijo Alejandro, con su acento malagueño. Eduardo iba a decir que no se metiera, pero Alejando igual no se contuvo:

—El país que les mató el hambre —dijo— también se aprovecha de todos esos millones de pobres que vienen a trabajar como bestias. Muchos tuvieron que abandonar países llenos de violencia, diezmados por golpes militares o por las guerras civiles que el país que les iba a matar el hambre apoyó con tanto cariño.

We were singing, bye, bye Miss American Pie 

Drove my Chevy to the levee, but the levee was dry 

Them good ol’ boys were drinking whiskey and rye, singing… 

—Si…, ya veo. Ahora me va a salir con todas esas teorías conspiratorias…

—Son teorías conspiratorias acerca de prácticas conspiratorias. Cuando tenga tiempo le muestro los documentos de la misma CIA, del señor Kissinger y de todos los demás conspiradores, honorables líderes de su séquito. Se lo menciono porque como sé que usted no va a creer en las víctimas, tal vez sí pueda creerle a gente seria y responsable.

This’ll be the day that I die 

This’ll be the day that I die 

—Bueno, bueno —dijo Ernest—, ya veo que seguiremos por lo del imperialismo y la criminal guerra en Iraq, a la cual fuimos algunos pocos para defender a unos cuantos que se quedaron aquí tomando cerveza.

On a dark desert highway, cool wind in my hair

Warm smell of colitas, rising up through the air

—Por lo pronto —dijo Alejandro—, todo lo que hicieron en Irak no lo hicieron en mi nombre ni por mi seguridad. Y no voy a discutir eso contigo porque bien sé que apenas fuiste una víctima de las mismas mentiras de siempre. Que primero había que invadir Irak porque Saddam Hussein tenía armas de destrucción masiva. Que luego porque no se encontró ni rastro de lo que el mismo gobierno de Ronald Reagan apoyó y promovió en los ochenta, entonces fue que estaban allí para promover la democracia y el amor fraterno… Pero en fin. Como te digo, no voy a entrar en eso, ya que conozco muchos soldados como tú que apenas fueron víctimas de toda esa locura, víctimas que lógicamente necesitan pensar que esa pierna y aquellos amigos que perdieron tenían algún sentido, que aquella medallita tenía algún valor y no era sólo plomo recubierto de plata, que todo aquello no fue un crimen sino un acto heroico… pero victimas al fin.

Welcome to the Hotel California

Such a lovely place (Such a lovely place)

—No me considero una víctima —dijo Ernest—. Eso me llevó años entender de mi terapeuta. Si me considero una víctima por mi post traumatic stress disorder nunca voy a liberarme de los demonios…

Such a lovely face

Plenty of room at the Hotel California

—Sí, ese otro ejército de psiquiatras que vienen a ser como una aspirina para calmar el dolor de una amputación. El día que las víctimas sean capaces de reconocer que fueron víctimas y dejen de consumir tanta propaganda pseudocientífica, no sólo tendrán una curación más duradera sino que el país se embarcará menos a menudo en crímenes masivos como los de Hiroshima o los de Viet Nam.

Any time of year (Any time of year)

You can find it here

—¿Alguno de ustedes me puede responder a una pregunta? —dijo Vladimir, con una sonrisa anticipada.

—Claro —contestó Alejandro.

—A ver… ¿qué tiene usted para aportarte a este gran país para que salga adelante?

—Crítica…

—Ahora sí, ¡bingo! —dijo Vladimir.

—No veo por qué la risa —continuó Alejandro—. Por lo menos un poco de crítica, señor, ya que de autocritica se ha quedado bastante corto y los recién llegados han confundido la lealtad a un país con la sumisión a un gobierno y a un ejército. Luego pretenden ser los campeones de la democracia. Claro, crítica. Nueva sangre sumisa, ya tiene. Viejos y nuevos fanáticos agitando la banderita mientras otros marchan a alguna guerra estúpida y criminal, hay de sobra y nunca falta. Así que si pudiese aportarle algo de la crítica que le falta a este país (que de alguna forma, seguramente de una forma diferente a la suya, aprendí a querer y a admirar), entonces creo que estaría aportándole algo. Por lo menos algo de verdad y no prefabricado. Por lo menos estaría respondiendo al llamado patriótico de sus padres fundadores. A propósito, soy un gran admirador de gente como Francklyn, Paine y Jefferson. ¿Conoce usted algo de esta gente?

—Lo dicho —dijo Vladimir, levantándose de su silla y dirigiéndose a Ernest, en un gesto de despedida—. Lo que yo no entiendo es por qué hay gente que critica tanto a este país y en lugar de armar sus maletas y tomarse el primer avión para el país de donde salieron insisten en fastidiar aquí adentro. Nunca he visto a nadie tan antiamericano como aquellos que critican y se quedan en sus grandes puestos donde ganan lo que ninguno de nosotros vamos a ganar en nuestras vidas.

—Amigo —continuó Alejandro—, me parece que hay cosas que todavía no ha entendido después que salió de la isla. Como, por ejemplo, que no hay nada más antiamericano, por lo menos en el sentido original de la palabra, que afirmar que para vivir en Estados Unidos o en cualquier otro país y ser un ciudadano honesto como condición hay que callarse la boca o dedicarse a la apología de una nación, que en el fondo no es más que la apología ciega a sus gobiernos. Como si una nación fuese una religión o un ejército. ¡Vaya absurdo tan popular! Vaya tantos pueblos embrutecidos que se dejan secuestrar de esta forma tan infantil. Es lo que pretenden siempre los que confunden a una nación con su iglesia o con su partido político. Nada más antiamericano, no para los macartistas pero al menos para aquellas primeras generaciones de ilustrados que fundaron un país, más bien rarísimo, por no decir utópico. De ser por aquel otro tipo de patriotismo infantil que los secuestradores fueron inventando con el tiempo, la Revolución americana hubiese sido apenas una revuelta. Igual que tantas. Pero créame, amigo, que no hay nada más antiamericano, en el sentido original de la palabra, pero sobre todo nada más antidemocrático, que pensar que una democracia se defiende con el servilismo de los esclavos que se callan o los adulones que viven cantando loas. Extraña forma de defender la democracia y la libertad. Permítame, que ya término. Si por algo ha avanzado la democracia en los últimos mil años, no le quepa duda, que ha sido gracias a los críticos, no a los apologistas del establishment de turno. Pero, claro, la historia no importa. Por eso luego, impunemente, vienen a darnos lecciones de lo que es ser americano y, peor, de qué significa la libertad y la democracia.

Strumming my pain with his fingers

Singing my life with his words

Killing me softly with his song

Vladimir le dio la mano a Ernest y, antes de irse, le dijo:

—Lo siento mucho por ti, hermano. Por estos traidores derramaste tu sangre en Irak. Un verdadero desperdicio, chico. Que te vaya bien. No me vuelvas a invitar a ninguna reunión de intelectuales porque te pego un tiro yo mismo. Por lo menos hubieras avisado.

Killing me softly with his song

Telling my whole life with his words

Killing me softly with his song…

 

Lucía Cordero de Caballero

de El mar estaba sereno (novela, 2018)

 

Montevideo, 24 de febrero de 1962

Una carta de su hermana Clarita, fechada en Madrid el 22 de enero de 1962, le informó que su madre había muerto el pasado 16 del corriente.

Clarita se había casado con un funcionario del régimen, de nombre Alberto y de apellido desconocido para Jordi, y desde entonces sus cartas se fueron espaciando hasta la última, que escribió más por obligación que por sentimiento y para evitar decirle a la mucama que no se encontraba en la casa cada vez que su hermano llamaba de América. Como es la regla, Clarita se había convertido a las convicciones de su esposo, es decir, en este caso, al franquismo, poco antes de su casamiento. Como en tiempos de sus abuelas, pensó Jordi, cuando las mujeres se convertían a la religión del esposo, en caso más bien raro de que por entonces hubiese todavía algún hereje que perteneciera a alguna religión diferente, o a ninguna.

Por ese tiempo y por mucho tiempo más, Jordi había fluctuado entre la sospecha de su padre republicano y la defensa del general Franco a cualquier precio, como si a la distancia un país fuese su gobierno. Con vehemencia había enfrentado las críticas de los seguidores de Emilio Frugoni y había concebido la idea de fundar un periódico leyendo las calumnias marxistas del semanario Marcha. El acento, el recuerdo borroso pero persistente de la patria, el sobrenombre de gallego, no le dejaban demasiado margen de maniobra.

Quizás Clarita hubiese tenido una mejor imagen de su hermano exiliado si hubiese sabido de alguna de estas discusiones que en América le costaron al joven Jordi el mote de facho o de falangista en las mesas del café Sorocabana, nido de poetas e intelectualoides afrancesados. Y tanto lo acusaron de falangista que por algún tiempo él mismo se lo creyó. Hasta que encontró una solución intermedia a sus conflictos ideológicos y personales declarando, y haciéndose creer él mismo, que no le importaba la política sino el dinero, que una eran palabras cuando no muerte y encarcelados, y la otra era sólo progreso o, por lo menos, bienestar.

Esta confusión había surgido mucho antes, con su madre Lucía, que desde la desaparición de su esposo se había dedicado a instruir a sus hijos, sobre todo al mayorcito, a repetir repudios contra los republicanos, los rojos, los salvajes ateos que habían querido destruir España. A Jordi le costó mucho tempo, de hecho le constó toda la vida, entender algo del dolor de aquella mujer que había tenido que maldecir todas sus creencias, sus supersticiones juveniles sobre el voto de las mujeres, sobre la educación de los críos de los campesinos, sobre la inexistencia del infierno o sobre un infierno hecho por los hombres aquí en la tierra, y había tenido que instruir ella misma a sus hijos sobre las virtudes de los asesinos de su padre, para evitar perderlos a ellos también, como una mora o una judía en tiempos de Fernando e Isabel. Como una bruja en cualquier tiempo de barbarie.

Al parecer, Lucía había muerto en circunstancias extrañas. No la había secuestrado el régimen, porque el régimen nunca haría eso. No había muerto de pena porque, al parecer, según Clarita, lo tenía todo. Aparentemente, había decidido recluirse en el apartamentito que el esposo de Clarita le había mandado construir al fondo de su propiedad, con el dinero de la casita de Bonavista. Había sido su decisión. En los últimos dos años se había recluido en su minúsculo apartamento y sólo salía viernes y sábados con destino desconocido.

Hasta que un día la encontraron sin respuestas, tendida en su cama y rodeada de revistas viejas, de anillos y de guantes que alguna vez fueron blancos y que si los hubiese arrojado a la basura a tiempo otra hubiese sido la historia, terminaba la carta de Clarita.

Jordi dobló la carta tres veces, como era la costumbre en esa época. Las palabras, entre tristes e indiferentes de su hermana, quedaron repartidas al azar en ocho rectángulos que sólo volvieron a ver la luz una vez más, una tarde calurosa y extremadamente desolada de enero de 2010.

Había visto a su madre por última vez la tarde del sábado 3 de octubre de 1959 en el puerto de Barcelona. “El verano que viene estoy aquí, vieja”, le dijo, pero ella apenas se sonrió. Jordi conocía ese gesto triste de los que no creen o han dejado de creer. Sus labios recordaron por siempre aquella mejilla suave de mujer mayor, el perfume de lavanda que nunca había abandonado y que tal vez era una especie de código secreto, de última complicidad con los años treinta, con su padre. La vio de lejos hasta que se convirtió en una llamita rosada con la luz del atardecer y luego en una sombrita inmóvil que se resistía a dejar la dársena o intentaba apropiarse hasta el último minuto de lo que la suerte le había dejado de su hijo.

Cada vez los separaban más cosas. Jordi se iba al verano y ella entraba en los días largos del invierno. Ella que no se cansaba de preguntarle por su vida en Uruguay y él que no se atrevía a preguntarle por su padre. El futuro era la gran distracción de los dos.

La llamaba por teléfono cada dos meses, luego dos veces por año. Cada vez, iba a preguntarle por su padre, pero el pacto de secreto que de alguna forma habían establecido los dos, quién sabe cuándo, aparecía siempre como un muro de hielo, transparente pero inquebrantable. Una vez, Lucía se adelantó a cualquier pregunta diciendo que bueno, que había muchas cosas que conversar un día con un tecito, cara a cara, no a tantos miles de quilómetros y por un tubo de plástico.

—Que sea un café, niña hermosa— quiso confirmar él, con esa necesidad que tiene la gente de trivializar algo de su vida cuando sospecha que es de gran importancia.

Lucía hizo una pausa. Jordi la imaginó apretando los labios con dos dedos, porque ese era uno de sus gestos más comunes cuando pensaba en algo y luego se callaba.

A pesar de esta promesa (o por esto mismo), Jordi fue postergando el próximo verano en España. Tal vez era cierto que los negocios se habían ido complicando en la medida en que iban creciendo. Por entonces se vendían más libros y más revistas que nunca en Montevideo y Buenos Aires, lo que lo había obligado a abrir su propia imprenta primero y la importación y distribución de impresoras offset después. Una distracción por aquella época hubiese sido fatídica, el fin de todos sus esfuerzos desde 1953.

La llamó por teléfono el 24 de diciembre de 1961. Ésa fue la última vez que había hablado con ella. No parecía triste. No parecía enferma. Pero todas aquellas dulces trivialidades de siempre en el fondo significaban la misma tragedia, como si cada acto humano llevase oculto el germen de la Gran Verdad: cada una de aquellas palabras, recordó Jordi, habían sido las últimas que escuchaba de la boca de su madre mientras él se reía y ella también.

El 31 de diciembre no pudo comunicarse. Las líneas estaban saturadas o él no andaba con suficiente ánimo como para insistir más de cuatro o cinco veces.

Uno de los domingos de enero estuvo a punto de llamarla. Levantó el tubo y, por alguna razón, se le escapó de las manos como si estuviese hecho de plomo.

A fines de febrero, comenzó a perseguirlo el número 54, la edad de Lucía, como lo había hecho el 39 por mucho tiempo. Los autos que se frenaban delante de él tenían alguna patente que terminaba en 54. Los números de lotería que compraba siempre terminaban en 54, pero la comunicación nunca se dio, excepto por una modestísima suma por una aproximación, casi una devolución. 254 era el número de la casa que alquilaba todos los veranos en Punta del Este, aunque él se juraba que había descubierto la numeración cuando puso la llave por primera vez en la puerta. Cuando cumplió 54, sus empleados de la joven Metasoft le hicieron, por primera y última vez, un recibimiento sorpresa en la empresa, con una torta roja y amarilla y el número expuesto como una lápida. Jordi se los agradeció y les ordenó que no volvieran a hacerlo. El 54 y el 39 siguieron repitiéndose en las circunstancias más inesperadas hasta principios del 2001.

En el invierno de 1988, mientras leía el diario, por casi dos segundos (probablemente no más que eso, como suele suceder con las cosas importantes), don Jordi tuvo la sospecha que había dedicado su juventud a que su madre lo quisiera y lo admirase como quizás había querido y admirado a su padre, el desaparecido. Como su padre, había seguido el camino más indirecto de la desaparición y, de igual forma que el destino quiso que ella tuviese que hablar mal de su esposo delante de sus propios hijos y contra sus propias convicciones, lo único que podían decir los diarios de Uruguay del exitoso empresario español era sobre su avaricia y sus simpatías por el deleznable régimen franquista.

Había demasiados españoles en Uruguay, se dijo.

La segunda muerte de Jordi Caballero

de El mar estaba sereno (novela, 2018)

Sí, quisiera volver a repetir lo de siempre, que lo que importa es el futuro, que todo se dirige hacia mañana. Pero la única verdad es que nuestro futuro último es el pasado. Hacia allá vamos, inexorablemente. Hasta que se apague la luz, esa misteriosa luz.

 

Punta del Este, febrero de 1968

Su padre volvió a morir cuando Jordi cumplió treinta y cinco años. Tenía esa edad cuando lo vio por última vez en Barcelona, aquel jueves 9 de febrero de 1939.

Hasta entonces podía mirarse en el espejo y ver el rostro de su padre, la mirada ansiosa por una esperanza repentina o cansada por un nuevo fracaso. Todas sus intimidades habían sido también las de su padre. Todas las veces que sus ojos se dirigían al trasero de una mujer que pasaba por la ventana de un bar donde leía el diario al lado de un café humeante, era el gesto de su padre en la Barcelona de los años treinta o en la Madrid de los veinte. Al menos eso era lo que él creía. Creía que uno repite más o menos los sueños y las frustraciones de sus antepasados en diferentes escenarios. Entonces, cerraba los ojos y veía al abuelo que nunca conoció, el abuelo Caballero (se llamaba Jordi, igual que él, igual que su padre, por esa manía que tenía la gente de antes que no se conformaba con pasar sólo el apellido a sus hijos, acomplejados o acosados por un ansia inútil de eternidad) subiendo un camino de piedra al lado de la montaña, protegiéndose de la nieve, arrastrando un carro con una mula flaca, tratando de hacer arrancar una vieja Ford en Oviedo con su hijo que miraba ansioso desde adentro del auto descompuesto. Y veía a su padre descubriendo el mundo en Madrid, en una mesita solitaria en un rincón de un bar de obreros, con una vieja pluma, y era él mismo en el bar de Canelones y Ciudadela con un teléfono celular en la mano.

No podría imaginar en sus detalles a ninguno de aquellas otras personas que antecedieron a su abuelo, que salvaron sus vidas de milagro para que sin querer él, Jordi (Jordi tercero, Jordi cuarto), estuviese allí mirando el cuadrito de Renoir. Pero en definitiva todos esos eran detalles que no cambian lo que realmente importa en la experiencia humana: el amor, los celos, el dolor de la injusticia y la violencia moral, el insulto, la amenaza de un desconocido o de un vecino desencajado, la muerte del abuelo, de un tío, la culpa por haber hecho lo correcto o por haberse equivocado sin remedio. Todo eso es la realidad. Mejor dicho, la realidad más profunda de la realidad. Lo demás son escenarios. Como si en cada época, en cada generación, en cada siglo se pusiera en escena la misma obra. Romeo y Julieta en Verona. Romeo y Julieta en la París de la Segunda Guerra. Romeo y Julieta en la Nueva York de John Lennon o en la Buenos Aires de Tinelli. Romeo y Julieta caminando por las calles polvorientas de un pueblo en China. Romeo y Julieta muriendo en la frontera de Gaza.

Hasta que don Jordi cumplió los treinta y cinco, todas aquellas imágenes de aquel lejano padre comprensivo y a veces ausente fueron adquiriendo cuerpo. El bigote de su padre disimulando una dentadura imperfecta. Sus palabras bondadosas que abrazaban a aquel niño que era don Jordi, como las suyas propias cuando trataba de consolar y, sobre todo, proteger con consejos a su pequeña niña de brazos delgadísimos, más que para aliviar sus miedos y frustraciones para evitar otros dolores en la mujer que él imaginaba iba a ser Lucía.

Le faltaba, sin embargo (se decía don Jordi, recurriendo a esas secretaras formas de autoflagelaciones que encuentra siempre una persona acosada por un oculto sentimiento de culpa), todo el idealismo de su padre. Aquel idealismo político, republicano por las circunstancias, que por mucho tiempo miró con displicencia y que sólo al aproximarse a los treinta y cinco años pudo sentir, al menos en parte, cuando en un arranque de locura romántica le regaló una pequeña chacrita en San José a la familia que había tomado para que cuidase los árboles frutales. Cada tanto se daba una vuelta por allí y los cinco hijos del casal lo salían a recibir como si fuese el padre fundador de una microrepública. El padre, al que los vecinos llamaban el Negro Silva, había colgado a la entrada un cartel que decía “Granja Caballero”.

Otra vez se metió en un fraude innecesario, allá por los setenta, en plena dictadura. Había logrado evadir el treinta por ciento de los impuestos de ese año. Una jugada que no era digna de don Jordi, se dijo a sí mismo, no por lo deshonesta, si realmente tiene algo de deshonesto no pagar impuestos, sino por lo rudimentario de la maniobra. Alguien lo advirtió y elevó la denuncia. Por unas semanas sintió ese vértigo de ser un perseguido. Podía haberse involucrado con alguno de los bandos, con algún grupo de disidentes en el exilio, con los artistas de la cárcel de Libertad que pintaban palomas abstractas y mariposas que lloraban, o con alguna de esas sectas o logias que cada tanto armaban los militares para sentirse importantes. Podía haber intentado algo más elegante que una burda evasión, pensó cuando pasó la tormenta que le costó un desembolso considerable para salvarse de la cárcel y mantener su nombre lejos de los diarios. Al menos hubiese sido más honroso.

Pero le faltaban algunos ingredientes que hicieron a su padre, pensaba. Le faltaba coraje. Le faltaba ese idealismo estúpido que hizo y deshizo a su padre y a su madre. Al menos eso quiso pensar, ya que la posibilidad de que su padre hubiese sido en realidad bastante más parecido a él de lo que podía pensar, lo aterrorizaba. No quería ensuciar algunos recuerdos. Hubiese sido como demoler los pilares centrales de su existencia. Tal vez prefirió no saber la verdad completamente. O tal vez no tuvo la suficiente sabiduría para entender que también los héroes defecan y participan con algunas acciones en el mercado de las miserias humanas.

Pero cuando cumplió treinta y cinco comprendió que ya no podía seguir descubriendo a su padre en sus propios miedos, en sus alegrías, en sus obsesiones, en sus tics, en sus tristezas injustificadas, en una copa de más. Desde entonces tuvo que seguir caminando solo. Cuando alcanzó la edad que tenía su padre cuando desapareció, cuando se murió o lo asesinaron, supo que todo lo nuevo que podía sentir y experimentar en esta vida le había sido ajeno a aquel otro Jordi Caballero: las depresiones de los cuarenta; las erecciones menos frecuentes; las preocupaciones de criar a un adolescente; el pragmatismo a veces arrogante; la ausencia absoluta de miedo al hablar en público; la incapacidad de emocionarse con el olor a lavanda o con la presencia del mar desnudo; las creciente escasez de mujeres hermosas que se dignaban a mirarlo a los ojos; el cada vez más frecuente odio de los más jóvenes que no encontraban caminos de llegar donde él estaba encumbrado, como un dictador usurpando un espacio público y privado por un tiempo excesivamente prolongado; la sospecha de que las personas comenzaban a ver su muerte con creciente indiferencia; la conciencia de estar en un barco que se aleja de la costa, que se aleja del mundo de los jóvenes que comienzan a ocupar las ciudades y a reescribir la historia de ellos y de sus viejos.

Sabía que nada de esos paisajes interiores había formado parte del mundo de su padre, muerto tan joven. Todo eso era ahora su mundo y él tenía que descubrirlo solo. A partir de aquellos treinta y cinco años tuvo que empezar a vivir solo. Su padre había muerto por segunda vez y, aún así, sabía que tampoco ésta era una muerte definitiva.

 

La paradoja de las clases sociales

Aunque las sociedades están compuestas de una gran diversidad de grupos y de intereses, todavía podemos abstraer su estructura en su clásica pirámide tripartita. De la historia observamos algunas persistencias críticas que podemos formular así para entender el presente y reflexionar sobre el futuro:

Postulado 1: Mientras las clases alta y baja tienden a ser conservadoras, la clase media es más liberal o progresista.

Postulado 2: La clase media le teme más a la clase baja que a la clase alta.

Corolario: La clase media es más propensa a renunciar en cuotas a sus derechos y beneficios durante un largo período que a arriesgar a perder sus privilegios remanentes en una revuelta abrupta.

Ad Hoc: La motivación de un hecho sociopolítico, intencional o no, debe ser atribuible al grupo que se beneficia de él.

 

Postulado 1.

Este principio ha sido aún más claro durante los últimos siglos de la Era Moderna. Con abrumadora frecuencia, los esclavos, los desposeídos de la tierra, los campesinos y obreros deshumanizados por su pobreza, por su etnia o por su lenguaje, tardaron décadas y generaciones (apenas interrumpidas por algunas revueltas) hasta que fueron mal o bien conducidos por individuos de la clase media, generalmente gente culta o educada (Gandhi, Guevara, Lumumba, Martin Luther King), a romper con un determinado orden. En la era contemporánea, en la Era de las Post revoluciones, sus votantes se inclinaron, con más frecuencia, por los políticos conservadores que por los progresistas o reformadores. Por otra parte, el recurrente “cambio” propuesto por la clase dominante siempre significó status quo o vuelta atrás.

Postulado 2.

Entre otros periodos y regiones, este fenómeno se observó durante las dictaduras latinoamericanas a lo largo de más de un siglo. Los pequeños comerciantes, empleados y burócratas toleraron y hasta apoyaron de forma activa o pasiva los regímenes militares hasta el extremo de justificar la violencia estatal como respuesta necesaria a la rebelión o subversión de grupos “radicales”. Quienes no lo hicieron de forma voluntaria fueron suprimidos por el aparato represor. En la Era contemporánea, este factor se expresa en la forma de votar a grupos políticos que le ofrecen a la clase media sacrificio a cambio de estabilidad, beneficios inmediatos para las clases altas a cambio de una promesa de prosperidad general a (muy) largo plazo, generalmente bautizada con los ideoléxicos “responsabilidad” y “seguridad”.

 

Corolario

La traducción política de esta dinámica es similar a la psicología de los seguros. Los conductores más responsables pagan por los menos responsables; los no fumadores por los costos médicos de los fumadores; los países austeros (pobres) pagan por los excesos del consumismo del primer mundo. Si no existieran los segundos, los primeros pagarían mucho menos en cada póliza, porque los costos de las aseguradoras serían menores.

Hay una diferencia. En el caso político, el miedo de quien compra un antivirus es el negocio de quien lo produce, por lo cual, aplicando el ad hoc mencionado arriba, podemos sospechar que policías y ladrones mantienen una relación simbiótica de “antagónico necesario”.

En otras palabras. La brecha económica y social que separa el uno por ciento del restante 99 por ciento siempre tiende a crecer. Un motivo es la dinámica política y económica: cuanto más capital un grupo tiene, más posibilidades tiene de dominar las narrativas sociales a través de los principales medios de prensa. Cuanto más dominio de la narrativa y poder de donación o financiación de campañas políticas, más acceso tiene al congreso, al gobierno y a otros poderes del Estado de su país. Cuanto más poder político en el congreso y en el gobierno, más leyes que protejan sus propios intereses pueden pasar. Hoy en día, el 66 por ciento de los representantes en el Congreso de Estados Unido son millonarios. Es decir, una minoría con dinero representa los intereses de una mayoría sin dinero. La excusa de que esa minoría debe gobernar porque es exitosa reduce no solo el concepto de éxito a la mera acumulación de dinero, sino que no deja posibilidades de igual poder político a aquellos otros que no están interesados en ser millonarios, pero tampoco en ceder derechos democráticos a una plutocracia.

 

Ad hoc analítico

En 2017 el gobierno de Estados Unidos acusó al gobierno cubano por un extraño ruido que estaba causando problemas de salud en los funcionarios de la embajada estadounidense en La Habana. Todavía no conocemos las razones del fenómeno, pero la primera pregunta de análisis debe ser: ¿a quién beneficia el incidente? Asumimos que el gobierno de Cuba está interesado en avanzar con los acuerdos realizados con el gobierno estadounidense anterior, para recuperar un poderoso mercado, bloqueado desde los años 60. El nuevo presidente de Estados Unidos, Donald Trump, ha insistido en su intención de revertir también este “logro” de su predecesor. La pregunta crítica nos deja mirando hacia un solo lado.

Lo mismo debe considerarse en cualquier acción de “bandera falsa” y con respecto a grandes procesos. Cuando cada vez menos familias (ahora son 60) poseen lo mismo que la mitad más pobre del mundo, cuando en las sociedades observamos que las diferencias económicas van aumentando desde hace décadas, debemos hacer la pregunta inicial: ¿a quién beneficia el sistema económico mundial? ¿A quién benefician las leyes? ¿A quién benefician las nuevas tecnologías? Una respuesta funcional (según la premisa del Postulado 2 y el Corolario) salta automáticamente: “si el mundo fuse de otra forma nos hundiríamos en la catástrofe”. “De otra forma, el 99 por ciento no disfrutaría de los beneficios del progreso que disfruta hoy”. Etc.

Pero veamos que el progreso no se debe al uno por ciento sino al 99 por ciento. En todo caso, “de otra forma” el uno por ciento no disfrutaría de ser los dueños del mundo.

Por otra parte, la aparente estabilidad (olvidémonos de quienes en este mundo feliz pasan hambre, de los que no tienen trabajo y de quienes sí lo tienen y trabajan como esclavos para sobrevivir) es una estabilidad inestable. Excepto las crisis económicas controlables (esas que sirven para que quienes tienen grandes capitales lo multiplican comprando por nada las propiedades y valores de quienes apenas trabajan para sobrevivir) la lógica que sostiene la Paradoja tarde o temprano se rompe en una crisis mayor que no beneficia ni al uno ni al restante 99 por ciento.

Si en ciencias esto se llama, como lo definió T.S. Kuhn, un “Cambio de paradigma”, en términos de sociedad y civilización se llama suicidio colectivo.

JM