Os Acordos de Paz do Viciado em Homem Branco

Em 29 de setembro de 2025, o New York Times noticiou a reunião na Casa Branca entre o presidente Trump e o primeiro-ministro israelense Netanyahu. A manchete de capa dizia: “Trump e Netanyahu dizem ao Hamas para aceitar seu plano de paz, ou então…”. O subtítulo esclarecia as reticências: “O presidente Trump afirmou que Israel teria sinal verde para ‘completar a missão’ se o Hamas se recusasse a aceitar o acordo de cessação das hostilidades”.

Cessação das hostilidades… Não é que a história rime — ela se repete. Desde o século XV, todos os acordos assinados pelos impérios europeus foram sistematicamente ignorados quando deixavam de lhes servir ou quando conseguiam avançar suas linhas de fogo. Destruição e pilhagem temperadas com alguma boa causa: civilização, liberdade, democracia e o direito do invasor de se defender. Durante séculos, essa foi a história recorrente da diplomacia entre povos indígenas e colonos brancos — não muito diferente do caso mais recente do “Acordo de Paz” proposto e imposto sob ameaça por Washington e Tel Aviv à Palestina. Foi a mesma história de violação de todos os tratados de paz com as nações nativas de ambos os lados dos Apalaches, antes e depois de 1776.

Naquela época, o que os historiadores chamam de “Compra da Louisiana” (1803) não foi uma compra, mas uma desapropriação brutal das nações indígenas, proprietárias ancestrais daquele território — tão vasto quanto toda a nascente nação anglo-americana. Nenhum povo indígena foi convidado à mesa de negociações em Paris, um lugar distante dos despossuídos. Quando algum desses acordos incluía um “representante” dos povos atacados, como no caso da desapropriação dos Cherokee em 1835, tratava-se de um falso representante — um Guaidó inventado pelos colonos brancos. O mesmo aconteceu com a transferência das últimas colônias espanholas (Cuba, Porto Rico, Filipinas, Guam) para os Estados Unidos. Enquanto centenas de Sioux tingiam a neve de Dakota de vermelho, exigindo o pagamento do tratado que os obrigava a vender suas terras, um novo acordo de paz para os povos tropicais era assinado em Paris. Nenhum representante dos despossuídos foi convidado a negociar o acordo que tornaria possível sua “libertação”.

Para Theodore Roosevelt, “a guerra mais justa de todas é a guerra contra os selvagens (…) os únicos índios bons são os índios mortos”. Mais ao sul, escreveu e publicou: “os negros são uma raça estúpida”. Segundo Roosevelt, a democracia havia sido inventada em benefício da raça branca, a única capaz de civilização e beleza.

Durante esses anos, o grupo étnico anglo-saxão precisava de uma justificativa para sua brutalidade e seu hábito de roubar, lavando seus crimes com acordos de paz impostos pela força. Como o paradigma epistemológico da ciência havia substituído a religião na segunda metade do século XIX, essa justificativa passou a ser a superioridade racial.

A Europa havia subjugado a maior parte do mundo por meio de seu fanatismo e vício em pólvora. As teorias sobre a superioridade do homem branco andavam de mãos dadas com sua vitimização: negros, pardos, vermelhos e amarelos se aproveitavam de sua generosidade enquanto ameaçavam a minoria da raça superior com a substituição pelas raças inferiores. Isso soa relevante hoje?

Como essas teorias biológicas não eram suficientemente fundamentadas, voltaram-se para a história. No final do século XIX, teorias linguísticas e, posteriormente, antropológicas sobre a origem pura da raça nobre (ariana, iraniana) — a raça branca —, originária dos Vedas hindus, proliferaram na Europa. Essas histórias rebuscadas, juntamente com símbolos hindus como a suástica nazista e o que hoje se conhece como Estrela de Davi (usada por diferentes culturas séculos antes, mas também originária da Índia), tornaram-se populares como símbolos raciais impressos.

Não por coincidência, foi nessa época que as teorias supremacistas e o sionismo foram fundados e articulados em seus conceitos históricos — no norte da Europa, branca, racista e imperialista. O próprio fundador do sionismo, Theodor Herzl, acreditava que os judeus pertenciam à “raça ariana” superior.

Até a Segunda Guerra Mundial, esses supremacistas coexistiram com certos atritos, mas não o suficiente para impedi-los de firmar acordos — como o Acordo de Haavara, entre nazistas e sionistas, que durante anos transferiu dezenas de milhares de judeus brancos (de “bom material genético”) para a Palestina. Os primeiros antissionistas não foram os palestinos que os acolheram, mas os judeus europeus que resistiram ao acordo de limpeza étnica. Ao mesmo tempo em que os palestinos eram colonizados e despojados de suas terras, o judaísmo era colonizado e despojado de suas tradições.

Quando os soviéticos exterminaram os nazistas de Hitler, ser supremacista tornou-se uma vergonha. De repente, Winston Churchill e os milionários americanos pararam de se gabar de serem nazistas. Antes disso, a Declaração Balfour-Rothschild de 1917 havia sido um acordo entre brancos para dividir e ocupar um território de “raças inferiores”. Como disse o racista e genocida Churchill, então ministro da Guerra: “Sou totalmente a favor do uso de gás venenoso contra tribos incivilizadas.”

Mas a irracionalidade brutal da Segunda Guerra Mundial também liquidou a Era Moderna, baseada nos paradigmas da razão e do progresso. A ciência e o pensamento crítico deram lugar à irracionalidade do consumismo e da religião.

É assim que os sionistas de hoje não insistem mais na ONU e na Casa Branca em sua superioridade racial como arianos, mas sim nos direitos especiais de serem os semitas escolhidos por Deus. Netanyahu e seus escudeiros evangélicos citam a sacralidade bíblica de Israel mil vezes, como se ele e o rei Davi fossem a mesma pessoa — e como se os semitas de pele escura de três mil anos atrás fossem os mesmos cazares do Cáucaso que adotaram o judaísmo na Europa medieval.

O acordo de Washington entre Trump e Netanyahu, para ser aceito pelos palestinos, é ilegítimo desde o início. Não importa quantas vezes a palavra “paz” seja repetida — assim como não importa quantas vezes se diga “amor” enquanto uma mulher é estuprada. Será para sempre um estupro, assim como a ocupação israelense e o apartheid da Palestina.

Na terça-feira, 30 de setembro, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, reuniu seus generais e citou George Washington: “Aquele que anseia pela paz deve se preparar para a guerra”, não porque Washington “quisesse a guerra, mas porque amava a paz”. O presidente Trump concluiu: seria um insulto aos Estados Unidos se ele não recebesse o Prêmio Nobel da Paz.

Em 1933, em seu discurso no Reichstag, o candidato ao Prêmio Nobel da Paz Adolf Hitler declarou que a Alemanha ansiava apenas pela paz. Três anos depois, após militarizar a Renânia, insistiu que a Alemanha era uma nação pacifista em busca de sua segurança.

Mesmo que o novo acordo entre Washington e Tel Aviv seja aceito pelo Hamas (uma das criaturas de Netanyahu), mais cedo ou mais tarde será violado por Tel Aviv. Porque, para a raça superior — para os povos eleitos —, não há acordos com seres inferiores, apenas estratégias de pilhagem e aniquilação. Estratégias de demonização do escravo, do colonizado e de vitimização do pobre homem branco — aquele viciado em pólvora, agora em pólvora branca.

Jorge majfud, setembro 2025

El silencio de los generales

Dicen que Tucker Carlson (veterano periodista de derecha de Fox News) habla sin saber sobre lo que pasó en el Pentágono. Quienes hablan sin saber creen que Carson no sabe de lo que habla.

Obviando las distancias, puedo dar testimonio de que este conocimiento es posible y frecuente. Yo mismo, como profesor he sido consejero académico de muchos soldados que estuvieron en guerras como la de Irak, Afganistán, etc. También he compartido panel y discusiones con generales de esas guerras. Nunca oculté mi antiimperialismop por considerar el imperialismo la raíz de todo mal político y geopolítico. Continúo sin ocultarlo ahora que el fascismo ha avanzado como una marea.

Aun cuando desde niño he tenido una muy mala experiencia con los militares de la dictadura de Uruguay y estoy totalmente en contra de la militarización del mundo en general y de Estados Unidos en particular (tampoco es secreto; abundo sobre esto en ensayos y novelas), por otro lado he conocido soldados y oficiales estadounidenses mucho más antiguerras y contra el intervencionismo de su propio país en guerras de agresión y acoso que cualquiera de los millones de cobardes cipayos que pululan por las colonias buscando una bota o una billetera yanqui a la que lamer.

Por esta razón, por conocer a más de uno, sé que ese ahora famoso silencio del generalato estadounidense que recibió a Trump y que lo puso tan controladamente furioso y amenazante, no es ni casualidad ni se debe a que “los generales no aplauden” –argumentación pobre y llena de desconocimiento, si las hay.

Jorge Majfud, 4 de octubre de 2025

1976: Rebeldes conservadores

El 6 de julio a las 10:00 AM, un día después de que una bomba explotase en la embajada de Cuba ante las Naciones Unidas en Nueva York, la reina de Inglaterra y su esposo, el príncipe Felipe, descendieron sobre Filadelfia. Al día siguiente, la reina inauguró las obras del Edificio del Bicentenario con el lema grabado en una enorme campana: Que la libertad suene fuerte.

―Fue increíble haber podido ver a la reina… ―confesó un hombre ante las cámaras de televisión.

Luego, visitó Washington, donde dio discursos como parte del programa de celebración de los 200 años de independencia de las Trece Colonias, titulado El camino de la libertad.

El 8 de julio, los luchadores por la libertad de Orlando Bosh detonan una bomba en la embajada de Cuba de España. En la noche del 9 de julio, mientras la reina disfrutaba de un banquete a bordo del Royal Yacht frente a Manhattan, otra bomba explotó en el aeropuerto de Jamaica. El explosivo, destinado a derribar un vuelo comercial de Cubana, explotó en una maleta poco antes de ser depositado en el avión. Los autores, miembros de la Coordinación de Organizaciones Revolucionarias Unidas del exilio cubano, sumaron un nuevo fracaso, pero también la experiencia necesaria para alcanzar el éxito tres meses después, contra la misma aerolínea, logrando arrojar decenas de cuerpos a la bahía de Bridgetown.

El incidente ocupó cinco centímetros de las páginas interiores de los diarios del domingo. La reina y el príncipe no se enteraron y esa misma noche, a las 11:30 del viernes, volaron a Nueva Inglaterra. Al día siguiente, en Boston, Elizabeth II dio otro discurso, esta vez en la calle. La experiencia fue casi tan exótica como cuando fue recibida por un embajador africano con apariencia de gorila.

―No somos dos naciones divididas por una lengua en común ―dijo la reina, con ese gusto anglosajón por el sofisma y la paradoja.

Todo bajo control. La comisión de festejos del Bicentenario probó que había aprendido de la experiencia. Más de dos años atrás, el 16 de diciembre de 1973, se habían celebrado los doscientos años del Tea Pary con actores disfrazados de indios y lanzando sacos de té a la bahía de Boston para reconstruir el coraje y la rebeldía de los colonos patriotas contra el Imperio británico. La celebración se salió de protocolo cuando un grupo de inadaptados arrojaron a la misma bahía galones marcados con los logos de Exxon y Gulf Oil para protestar por las ganancias abusivas y el impacto ambiental de las corporaciones petroleras. La prensa y la gente decente se indignó por estos actos fuera de la agenda y el orden protocolar volvió a imponerse en el resto de las celebraciones de la Revolución.

El Boston Globe del 11 de marzo de 1975, en su página 18, recordó este desagradable incidente provocado por los seguidores del nuevo Tea Party, quienes afirmaban que las corporaciones eran los nuevos tories, es decir, los abusivos conservadores británicos de dos siglos atrás. [i] En diciembre de 1975, el Washington Post publicó una encuesta con los visitantes a la exposición en el histórico Faneuil Hall Market, donde los revolucionarios más famosos dieron discursos contra los abusos de Inglaterra. La exposición fue financiada con 1,3 millones de dólares por la Sun Oil Company, la Rouse Company y la Honywell Information system. En total, setenta mil personas respondieron preguntas sobre los temas más importantes de la década que precedió a la Revolución Americana.

―¿Usted habría pagado los impuestos o habría boicoteado a los británicos?

―¿Se habría sumado a un grupo guerrillero contra el imperio?

El 17 por ciento respondió como los patriotas revolucionarios habían respondido dos siglos atrás. [ii]

Pero volvamos al 7 de julio de 1976. Mientras la reina terminaba su ginebra, es decir, la segunda de las cuatro dosis diarias de licor, una mujer, emocionada, respondía frente a las cámaras de televisión:

―La reina representa la libertad y la dignidad de un verdadero líder.

Ese mismo día, mientras en Irlanda el grupo paramilitar leal a la reina Luchadores por la Libertad del Ulster asesinaba a una pareja católica en su casa, el CORU logró explotar otra bomba en las oficinas de Cubana de Aviación en Barbados. El 11 de julio, el mismo grupo de exiliados cubanos detonó otra bomba en las oficinas de Air Panama en Colombia. Para indignación de sus organizadores, estas noticias pasaron desapercibidas debido a la matanza de siete personas en la librería de California State University (atribuida, como lo indica el protocolo para esos casos, a un individuo con problemas mentales) y por la gran Convención Demócrata que un día después confirmaría a Jimmy Carter como su candidato para las elecciones de noviembre.

Del país de la libertad celebrando su bicentenario, la reina viajó a Canadá para inaugurar los juegos olímpicos de Montreal. La comisión organizadora estaba decidida a expurgar cualquier lectura política, luego de los trágicos eventos de México en 1968 y de Munich en 1972. Varios países de África se retiraron en protesta por la presencia de la delegación de Nueva Zelanda, cuyo gobierno era cómplice del régimen del apartheid en Sud África.

Mientras en Irlanda las bombas y los muertos se repartían de un lado y el otro, las bombas de Bosh y Posada Carriles, sin competencia, se multiplicaban a lo largo y ancho del Caribe. Los asesinatos y ajustes de cuentas de amigos y enemigos en Florida, Nueva Jersey y Nueva York, también.

Anne, la hija de la reina competía en categoría ecuestre. Fue exonerada del humillante examen de género al que debieron someterse otras participantes. No pudo ganar porque su caballo tropezó con un obstáculo y el equipo británico debió retirarse de la competición. En 1987, la princesa será nombrada Princesa Real de por vida y, un año después, miembro del Comité Olímpico Internacional. [iii] [iv]


[i] The Boston Globe 11 Mar 1975, page 18 – Newspapers.com. (2023). Newspapers.com. https://www.newspapers.com/image/435990640/?terms=protests%20%20%20%22Boston%22%20Harbor%20oil&match=1

[ii] Anderson Independent-Mail 18 Dec 1975, page 27 – Newspapers.com. (2023). Newspapers.com. https://www.newspapers.com/image/809843013/?terms=protests%20%20%20%22Boston%22%20Harbor%20oil%201975%20tories&match=1

[iii] https://www.cbc.ca/archives/royal-visit-1976-queen-princess-anne-olympics-1.5204216

[iv] https://people.com/royals/princess-anne-excused-from-olympics-gender-testing/

Del libro 1976.

Polvo negro. Adicción blanca

Los Acuerdos de Paz del adicto hombre blanco

El 29 de setiembre de 2025, el New York Times informó sobre la reunión en la Casa Blanca entre el presidente Trump y el primer ministro de Israel Netanyahu. Su titular de portada fue: “Trump y Netanyahu le dicen a Hamas que acepte su plan de paz, o de lo contrario…” El subtítulo aclaró esos puntos suspensivos: “El presidente Trump afirmó que Israel tendría luz verde para ‘completar la misión’ si Hamas se negaba a aceptar el acuerdo de cese de hostilidades”.

Cese de hostilidades…No es que la historia rime. Se repite. Desde el siglo XV, todos los acuerdos firmados por los imperios europeos fueron a punta de cañón y sistemáticamente ignorados cuando dejaron de servirles o cuando lograron avanzar sus líneas de fuego. Destrucción y despojo sazonado con alguna buena causa: la civilización, la libertad, la democracia y el derecho del invasor a defenderse.

Fue, por siglos, la repetida historia de la diplomacia entre los pueblos indígenas y los colonos blancos, para nada diferente al más reciente caso del “Acuerdo de paz”, propuesto e impuesto bajo amenaza por Washington y Tel Aviv sobre Palestina. La misma historia de la violación de todos los tratados de paz con las naciones nativas de este y del otro lado de los Apalaches, antes y después de 1776. Luego, lo que los historiadores llaman “Compra de Luisiana” (1803), no fue una compra sino un brutal despojo de las naciones indígenas que eran los dueños ancestrales de ese territorio, tan grande como todo el naciente país anglo en América. Ningún indígena fue invitado a la mesa de negociaciones en París, un lugar alejado de los despojados. Cuando alguno de estos acuerdos incluyó a algún “representante” de los pueblos agredidos, como fue el caso del despojo cheroqui de 1835, fue un representante falso, un Guaidó inventado por los colonos blancos.

Lo mismo ocurrió con el traspaso de las últimas colonias españolas (Cuba, Puerto Rico, Filipinas, Guam) a Estados Unidos. Mientras cientos de siouxs teñían de rojo las nieves de Dakota por reclamar el pago según el tratado que los obligó a vender sus tierras, en París se firmaba un nuevo acuerdo de paz sobre los pueblos tropicales. Ningún representante de los despojados fue invitado a negociar el acuerdo que hizo posible su liberación.

Para Teo Roosevelt, “la guerra más justa de todas es la guerra contra los salvajes (…) los únicos indios buenos son los indios muertos”.  Más al sur: “los negros son una raza estúpida”, escribió y publicó. Según Roosevelt, la democracia había sido inventada para beneficio de la raza blanca, única capaz de civilización y belleza.

Durante estos años, la etnia anglosajona necesitaba una justificación a su brutalidad y a su costumbre de robar y lavar sus crímenes con acuerdos de paz impuestos por la fuerza. Como en la segunda mitad del siglo XIX el paradigma epistemológico de las ciencias había reemplazado a la religión, esa justificación fue la superioridad racial.

Europa tenía subyugada a la mayoría del mundo por su fanatismo y por su adicción a la pólvora. Las teorías sobre la superioridad del hombre blanco iban de la mano de su victimización: los negros, marrones, rojos y amarillos se aprovechaban de su generosidad, mientras amenazaban a la minoría de la raza superior con un reemplazo de la mayoría de las razas inferiores. ¿Suena actual?

Como esas teorías biologicistas no estaban suficientemente fundadas, se recurrió a la historia. A finales del siglo XIX pulularon en Europa teorías lingüísticas y luego antropológicas sobre el origen puro de la raza noble (aria, Irán), la raza blanca, proveniente de los vedas hindúes. Estas historias, arrastradas de los pelos, y los símbolos hindúes como la esvástica nazi y lo que hoy se conoce como la estrella de David (usada por diferentes culturas siglos antes, pero originarios de India) se popularizaron como símbolos raciales en la letra impresa.

No por casualidad, es en este momento en que las teorías supremacistas y el sionismo se fundan y se articulan en sus conceptos históricos, en la Europa blanca, racista e imperialista del norte. El mismo fundador del sionismo, Theodor Herzl, entendía que los judíos pertenecían a la superior “raza aria”.

Hasta la Segunda Guerra Mundial, estos supremacismos convivieron con ciertas fricciones, pero no las suficientes como para que les impida formar acuerdos, como el Acuerdo Haavara entre nazis y sionistas que, por años, trasladó decenas de miles de judíos blancos (de “buen material genético”) a Palestina. Los primeros anti sionistas no fueron los palestinos que los recibieron, sino los judíos europeos que resistieron el Acuerdo de limpieza étnica. Al mismo tiempo que se colonizó y despojó a los palestinos de sus tierras, se colonizó y despojó al judaísmo de su tradición.

Cuando los soviéticos arrasaron con los nazis de Hitler, ser supremacista pasó a ser una vergüenza. De repente, Winston Churchill y los millonarios estadounidenses dejaron de presumir de ser nazis. Antes, la declaración Balfour-Rothschild de 1917 fue un acuerdo entre blancos para dividir y ocupar un territorio de “razas inferiores”. Como dijo el racista y genocida Churchill, por entonces ministro de Guerra: “Estoy totalmente a favor de utilizar gases venenosos contra las tribus no civilizadas”.

Pero la brutal irracionalidad de la Segunda Guerra también liquidó la Era Moderna, basada en los paradigmas de la razón y el progreso. Las ciencias y el pensamiento crítico dejaron paso a la irracionalidad del consumismo y de las religiones.

Es así como los sionistas de hoy ya no insisten en la ONU y en la casa Blanca sobre su superioridad racial de arios sino en los derechos especiales de ser los semitas elegidos de Dios. Netanyahu y sus escuderos evangélicos citan mil veces la sacralidad bíblica de Israel, como si él y el rey David fuesen la misma persona y aquel pueblo semita de piel oscura de hace tres mil años fuesen los mismos jázaros del Cáucaso que en la Europa de la Edad Media adoptaron el judaísmo.

El acuerdo de Washington entre Trump y Netanyahu para que sea aceptado por los palestinos es ilegítimo desde el comienzo. No importa cuántas veces se repita la palabra paz, como no importa cuántas veces se repite la palabra amor mientras se viola a una mujer. Será por siemrpe una violación, como lo es la ocupación y el apartheid de Israel sobre Palestina.

El martes 30 de setiembre, el Ministro de Guerra de Estados Unidos, Pete Hegseth, reunió a sus generales y citó a George Washington: “Quien anhela la paz debe prepararse para la guerra”, no porque Washington “quiera la guerra, sino porque ama la paz”. El presidente Trump remató: sería un insulto para Estados Unidos que no le otorgasen el Premio Nobel de la Paz.

En 1933, en su Discurso en el Reichstag, el candidato al Nobel de la Paz, Adolf Hitler, declaró que Alemania solo anhelaba la paz. Tres años después, luego de militarizar Renania, insistió que Alemania era una nación pacifista que buscaba su seguridad.

Aunque el nuevo acuerdo entre Washington y Tel Aviv sea aceptado por Hamas (una de las creaturas de Netanyahu), tarde o temprano será violado por Tel Aviv. Porque para la raza superior, para los pueblos elegidos, no existen acuerdos con seres inferiores sino estrategias de saqueo y aniquilación. Estrategias de demonización del esclavo, del colonizado, y de victimización del pobre hombre blanco, ese adicto a la pólvora―ahora polvo blanco.

Jorge Majfud, setiembre 2025.

Os Acordos de Paz do Viciado em Homem Branco 5 octubre, 2025

Los estudiantes estaban del lado correcto de la historia una vez más

Las primeras manifestaciones masivas de estudiantes contra el genocidio en Gaza fueron en Columbia y luego en California University y otros campuses de noviembre de 2023 a julio de 2024.

Para mayo 2024 ya se había desatado una oleada de violencia policial y de leyes represivas contra la libertad de expresión.

Como ayer en la ONU, los perpetuadores del genocidio, sus escuderos y bufones acusaron a los estudiantes múltiples veces de estar dirigidos por “grupos de afuera de las universidades”. Cuando se descubrió que los provocadores que fueron a dar palo eran los únicos de afuera se dejó de hablar, pero cientos de estudiantes fueron detenidos y golpeados por la misma policía.

En algunas universidades estas protestas lograron, como en los 80s contra el Apartheid de Sud África, que se desinvirtiera en las industrias de la guerra.
Hoy, el fascismo y la represión interna en EEUU ha avanzado a gran velocidad.

Pero todo acaba un día.

Jorge Majfud

Cualqueir cosa menos algo bueno

Periodistas amigos me han estado inisitendo por privado y voy a mencionar aquí una parte de la ecuación.

Existen varios indicios preocupantes. El que más es tomado como broma por el Pentágono es el «Pizza Index» (un aumento de las órdenes en las pizzerías cercanas al Pentágono predice un conflicto bélico). Por ejemplo, estas ventas se dispararon antes de los dos conflictos con Irán (2004 y 2025).

A principios de este mes se ha vuelto a disparar. Personalmente lo considero un indicador más, no el más fuerte, pero para nada despreciable, dado su récord histórico. El Pentágono sabe de este Índice y muy probablemente juegue a la distracción o, incluso, a crear tensión pro alguna razón geopolítica.

Sin embargo, a lo largo de la semana pasada tuvimos claras señales de alerta referidas a viajes de generales. La semana próxima se producirá una importante reunión en el Pentágono que el gobierno no ha querido explicar.

Quienes me han preguntado si se trata de Venezuela, bueno, esa es una posibilidad. Sin embargo, no tiene mucho sentido llamar a generales de otros continentes para eso. Claro que eso de «tener sentido» está dicho por alguien que no tiene todos los datos que, obviamente, son ultrasecretos.

También ese mega plan podría cancelarse por alguna razón (ha pasado antes debido a disidencia tácticas internas) y luego se dirá que algunos sufrimos de paranoia.

Recordemos que la Tercera Guerra Mundial no se produjo por el voto negativo de uno de los tres comandantes de un submarino atómico soviético en el Atlántico Norte.

jorge majfud, set 2025

¿Para quién escribimos?

Muchas veces, desde hace un par de años ya, tengo la fuerte impresión de que hemos dejado de escribir para lectores humanos que son una especie casi en extinción y escribimos para las Inteligencias Artificiales, las cuales le resumirán nuestros libros e investigaciones a nuestros estudiantes, demasiado perezosos e incapaces de leer un libro de unas cuatrocientas páginas y, mucho menos, entender un carajo de qué va cosa.

De hecho, ni siquiera es una impresión. La primera semana de este semestre de otoño, un estudiante me quiso rebatir una idea usando el resumen de un libro titulado “Flies in the Spiderweb: History of the Commercialization of Existence—and Its Means”.

Me caigo y no me levanto.

Jorge Majfud, set 2025

Tambores de guerra

Algo muy grande a nivel militar va a ocurrir en cuestión de meses o semanas y me temo que el mundo no se dará cuenta hasta que sea irreversible.

jorge majfud, set 26, 2025

Ese amor está lleno de odio

Lo primero que hizo Hitler para seducir a las hordas de la superpotencia arrodillada fue prometer hacer Alemania fuerte de nuevo, “Alemania sobre todo(s)”. Para eso, persiguió y demonizó a intelectuales y periodistas, hasta cerrar escuelas como la célebre Bauhaus, la que él definía como nido de degenerados antipatriotas y comunistas anti alemanes.

En 2020, Donald Trump ya había llamado a imponer una “educación patriótica”, lo que respondimos con “¿Es la verdad antipatriota?” En su segunda presidencia, todo lo que había preparado en la primera se está poniendo en marcha; un Reich Americano, sin disimulos, donde la libertad de expresión y la libertad académica son decoraciones legales; donde la censura y autocensura de profesores y periodistas ha alcanzado niveles que supuestamente solo pertenece a esos países que el discurso popular identifica con dictaduras, para invadirlas o bloquearlas; donde no sólo se cancelan cursos, se echan a comediantes y a profesores, sino también se secuestra en las calles a alguien por escribir un artículo crítico y se la recluye en una prisión militar. Como en la Inquisición, cada tanto queman a uno (por no amar a Dios y a la Iglesia) para que el resto cierre la boca y se ponga a rezar.

En mayo de 2025, el asesor principal del gobierno de Estados Unidos, Stephen Miller, informó, desde el podio de la Casa Blanca, sobre la nueva doctrina del país: “A los jóvenes se les enseñará a amar a su país” (en inglés “children/kids” significa “menores de 18 años” y, con frecuencia, “hijos”, aunque tengan 25 años). ¿Cómo? enseñándoles historia patriótica. Lo dijo el vicepresidente JD Vance: “los profesores son los enemigos” en un evento patriótico titulado “Las universidades son el enemigo”.

Este odio radical, vestido de amor, se confesó en el mismo discurso de Miller, cuando anunció la persecución a todos “aquellos que promueven ideologías comunistas”. Le faltó el acento germánico. Como nadie puede seducir a las masas diciendo que van a promover el odio contra aquellos que piensen diferente y se atrevan a cumplir con su trabajo académico, y como el fascismo pierde siempre en las universidades del mundo y en la cultura no comercial, entonces hay que “luchar por la libertad” imponiendo a la fuerza lo que no se puede ganar por la libre competencia académica.

¿Por qué la búsqueda de la verdad es antipatriótica y atenta contra la libertad? Cuándo uno ama a alguien, ¿lo elogia cada vez que va a envenenarse o a cometer un crimen? ¿Es la mentira una obligación del amor? Si la búsqueda de la verdad y la justicia fuesen antipatrióticas, ¿de qué lado estarías? ¿O estamos ante “El falso dilema del patriotismo” ?

Como decía la “Canción de una madre patriótica a su hijo” (1849), instando a miles a ir a morir en la guerra de despojo contra México: “ve a la guerra, hijo, que nuestro país siempre tiene razón”. Esta doctrina del fascismo parasita, de a poco, sus cambios de control total de cuerpos y mentes, hasta que los esclavos terminan siendo los más fanáticos defensores de su propia esclavitud.

Es posible analizar la historia desde múltiples puntos de vista, pero, en cualquier caso, si se la practica de forma crítica y honesta, ésta debe tener siempre por objetivo la búsqueda de la verdad de los hechos olvidados. En mi recurrente revisionismo de la historia, nunca pretendo que mi interpretación de los hechos sea la única posible y, mucho menos, la verdad revelada. La verdad es demasiado grande como para tener dueños humanos. El objetivo de una historia revisionista (¿existe una investigación histórica que no sea revisionista?) es revelar hechos, ideas y crímenes silenciados por la historia oficial. La historia oficial es un ejercicio de narcisismo colectivo que se fosiliza a lo largo de las generaciones hasta que el fósil no tiene de la realidad fosilizada nada más que una vaga sombra. Cualquier historia patriótica es burda propaganda.

Aparte, ¿se puede amar a un país? Responderé de una forma que no caerá bien entre amigos y adversarios: no, no es posible. Se trata de un hermoso sustituto del amor, un reflejo fetichista del amor propio.

Nadie puede imponer el amor a una persona y mucho menos el amor a una cosa, a una montaña, a una idea abstracta, a una ficción, por poderosa que sea―porque no existe ese amor. Nadie ama un automóvil, los Apalaches, Arkansas, los Andes o la Antártida. Ni existe un país hoy que sea el mismo que hace doscientos años. El pasado es un país extranjero. ¿Los estadounidenses deben amar los Estados Unidos esclavistas? ¿Los belgas deben amar la Bélgica de Leopoldo II y los franceses la Francia genocida en Argelia?

También los amos decían que amaban a sus esclavos, como un líder fascista puede decir que ama a su pueblo. El amo esclavista no ama ni siquiera a quienes lo adulan. Los odian, porque el amo odia a sus esclavos por lo que son, tanto como los esclavos rebeldes odian a sus amos por lo que hacen. Dos formas de odios radicalmente diferentes, aunque ninguno califica como sustituto del amor.

Claro, hay diferencias semánticas, políticas y hasta morales en este amor por una ficción. El amor patriótico tiene diferentes proyecciones contradictorias, como el deseo supremacista de esclavizar al colonizado, y el deseo del colonizado de liberarse de ese imperio, por los medios que sean. Otra vez: un ideoléxico, dos realidades opuestas.

Cierto, nadie puede decirnos lo que creemos sentir, pero eso no significa que siempre sabemos lo que sentimos. Los psicópatas suelen decir que aman y sienten compasión. Algunos aprenden a llorar y hasta se convencen a sí mismos de que es un llanto verdadero. Es como decir que una pata de conejo es la buena suerte y que por eso protege a quien la lleve. Es una proyección fetichista del sentimiento de (in)seguridad en algo al que se le atribuye poderes especiales. Estamos en nuestro derecho de negar totalmente estos poderes y, por lo tanto, que los sentimientos de seguridad proceden de la pata y no de del individuo que refleja en ese fetiche sus propias necesidades y fantasías.

El patriotismo es uno de los fetiches más fáciles de manipular. Es un sentimiento o una idea tribal, creada y promovida por distintas instituciones, desde el Estado, la educación, los medios y la cultura, por lo general mucho más fuerte que los principios de Verdad, Justicia y Libertad. Pero decir que uno ama un país porque se identifica con él, es decir que también ama a sus asesinos, a sus KKK, a sus Hitler, a sus Pinochet, a sus Epstein… También ellos eran patriotas―a su manera, como todos.

La obligación, la imposición de un grupo, de un Estado a que sus ciudadanos amen un país no es sólo la imposición de un fetiche masivo, sino el instrumento principal del fascismo. Este amor obligatorio, violento, ficticio es, en realidad, odio hacia algún otro grupo de ciudadanos que no comparten sus fetiches―o tienen intereses o una idea diferente de país.

Ese amor es odio a quienes creen en la igualdad de derechos a la vida de cada individuo, por el solo hecho de haber nacido.

Jorge Majfud, setiembre 2025.

Siempre en setiembre: atentado terrorista en Washington. Letelier 49 años después

Siempre en setiembre: atentado terrorista en Washington. Letelier 49 años después.

    Capítulos de https://www.amazon.com/1976-exilio-del-terror-Spanish/dp/1956760954/ref=

    Letelier. Primer intento

    El 20 de setiembre, el Chevrolet celeste de Letelier no voló por el aire como estaba previsto. Suárez, Novo y Paz no encontraron palabras para insultar al gringo Townley, para entonces en un vuelo de Iberia a España. El experto no había logrado detonar ni el C4 y ni el TNT. ¿Fue un error premeditado?

    ―Es un comemielda.

    Luego de una breve discusión, decidieron terminar el trabajo por su propia cuenta. Era mejor que perder toda la inversión por un detalle estúpido. Sólo debían asegurarse de que el bip médico estuviese funcionando, algo que Townley presumía haberles enseñado. Por la noche, volvieron a la casa de Bethesda.

    Ronni y Michael estaban cenando con Orlando e Isabel. El entusiasmo del joven matrimonio los había contagiado. Los sueños de la juventud son los verdaderos sueños. Todo lo demás son aprendizajes, despertares.

    Los niños buscaban algo para ver en los muchos canales a color que los tenían atrapados. Una voz anunció el primer capítulo de la nueva temporada de Rich Man, Poor Man. Luego del asesinato del hermano pobre, Tom Jordache, el hermano rico Peter Haskell, dueño de Tricorp, debe enfrentarse al asesino Falconetti, quien ha quedado en libertad. Italiano o hijo de italianos tenía que ser. “Mañana, 21 de setiembre a las 9:00, por ABC”.

    Ronni Karpen tenía 25 años y su breve biografía se resumía a sus años en la Universidad de Maryland y a su activismo contra la Guerra de Vietnam, como Mariana Callejas en Miami. Se había graduado en Educación y enseguida se había dedicado a la creación de Centros de Enseñanza para estudiantes necesitados. En el IPS conoció a Michael.

    Cuando los muchachos ya se habían ido a dormir, Orlando se quedó hablando con Michael sobre algo que comenzaba a preocuparle. Le recordó el asesinato del general Carlos Prats y su esposa Sofía, en Buenos Aires. En diez días se cumplirían dos años del atentado. Había otros casos, como el de Bernardo Leighton y su esposa en Roma… Todos los atentados se llevaban a las esposas de sus víctimas también, pero esto debía ser sólo una coincidencia de la crueldad indiferente de los freedom fighters.

    Aunque la idea de algún tipo de agresión del gobierno de un país latinoamericano en la capital estadounidense parecía improbable, estaba el caso del profesor de Columbia University, Jesús Galíndez, secuestrado por el régimen de Leónidas Trujillo veinte años atrás, luego torturado y asesinado en República Dominicana. Orlando había sido testigo de las ejecuciones en Chile y sabía que el régimen fascista era capaz de cualquier cosa. En los hechos, poco a poco Letelier se había convertido en el líder de la resistencia chilena al régimen de Pinochet. Sólo un tonto no se daría cuenta que él era el número uno en la lista negra de Pinochet.

    ―La Dina ya mató a otros exiliados ―dijo Orlando―. No sería raro que intentaran hacerlo de nuevo. Es muy probable que estén espiándome todo el tiempo.

    Letelier se puso de pie y se acercó a la ventana. Afuera estaba oscuro como la muerte, por lo cual solo pudo ver el reflejo de su rostro y, más allá, sus propios pensamientos. Luego volvió a donde estaba Michael Moffitt.

    Dos horas después, en el momento de regresar, Michael y Ronni se encontraron con que su auto estaba descompuesto. No hubo forma de hacerlo arrancar.

    ―Lévense el mío―dijo Orlando.

    ―Oh, no…

    ―Sin problema ―insistió Orlando―. Sólo que mañana temprano deben estar aquí de vuelta para ir a las oficinas.

    Sin alternativa, el joven matrimonio regresó a su casa con el TNT y el C4 amarrado al chasis del Chevrolet de Letelier.

    Shit! ―dijo Suárez.

    ―¡Mierda! ―confirmó Virgilio Paz.

    ―Tendremos que levantarnos temprano mañana.

    ―Qué pareja encantadora ―dijo Isabel, llevando dos copas a la cocina.

    Unas horas después, Townley volaba a Miami. Quería encontrarse lo más lejos posible en el momento de la explosión. Luego viajó a Madrid.

    Última entrevista

    La cena con sus asistentes y la conversación sobre seguridad personal le habían removido varios recuerdos. La revista Playboy le había hecho una entrevista que aún no había sido publicada sobre aquella mañana del 11 de setiembre, tres años atrás. Nunca sabrá por qué una revista erótica iba a publicar su tortura en la cárcel más fría del fascismo ni por qué podría interesarles a sus lectores, como si hubiese una relación tenebrosa entre miedo y deseo, entre el dolor ajeno y el placer propio.

    Los niños ya se habían ido a dormir. La televisión continuaba vendiendo promesas de felicidad, todas a un precio justo y al alcance del verdadero hombre y la verdadera mujer. Siempre más por menos.

    Volvió a recordar la mañana del golpe. Recordó que le había dicho al periodista que ese día temprano había corrido al Ministerio de Defensa.

    ―Enseguida sentí una pistola en mi espalda. Estaba rodeado de una docena de soldados.

    De ahí lo llevaron a una habitación desde donde debió presenciar toda la noche la ejecución de decenas de detenidos en el patio central. A las cinco de la mañana, escuchó que afuera los soldados decían:

    ―Es el turno del ministro.

    Mientras lo llevaban al patio para ser ejecutado, hubo una discusión entre los soldados. Alguien había recibido otra orden. Finalmente, quien lo sostenía, le dijo:

    ―Tienes suerte, conchatumadre.

    Lo transfirieron a una celda fría en la isla Dawson, cerca de la Antártida. El nuevo gobierno no sabía qué hacer con él. Ejecutarlo o dejarlo con vida eran dos opciones con múltiples beneficios y efectos colaterales imposible de calcular.

    Un año más tarde, como consecuencia de la presión internacional, lo enviaron a Venezuela. Allí, el Institute for Policy Studies le ofreció el trabajo de investigador. Estaba en la ciudad más segura del mundo, por lo menos políticamente hablando, pero el instituto tenía un claro historial de resistencia contra la Guerra de Vietnam y las políticas exteriores de Washington. La prensa y la televisión no descansaban en alertar a la población del peligro del IPS para la democracia y la libertad. Más cuando, desde el cielo de la Casa Blanca, llovían millones de dólares sobre los periodistas para revertir la creciente resistencia del pueblo contra la Guerra de Vietnam.

    ―El IPS es un nido de radicales ―había dicho un tal Harvey.

    ―Sí, muy radicales ―había respondido alguien desde otro escritorio―. Están contra la Guerra de Vietnam y contra las dictaduras que plantamos nosotros por todo el mundo.

    Orlando apagó el televisor y se fue a dormir. En realidad, desde hacía algún tiempo, sólo simulaba que dormía.

    Esta vez no puede fallar

    A la mañana siguiente, Michael y Ronni volvieron a la casa de Orlando para ir a las oficinas de IPS. A las ocho, Orlando, tarde y sin haber dormido bien, se vistió de prisa mientras le decía a Isabel que fuera a almorzar con ellos.

    ―No creo que pueda, tengo demasiado trabajo ―contestó Isabel.

    ―Te va a gustar la sorpresa―insistió él.

    Llamó por teléfono a su asistente Juan Gabriel Valdés para decirle que iba a pasar por él de camino a las oficinas. Juan Gabriel le dijo que no podía a esa hora, que su esposa iba a hacer unas compras y él se iba a quedar cuidando a los niños, que lo veía un poco más tarde.

    Salieron los tres de prisa de la casa. Orlando encendió un cigarrillo y se acomodó el cuello de la camisa.

    ―¿Quiere que maneje? ―dijo Michael.

    ―No hay problema ―murmuró Orlando, con el cigarro entre los labios.

    Michael se adelantó y le abrió la puerta del acompañante a Ronni y se sentó detrás.

    En quince minutos, el Chevrolet Chevelle Malibu celeste había dejado Bethesda y entró en la avenida Massachusetts.

    Detrás iba el Ford gris. José Suárez comentaba detalles de la bomba que el pasado jueves 16 había logrado detonar con Omega 7, en el barco soviético Ivan Shepetkov, en el puerto de Nueva Jersey.[i] Como Fidel, el maldito no se hundió. Quedó con un enorme agujero de un costado, pero no se hundió.

    ―Poco después del mediodía, llamamos para revindicar el atentado. No íbamos a hacer todo ese trabajo sin recibir los créditos. Qué coño importa si se hundió o no se hundió el muy maldito.

    ―No murió nadie esta vez.

    Por lo cual la noticia no le dio vuelta al mundo y las donaciones no se dispararon como otras veces.

    A las 9:30, el Malibu celeste pasó por la antigua residencia de Letelier. El embajador Manuel Trucco salía de su cama en ese momento.

    En medio del fuego estarás junto a mí

    Poco después de las nueve de la mañana, Jorge Luis Borges caminaba por la avenida Diego Portales de Santiago. En unas horas más, asistiría a una ceremonia en su honor, con la presencia del general Pinochet y la literata Mariana Callejas en tercera fila.

    ―Sí, Neruda era un mal poeta. No conocía el soneto ni los misterios de la métrica. Le sobraron sílabas, como a Cien años de soledad le sobraron por lo menos cincuenta años…

    Borges coincidía con la crítica literaria de la CIA, no con el criterio de la academia sueca. Mucho menos con la opinión de los obreros que compraban sus libros en los quioscos.

    ―Sus libros también se venden en los quioscos ―le informó Antonio Carrizo.

    ―¿En los quioscos? ―preguntó Borges, sorprendido―. ¿Mis libros en los quioscos?

    En Washington, el Chevy Chevalle tomó la avenida Massachusetts antes de entrar en el DC. A las 9:33 pasó frente a su antigua residencia, ahora ocupada por la familia del embajador de Pinochet y, segundos después, entró en la rotonda de Sheridan, a tres minutos de las oficinas del IPS, en la calle Q 1901.

    En ese momento, a pocas cuadras de allí, se realizaba una reunión de Lasa, la Asociación de Estudios Latinoamericanos, para preparar el congreso que ese año sería en Atlanta. Letelier había enviado Juan Raúl Ferreira para informar sobre la dictadura uruguaya.

    A las 9: 34, en el Ford que seguía al Chevy celeste, Virgilio Paz apretó los dos botoncitos del control remoto. Era uno de los dispositivos que Townley había adaptado y probado él mismo en el viaje a México, uno de esos que usan los médicos para llamados de emergencia. El bip activó el C4 colocado en el chasis del Chevy, justo debajo del asiento del conductor.

    Michael escuchó un sonido eléctrico y un flash detrás de la cabeza de Ronni. Luego de una fracción de segundo, el Chevy voló por el aire y sus pedazos se esparcieron hasta veinticinco metros. Al caer, se incrustó contra un Volkswagen naranja que estaba estacionado. Ronni salió despedida del auto y cayó sobre el césped. Descalzo y sentir las piernas, asfixiado por el humo, Michael logró salir por una ventana y vio a Ronni de pie, como si nada le hubiese pasado.

    El único gravemente herido parecía ser Orlando. Estaba recostado de espaldas sobre el volante del conductor. Michael le palmeó la cara:

    ―Orlando ―dijo―. ¿Me puede escuchar?

    Orlando no contestó. Intentó poner una mano sobre Michael, pero no pudo. Sus ojos se movían lentamente y las lágrimas le recorrían las mejillas. Estuvo a punto de decir algo, pero se apagó en segundos.

    ―¡Fue la Dina! ―gritó Michael―. Malditos fascistas.

    Letelier murió en minutos después.

    Ronni no estaba bien. La explosión le había cortado la garganta, pero Michael no lo había notado porque ella se alejaba caminando. Hasta que cayó en el piso.

    Dana Peterson, una médica que corrió a auxiliarla, no pudo evitar que Ronni se ahogara en su propia sangre mientras intentaba sacarse de encima a Michael. Minutos después, llegó la ambulancia. Luego de una breve discusión, Michael logró subirse para acompañarla al hospital.

    En la reunión de Lasa, Juan Raúl Ferreira todavía respondía preguntas sobre las dictaduras del Cono Sur. Cerca del mediodía, se interrumpió la reunión con una conmoción sorda. Juan Raúl no alcanzaba a entender la información fragmentada que corría en inglés de un lado para el otro. Tomó a una joven de un brazo y le preguntó qué estaba pasando.

    ―¡Mataron a Letelier! ―dijo.

    Juan Raúl corrió al IPS.

    ―También mataron a Ronni ―dijo alguien que acababa de entrar al antiguo edificio de la calle Q.

    Entonces, Juan Raúl miró al escritorio que estaba frente al suyo. Era el escritorio de Ronni.[ii]

    Había comenzado a lloviznar. En el hospital, Michael Moffitt luchaba por deshacerse del acoso de la policía. Recordó los versos de Pablo Neruda que le había leído el día de su boda. Ella, todavía de blanco, sonreía radiante y con una alegría que no cabía en su pequeño cuerpo:

    Levántate conmigo

    y salgamos reunidos

    a luchar cuerpo a cuerpo

    contra las telarañas del malvado…

    En medio del fuego estarás

    junto a mí…

    ―¿Por qué dice que Neruda no es un gran poeta? ―le preguntó el periodista.

    ―¿Usted recuerda algún verso de Neruda? ―repreguntó Borges, lapidario, sonriendo a una cámara de televisión que lo apuntaba desde la eternidad.

    ―Bueno ―titubeó Carrizo―, me parece que de Neruda se puede citar alguno…

    ―A ver, ¿cuál?

    ―No, no me tome examen…

    ―Yo no recuerdo ninguno memorable ―dijo Borges, muriéndose de a poco, con una vana sonrisa.

    ―Borges, ¿usted le tiene miedo a la muerte?

    ―No, para nada. Sólo quiero que me olviden.

    El misterioso laberinto de la infamia

    La bomba estaba programada para explotar el lunes. Townley compró los diarios, escuchó las radios y no encontró ninguna información que lo confirmara. Cuando finalmente detonó la mañana del martes 21, ya se encontraba en Miami. De ahí se fue a cenar con sus padres en Boca Ratón.

    En Union City dos hombres conversaban frente a dos vasos casi vacíos de ron y con dos espesos habanos entre los dedos.

    ―Oye chico. Todavía me sigue dando vueltas en la cabeza algo que…

    Por la Bergenline Avenue caminaban la ultimas minifaldas del año, mientras el cielo no se decidía a enviar lluvia, llovizna o la primera nevada del año.

    ―Pues dime.

    ―¿Y si el americano preparó el detonador para que fallase a propósito, sabiendo que nosotros lo íbamos a reparar?

    ―Eso nunca lo sabremos…

    ―Lo vi un poco reticente a participar en la operación. Ahora, después de todo, resulta que fuimos nosotros quienes pusimos el C4 y luego lo detonamos. ¿No era eso lo que los chilenos querían?

    ―Nosotros también queríamos los créditos, ¿o no?

    ―¡Claro, chico! Pero otra cosa es la traición. No soporto la sola idea de que nos pudieron haber usado.

    A esa misma hora, Jorge Luis Borges caminaba por segunda vez la avenida Diego Portales de Santiago. Iba a recibir un doctorado honoris causa de la facultad de Filosofía y Letras de la Universidad Católica, la misma que había dado a Chile y al Universo la orgullosa infamia anglosajona de los Chicago Boys. Borges era ateo, pero no lo impresionaban los misteriosos designios de la mano que figura y prefigura los avatares de las piezas del ajedrez que a un mismo tiempo entretuvieron las elucubraciones del moro y del judío en el laberinto de una civilización ya olvidada por las ficciones de la historia.

    María Callejas supo con tiempo de esta visita histórica y movió todos sus contactos para que la incluyeran en la cena con el escritor argentino. En una de las tertulias semanales de Lo Curro, un invitado había dicho:

    ―Dicen que Borges es un analfabeto político.

    ―Muy sabio.

    ―No le importaba mucho.

    ―Es que una metáfora o una paradoja son universales. El ganador de unas elecciones es como el campeón de fútbol que levanta un trofeo. Ambos son productos del azar, de una conjunción de las arbitrariedades del destino que borrarán las arenas del reloj persa en los barcos del inspirado anglosajón sobre las ondulantes superficies de los cálidos y nunca del todo reales mares del sur.

    ―Como sea. En las elecciones de 1973, Borges le dijo a la madre que no iba a votar. Seguro que daba por descontado una victoria del peronismo. Leonor, su madre, por entonces con 96 años y postrada en la cama, se enojó. Leonor Borges odiaba a Perón, casi tanto como a Evita. “Si quiere voy y voto por usted”, le dijo Georgie. El mismo Borges reconoció que Leonor le había dado el sobre con el voto que Borges puso en la urna. Él nunca vio la boleta que su madre puso en el sobre. Por pudor político, aunque era demasiado obvio, dijo que no había querido ni saber lo que contenía aquel sobre.

    ―Es decir, nunca quiso saber lo que votaba…

    ―De eso se tratan las democracias, ¿no? ―dijo alguien y sumó otra carcajada unánime.

    ―¿Es cierto que todavía está dolido por haber perdido el Premio Nóbel con Pablo Neruda?

    ―No le importa. Estocolmo está lleno de comunistas.

    ―Mucha razón tiene cuando dice que ni Neruda debía recordar sus propios poemas, porque nadie puede recordarlos. Es decir, no son memorables. Si alguien se los leyera y se salteara un verso, Neruda no se daría cuenta.

    ―También dijo que Neruda era un discípulo de Lorca, pero mucho peor que Lorca.

    El patriota empresario

    Días después de la explosión en Sheridan Circle, el empresario Edwin Wilson se contactó con tres cubanos de Miami, quienes habían viajado a Washington tres días antes, para negociar la venta de explosivos y lápices cronometrados al gobierno de Libia, por un valor de cien mil dólares. En principio, el acuerdo con Muamar el Gadafi consistía en la compra de equipamiento de detección de explosivos, para limpiar los caminos de minas personales, pero algunas fuentes habían informado de la posibilidad de que el negocio pudiese ser extendido a la exportación de C4 para eliminar disidentes. Wilson (al igual que uno de los cubanos contactados, había sido agente de la CIA hasta semanas atrás) tenía un negocio de armas y explosivos, Consultants International, en el 1425 de la calle K, a diez minutos de Sheridan Circle.

    Bob Woodward, el periodista elevado a categoría de celebridad por el caso Watergate, reportó que, aparte de tecnología para detectar explosivos, “la propia literatura promocional de la empresa Consultants International deja claro que puede armar a un ejército con lanchas patrulleras, paracaídas, accesorios aerotransportados y vehículos blindados”. La misma empresa aseguraba en sus folletos: “Podemos diseñar paquetes de armamentos para satisfacer las necesidades de cada cliente”.

    Por alguna razón, el acuerdo programado entre Wilson y los cubanos en una reunión en Génova, no prosperó.

    ―Sabemos que el gobierno de Libia ha hecho, de muchas maneras, cosas que podrían haber estimulado el terrorismo ―dijo el presidente Ford, en una conferencia de prensa. [iii]

    El intento de relacionar al gobierno de Libia con el asesinato de Letelier tampoco prosperó. Su mayor debilidad era su falta de sentido común.

    Wilson será detenido en Nueva York, apenas arribado de República Dominicana, seis años y catorce millones de dólares más tarde, acusado de tráfico ilegal de explosivos. La prensa dirá que, a los largo de dos décadas de vida clandestina al servicio de la CIA y de los marines, Wilson había “cambiado patriotismo por negocios”. Desde 1955 hasta 1976, había sido agente de la CIA, había participado de la fallida invasión a Bahía Cochinos, de múltiples ataques contra Cuba y de la creación de varias compañías falsas con el propósito de continuar en privado lo que había sido un plan del gobierno.[iv]

    Los privados no lo hacen mejor, pero no se les ve la ideología. Sólo las ganancias.

    La Embajada de Chile comunica a la población

    El 21 de septiembre de 1976, el embajador de Chile en Washington, Manuel Trucco Gaete, emitió una declaración:

    Mi gobierno rotundamente repudia el ultrajante acto de terrorismo que ha costado las vidas de un anterior Embajador de Chile en los Estados Unidos y de uno de sus colaboradores.

    El deplorable hecho solo enfatiza la necesidad de combatir el terrorismo en cada uno de sus aspectos porque es indicativo de la extensión hasta la cual los elementos hostiles llegaran para obtener sus inconfesables objetivos.

    En nombre de mi gobierno urgentemente solicito que una completa y rigurosa investigación sea iniciada de manera que todas las facetas y circunstancias pertinentes a este acto brutal sean investigadas y los culpables procesados.

    El terrorismo y la violencia deben ser detenidos antes que haya más víctimas inocentes.

    Consultado por más detalles, el embajador agregó:

    ―Letelier no significaba ningún peligro para mí. El hombre vivía en una isla de marxistas, sin ninguna trascendencia en Estados Unidos.

    Setiembre, amor

    En Washington, el asesor de Letelier, Juan Gabriel Valdés, había invitado al uruguayo Juan Raúl Ferreira para colaborar con el instituto de investigaciones latinoamericanas IPS.

    ―El 11 de setiembre era el aniversario del Golpe ―dijo Juan Raúl―. El 18, la Fiesta nacional dieciochera.

    Pinochet siempre lo conmemoraba con algún acto memorable. En setiembre de 1974, mataron a su antecesor, el general Prats, exiliado en Argentina. El 5 de octubre, de 1975, Townley y sus socios de Miami balearon a Bernardo Leighton y a su esposa en Roma, dejándolos paralíticos. 1976 no podía ser la excepción.

    Ariel Dorfman supo del atentado contra Letelier, esa misma tarde. Estaba en las oficinas del Transnacional Institute de Ámsterdam, el instituto que había fundado el mismo Orlando Letelier. Sus compañeros de trabajo murmuraban en distintos idiomas o sostenían silencios incrédulos.

    Ariel recordó la última vez que lo había visto. Había sido justo tres años atrás, en una reunión en la Peña de los Parra, en Santiago, donde solían cantar Violeta Parra y Víctor Jara.

    ―El encuentro ―me dijo Ariel― había sido organizado por Fernando Flores en memoria del General Prats. Trabajábamos juntos en La Moneda. También estaban Orlando, José Tohá y sus esposas. Todos los hombres presentes habían sido ministros de defensa de Allende. Conocían de cerca a Pinochet, podrían testimoniar de su traición a Allende y de su pequeñez emocional y mental. A los tres los mató Pinochet.

    En cierto momento, comenzó a sonar un tango y algunos invitados salieron a bailar. Ariel se mantuvo en su silla. Sabía que era pésimo bailando tango. Su esposa Angélica, en cambio, era una maravilla, pero casi siempre se solidarizaba con la torpeza y la timidez de Ariel y se quedaba en su mismo rol de espectadora.

    ―Tampoco iba a interrumpir a esas tres parejas que se habían robado el momento ―recordó Ariel.

    Orlando Letelier bailó con Sofía, la esposa del general Carlos Prats, Isabel con José Tohá y Prats con Moy, la esposa de Tohá. La alegría de esa noche fue como la calma que precede a un huracán.

    ―En ese momento ―recordó Ariel―, no podía darme cuenta de que los tres hombres que bailaban estaban unidos por un mismo destino fatal: los tres habían sido ministros de defensa de Allende. Los tres habían sido figuras muy próximas de los militares. Los tres fueron traicionados. Los tres sabían demasiado. Los tres fueron asesinados por Pinochet.

    Una apuesta más ambiciosa

    Mientras el presidente Andrés Pérez negaba cualquier conexión con el asesinato del exministro chileno, el gobernador de Caracas, Diego Arria, volvía a interceder por Orlando Letelier, esta vez para que su cuerpo sea enviado a Venezuela. Isabel estuvo de acuerdo en enviar lo que quedaba de su esposo en Caracas. El 29 de setiembre, Letelier fue enterrado en un costado de un cerro con vista a la ciudad. Andrés Pérez abrazó a la viuda y dio un discurso que ya nadie recuerda.

    Una semana antes, el jueves 23, Orlando Bosch había arribado a Caracas con otro pasaporte falso, pero en Inmigración todos sabían quién era el cubano. Pocos días después, se realizó una fiesta de beneficencia con carácter de discreción en una casa de La Castellana o, más probablemente, en La Lagunita Country Club, una urbanización similar a Lo Curro en Santiago, iniciada por el general Marcos Pérez Jiménez para los militares y que en poco tiempo se convirtió en un barrio exclusivo. El coctel se había anunciado para recaudar fondos para el combatiente refugiado cuyo nombre no se mencionaba en las invitaciones pero todos conocían o querían conocer.

    En un informe del 18 de octubre al Secretario de Estado Henry Kissinger, la CIA aseguró que Bosch le había ofrecido a los funcionarios venezolanos renunciar a actos de violencia en Estados Unidos durante la visita del presidente Carlos Andrés Pérez a la ONU, en noviembre, a cambio de “una contribución sustancial en efectivo a la organización” de Bosch. El mismo informe reportó que Bosch declaró:

    ―Ahora que nuestra organización ha quedado muy bien con el trabajo realizado en Washington contra Letelier, vamos a intentar algo más.

     Según los documentos clasificados de la CIA, la reunión se realizó en la residencia del cirujano cubano Hildo Folgar entre el 22 de setiembre y el 5 de octubre (la fecha más probable es el sábado 25 de setiembre). El precio del plato ascendió a 5.000 bolívares por asistente (1.118 dólares de la época; seis mil dólares cincuenta años después.) Otras fuentes reportaron casi un centenar de asistentes.

    Lo recaudado esa noche superaba claramente los dos mil dólares que costaba pagar un mercenario de Honduras o de El Salvador a Cuba o a Estados Unidos con todos los gastos incluidos. Según el mismo documento clasificado de la CIA con fecha del 14 de octubre, “en la cena, Bosch se le aproximó junto con García a un funcionario del Ministerio de Relaciones Interiores y le propuso que el gobierno de Venezuela haga una contribución económica importante a su causa; a cambio, Bosch se comprometería que los cubanos en Estados Unidos no realizarían ninguna protesta contra la visita de Carlos Andrés Pérez a las Naciones Unidas, programada parta noviembre, lo cual el funcionario venezolano aceptó”.

    ―Ahora que nuestra organización ha logrado realizar concluir exitosamente la Operación Letelier en ―dijo Bosch en la reunión, y sus palabras fueron recogidas por el informante de la CIA―, vamos a intentar algo más.[v]

    Orlando Bosch y El Mono Ricardo Morales vivieron por un tiempo en el hotel Caracas Hilton, cerca del parque Los Caobos. Al igual que Hernán Ricardo Lozano, Morales había comenzado a trabajar para la policía secreta venezolana gracias a las gestiones de sus jefes de la CIA. Todos eran especialistas en explosivos, pero ninguno detonó uno en su vida. Como decía Posada Carriles, en la CIA enseñaban de todo, desde patriotismo a cómo armar y detonar una bomba, pero eso no los hacía terroristas, como no eran terroristas los soldados que recibían cursos de cómo matar personas. El conocimiento estaba ahí por las dudas, pero nunca hicieron uso de él. El único que confesará la autoría de algunas bombas será El Mono Morales. Bosch y Posada Carriles también confesaron en diferentes momentos, pero luego lo negaron en su momento, sobre todo en los pocos juicios que debieron enfrentar.

    ―Vamos a golpear un vuelo de Cubana ―dijo Posada Carriles, según el informante de la CIA en Caracas― y Orlando tiene los detalles.

    Ningún documento desclasificado revelará que la CIA hizo algún intento por evitar el atentado terrorista de sus empleados.

    Freddy Lugo y Hernán Ricardo Lozano, los dos venezolanos contratados por Posada Carriles para su nueva empresa de detectives privados, fueron los únicos que presenciaron el accidente. ¿Era necesario ese espectáculo, como si se tratase de fuegos artificiales o de un partido de beisbol? Por la misma razón habían sido detenidos en el primer intento de volar otro avión de Cubana, dos meses antes. Pero esta vez el plan fue un éxito. Lugo y Ricardo tomaron el siguiente vuelo de regreso a Trinidad. Allí la policía los arrestó.

    Confesaron. En Venezuela, la policía arrestó a Bosch y Luis Posada Carriles, jefe de la división de explosivos de la Disip. Los dos negaron todas las acusaciones. Como en las malas traducciones de sus series de televisión favoritas:

    ―No sé de qué habla ―dijeron.

    No sabían nada de nada. Aunque no condenaban los hechos publicados en la prensa, tampoco eran capaces de perpetuar un acto tan abominable. Bosch, Posada Carriles, El Mono Navarrete y casi todos los demás colaboradores estaban de acuerdo en algo: Cubana 455 era un avión de combate y las 73 víctimas de Cubana no eran víctimas. Eran combatientes, como todos quienes no pensaban y sentían como ellos.

    Fue la DINA

    En minutos, la calle se llenó con ambulancias y autos de la policía. Poco después, llegó el agente Carter Cornick. Cuando vio a Michael quemado y gritando como loco “fue la Dina”, pensó que estaba hablando de una mujer. El agente del FBI no tenía idea de lo que pasaba fuera de fronteras.

    Michael alcanzó un teléfono público y dudó. Luego llamó a la secretaria de IPS para que llame a Isabel. El agente Cornick quería hablar con él.

    ―Le dices que estamos en el Hospital George Washington, que hubo un accidente…

    El FBI le llevó un perro a Michael para olfatearlo de pies a cabeza. Cuando Isabel atendió el teléfono, presintió lo peor. En los últimos años se había acostumbrado a lo peor. Recordó lo que Orlando le había dicho horas antes: “Ven a almorzar con nosotros. Tengo una noticia que te va a gustar”.

    Llamó a las escuelas donde estaban sus cuatro hijos, para que los dejaran salir antes de tiempo. Temblando, abrió su vestidor y tomó una chaqueta negra. Luego la volvió a colgar y se decidió por un vestido colorido.

    Cuando llegó al hospital, vio una muchedumbre a la entrada. Pensó, o quiso pensar, que se trataba de otra cosa.

    ―Es ella; es la viuda ―escuchó o creyó entender.

    Debían estar hablando de otra persona. Tal vez no entendió bien el inglés apurado. Cuando logró subir al piso donde estaba Orlando, se encontró con Michael, como si volviese de un incendio. Lo abrazó. Michel murmuró:

    ―Se llevaron a mi bebé también…

    Isabel no alcanza a comprender con claridad qué ha pasado y pide ver a Orlando.

    ―Su esposo está muerto ―le informa una de las enfermeras.

    Isabel insiste en verlo, pero las mujeres de la salud se amparan en el reglamento y dicen que no es posible. El señor Letelier ha muerto en una explosión y su cuerpo está en muy malas condiciones.

    ―Quiero verlo ―insiste Isabel―. Quiero despedirme de él, aunque sea de una mano.

    ―Lo siento, pero no es posible.

    Isabel no deja de repetir lo mismo hasta que una enfermera accede.

    Cuando Isabel descubre el rostro de Orlando, ve su expresión de dolor, o de tristeza. Ella conoce ese gesto mejor que nadie. Orlando supo lo que había pasado antes de morir y de ahí esa expresión. Supo que Pinochet lo había hecho de nuevo.

    En la radio del auto que lleva a sus hijos Juan Pablo y Francisco al hospital, escuchan algo sobre un coche bomba, pero saben que están en la ciudad más segura del mundo y que su padre estará bien. A 480 kilómetros, en la Universidad de Carolina del Sur, el hermano mayor, Cristian, debe salir de una clase de Política Mundial donde se discutía la política del Détente de la Guerra Fría.

    Para entonces, en el IPS, los empleados se habían encerrado con llave, esperando un nuevo ataque a las oficinas. A las 2:00 de la tarde, cuando los agentes del FBI, armados y con perros que no paraban de ladrar los convencen de abrir, comenzó el interrogatorio.

    Landau y su equipo requisó todo el material de la oficina de Orlando Letelier.

    ―No responderemos nada hasta que no esté presente nuestro abogado.

    Por los espionajes anteriores a IPS y a otros grupos antibélicos, reconocidos por el FBI ante el Congreso, los investigadores de IPS miden sus respuestas y desconfían hasta de sus sombras.

    ―Tranquilo, muchachos ―dice un agente―. Estamos aquí para ayudarlos.

    Media hora más tarde, otro agente inicia el interrogatorio:

    ―Si me permiten, procederé con la primera pregunta. ¿Quién creen que hizo este atentado?

    ―La Dina.

    ―¿Pueden deletrear su nombre?

    ―D-I-N-A.

    ―¿El apellido de Dina? ―preguntó el agente Carter Cornick.

    En el hospital, el detective Walter Johnson sabe que Ronni está muerta y presiona a Michael para que aporte alguna información de valor antes que el trauma del atentado silencie detalles que podrían ser relevantes solo para él. La noche ha caído hace horas sobre Washington. Michael es liberado del interrogatorio y sale por un pasillo como si arrastrase su propio cuerpo. En una habitación, un paciente mira Hombre Rico, hombre pobre. En la habitación contigua, otro paciente entretiene su insomnio con Mash, la serie favorita de Orlando Bosh, luego de Mission Impossible.

    Por la noche, Michael, aún con los restos de la explosión en su ropa y en su pelo, con la memoria del humo y del perro del FBI olfateándolo impregnada en todo lo que veía y sentía, volvió a la casa de Potomac, a donde Ronni ya no volverá. Allí los investigadores buscarán hasta el último rincón algún rastro de explosivos. Los senadores y todo tipo de desconocidos irán a acompañarlo, como si eso pudiese menguar en algo su dolor. Cuando, finalmente, lo dejan en paz, se dará un ducha y se emborrachará hasta caerse dormido. No por muchas horas. Despertó varias veces hasta que terminó por levantarse en la madrugada del 22 de septiembre.

    Una de las peores pesadillas de una persona es despertarse a la misma pesadilla del día anterior. Allí estaban la ropa, los libros, las cacerolas de Ronni. Michael no movió nada por meses. Tampoco cortó el pasto ni lavó la cocina. Por meses, por años, abusó del alcohol.


    [i] Metropolitan Briefs. “Jury Selection Starts on Bronfman Kidnapping Gimbel’s Strike Settled Soviet Ship Damaged Strike Halts Tramway 2 Admit Faking Accidents Retail Sales Increase”. The New York Times. 17 de setiemrbe de 1976, p. 26.

    [ii] Conversación del autor con Juan Raúl Ferreira. Con su autorización.

    [iii] Bob Woodward y Ben Weiser. “Ex-CIA Aide, 3 Cuban Exiles Focus of Letelier Inquiry.” Washington Post, 12 de abril de 1977. http://www.washingtonpost.com/archive/politics/1977/04/12/ex-cia-aide-3-cuban-exiles-focus-of-letelier-inquiry/e92eb95a-71f5-4ab1-a650-ed3fccd399f9/.

    [iv] “Ex agent nabbed in arm case”. The Akron Beacon Journal. 16 de junio de 1982, p. 2.

    [v] National Security Archive. GMU. CIA, 26 de noviembre de 1976. nsarchive2.gwu.edu/NSAEBB/NSAEBB157/19761209.pdf

    Jorge Majfud

    Sólo por casualidad

    Vaya casualidad que por enésima vez Milei repite las mismas frases que salen de Washington y Tel Aviv de forma simultánea, como aquello de “En Gaza no hay inocentes”, etc.

    Esta semana tuvimos “La cultura hebrea es la base de la moral y de la civilización occidental” (idea absurda que ignora el 99 por ciento de la historia global para crear esa ficción a la carté llamada “Occidente”), repetida de forma simultánea en destientos podios de distintos continentes. Todos podios de la extrema derecha, está de más decir.

    No es que sean las mismas ideas. Son las mismas palabras y, por si fuese poco, están siemrpe cronometradas.

    En Argentina, lo leyó Milei (Milei siempre lee sus discursos) y en Tel Aviv, salió de boca del embajador estadounidense Mike Huckabee, esta vez en un acto adulatorio a Netanyahu.

    El patrón se repite año tras año de forma descarada. Claro, confían en el Amén interminable de sus esclavos privilegiados.

    La misma vestimenta, los mismos colores, los mismos clichés–píldoras fáciles de consumir.

    Los mismos crímenes.

    Tal vez sea hora de fundar una religión basada en El Quijote. Además, dejaríamos de pagar impuestos, que no es poca cosa, sobre todo considerando que sirven para proteger a los ricos y para financiar guerras. Sería una religión irracional, como cualquier otra, pero al menos estaría llena de humanismo, solidaridad y compasión por los humanos. Claro, eso mientras no surja un idiota fanático, privatizador de la verdad, con su propia interpretación para justificar otras masacres.

    Jorge Majfud, Setiembre 2025

    ¿Fe sin moral?

    No soy un hombre religioso. No creo que Dios (el Creador del Universo) de existir, sea tan narcisista como para condenar al infiero a humanos que dudan o no se arrodillan ante su Ego en una cueva construida por homo sapiens.

    Sí admiro gente que se apoya en su fé para resistir las peores masaceres.

    De la misma forma que detesto a los asesinos que han sembrado la historia con interminables matanzas y ficciones eróticas sobre su raza elegida–con sus penes y vaginas elegidas, tan hediondas como la de cualquier otro mamífero.

    Jorge Majfud, setiembre 2025.

    Culture War or Class Warfare?

    On September 10, 2025, at an event called “The American Comeback Tour” at Utah Valley University, a student asked Charlie Kirk:

    “Do you know how many mass shootings there have been in the last ten years?”

    “Counting gang violence?” Kirk responded ironically.

    Kirk was a professional right-wing haranguer, credited by President Trump for helping him win the election. He had previously argued that a few deaths from gun violence (40,000 annually) were a reasonable price to pay to uphold the sacred Second Amendment. According to the National Rifle Association, which overturned previous Supreme Court interpretations, this amendment protects the right of individuals to carry AR-15 rifles. The 1791 print doesn’t speak of individuals but of “well-regulated militias.” By arms, it meant muskets that wouldn’t kill a rabbit at 100 yards. By “the people,” it meant, not in the least, Black, mixed-race, Native American, or other nonwhite people.

    Before he could articulate a complete response, Kirk was shot powerfully in the throat from a building 150 yards away. In the process, coincidentally or not, his enemies on the right—like Ben Shapiro and, perhaps, Tel Aviv—got rid of a traitor who had questioned the October 7, 2023 story.

    The media and social networks exploded, blaming “the left,” despite the fact that, in the last fifty years alone, right-wing massacres account for 80 percent of the deaths, while left-wing massacres barely reach five percent.

    But who cares about reality if the word creates the world? From Europe to the Southern Cone, those who heard Kirk’s name for the first time organized moving ceremonies for the new martyr of “left-handed violence” and were unstinting in their praise for his “profound influence” that “blazed a path” for good people.

    Two days later, the governor of the Mormon state of Utah, Spencer Cox, announced the identity of the killer. Almost in tears, he acknowledged that he “had prayed for 33 hours that the killer would be someone from outside, from another state or another country,” but God didn’t listen. Two days later, he returned to the media, more relieved: the killer, although conservative, a gun lover, and a voter for President Donald Trump, had been influenced by the “leftist ideas” of his partner, a young transgender man.

    Religious capitalists don’t believe in collective sin but in individual sin, yet they are always looking for a sinner within an outside group to criminalize the entire group. When Cox acknowledged, “For 33 hours I prayed that the killer would be someone from another country… Sadly, that prayer went unheard,” it didn’t occur to him that “we, who lead the way in giving across the country,” might be criminals, sinners. If we close our eyes to telling God what to do, we can’t be bad.

    Now, what’s the social logic (if not engineering) in all this? Let’s put it with a metaphor that spans three continents and more than a thousand years of history: chess.

    Like modern mathematics, factual sciences, and Meccans, in the 9th century the Arabs introduced Indian chess to Al-Andalus (present-day Spain). Europe adopted and adapted it. The European feudal system concentrated all social prestige on land ownership and the honor of wars. Like today, nobles invented wars in which their subjects would die in the name of God, while they reaped the spoils and honor. Pawns, that line of faceless and nameless pieces, are modern soldiers and, more recently, civilians who serve only as cannon fodder.

    Where’s the trick? In geopolitics, the two sides represent two blocs or alliances of countries. Still, those on the bottom are the first to die. If a pawn survives until the end of the game, it’s because it leaned against the king to protect it.

    At the national level, it represents a civil war, but these tend to be rare; they’re the last instance of a longer war that precedes them. When we see these pieces in action, we see White against Black. We see a “culture war”—a war that doesn’t exist today because, if it really were a culture war, freedom of expression would be guaranteed, something that, in the United States and under the libertarian Trump-Rubio administration, has been dying every day.

    In other words, the culture war prevents us from seeing the real war that precipitates the conflict: the class war. In the firing line, we have the pawns. Further back, the aristocracy, the rich. Finally, the true masters of the battle: everyone fights and dies to defend a king (BlackRock?) who, without sacrifice, takes it all.

    In The Narrative of the Invisible (2004), we proposed a thesis on the political struggle of semantic fields: whoever managed to define and limit the meaning of the ideolexicon (later “culture war”) set the direction of history. This is without denying that the main force of conflict lies in class struggle, which the ruling classes (and their amanuenses) always deny or attribute, with perverse intention, to Marxist critics, conspirators of evil.

    Today we can see how this class struggle, exercised by financial elites, has constantly promoted a culture war as the perfect distraction: Black against White, Christian against Muslim, sexist against feminist, God’s chosen against God’s flawed creations…

    This oligarchy, which continues to hijack and concentrate the wealth of societies, has realized two problems: (1) The gap between those who have everything and those who have nothing has increased logarithmically—ergo, dangerously. (2) The vampirization of the colonies that supplied the empires of white capitalism is drying up, and the people, who barely benefited from this historic genocide that left hundreds of millions dead, no longer feel the privilege of this international system. They are impoverished, indebted, destroyed by hard drugs and by the drugs of passionate and useless arguments of the entertainment networks, producers of sectarian, nationalist, and tribal hatred.

    The main drug of the elites is money and power. They always need more to maintain a minimum of satisfaction, but they know that this situation, both nationally and internationally, is not sustainable. On a national level, it’s the perfect formula for a bloody rebellion. On an international level, it means the collapse of a dictatorial power that in the 19th century was called “white democracy.”

    Domestically, to avoid or postpone this rebellion, they need to promote hatred among those at the bottom and militarization as the solution. Abroad, the goal is genocide, the annihilation of any emerging power, or the Third World War.

    Palestine is the perfect laboratory where they decide how to achieve brutality despite the opposition of a powerless world. Propaganda is failing them, so they accelerate the silent resort to war violence, whose objective is the cleansing of inconvenient humans through massive, endless, unpunished bombings.

    All to please a strange god.

    Jorge Majfud, September 14, 2025

    ¿Guerra cultural o Lucha de clases?

    El 10 de setiembre de 2025, en un evento llamado “The American Comeback Tour” (“Gira por el Regreso de Estados Unidos”) en la Utah Valley University, un estudiante le preguntó a Charlie Kirk:

    “¿Sabes cuántos tiroteos en masa ha habido en los últimos diez años?”

    “¿Contando la violencia de pandillas?” respondió Kirk, irónico.

    Kirk era un arengador profesional de la derecha, reconocido por el presidente Trump por haberlo ayudado a ganar las elecciones. Tiempo atrás, había afirmado que algunos muertos por violencia de armas (40.000 anuales) eran un precio razonable para mantener la sagrada Segunda enmienda. Según la Asociación del Rifle, que dio vuelta la interpretación de la Suprema Corte, esta enmienda protege el derecho de los individuos a portar rifles AR-15. La letra impresa de 1791 no habla de individuos sino de “milicias bien reguladas”. Por armas se refería a unos mosquetes que no mataban un conejo a cien metros. Por “the people” ni soñando se refería a negros, mulatos, indios o mestizos.

    Antes que pudiese articular una respuesta completa, Kirk recibió un poderoso disparo en la garganta desde un edificio ubicado a 140 metros. De paso, por casualidad o no, sus enemigos de la misma derecha, como Ben Shapiro y, tal vez Tel Aviv, se sacaron de encima a un traidor que había cuestionado el 7 de Octubre de 2023 ―como lo hicimos nosotros en Página 12, el 8 de octubre.

    Los medios y las redes sociales explotaron culpando a “la izquierda”, pese a que, solo en los últimos cincuenta años, las matanzas de la derecha suman el 80 por ciento de los muertos y los de la izquierda apenas cinco por ciento.

    Pero ¿a quién le importa la realidad, si el verbo creó el mundo? Desde Europa hasta el Cono Sur, quienes escucharon por primera vez el nombre de Kirk organizaron emotivas ceremonias por el nuevo mártir de la “violencia de los zurdos” y no ahorraron elogios a su “profunda influencia” que “marcó un camino” para la gente de bien.

    Dos días después, el gobernador del estado mormón de Utah, Spencer Cox, dio a conocer la identidad del asesino. Casi llorando, reconoció que “había rezado 33 horas para que el asesino fuese alguien de afuera, de otro estado o de otro país”, pero Dios no lo escuchó. Dos días más tarde volvió a los medios más aliviado: el asesino, aunque conservador, amante de las armas, votante del presidente Donald Trump, había sido influenciado por las “ideas de izquierda” de su pareja, un joven transexual.

    Los religiosos capitalistas no creen en el pecado colectivo sino en el pecado individual, pero siempre están buscando un pecador dentro de un grupo ajeno para para criminalizar al grupo entero. Cuando Cox reconoció: “Durante 33 horas recé para que el asesino fuera alguien de otro país… Lamentablemente, esa oración no fue escuchada”. No se le ocurrió pensar que “nosotros, que lideramos las donaciones en todo el país”, podíamos ser criminales, pecadores. Si cerramos los ojos para decirle a Dios lo que debe hacer, no podemos ser malos.

    Ahora, ¿cuál es la lógica (sino la ingeniería) social en todo esto? Pongámoslo con una metáfora que atraviesa tres continentes y más de mil años de historia: el ajedrez.

    Como las matemáticas modernas, las ciencias fácticas y los mecanos, en el siglo IX los árabes introdujeron el ajedrez indio a Al-Andalus (hoy España). Europa lo adoptó y adaptó. El sistema feudal europeo concentraba todo el prestigio social en la tenencia de tierras y en el honor de las guerras. Como hoy, los nobles inventaban guerras en las cuales sus súbditos iban a morir en nombre de Dios, mientras ellos recogían el botín y el honor. Los peones, esa línea de piezas sin rostros y sin nombres, son los soldados modernos y, más recientemente, los civiles que sólo sirven de carne de cañón.

    ¿Dónde está el truco? En geopolítica, los dos bandos representan dos bloques o alianzas de países. Igual, los de abajo son los primeros en morir. Si sobrevive un peón hasta el final de la partida, es porque se arrimó al rey para protegerlo.

    A nivel nacional, representa una guerra civil, pero éstas suelen ser raras; son la última instancia de una guerra más prolongada que la precede. Cuando vemos estas piezas en acción, vemos las blancas contra las negras. Vemos una “guerra cultural”. Una guerra que hoy no es, porque, si realmente fuese una guerra cultural, la libertad de expresión estaría garantizada, algo que, en Estados Unidos y bajo el gobierno libertario de Trump-Rubio, ha ido muriendo cada día.

    Es decir, la guerra cultural nos impide ver la verdadera guerra que precipita el conflicto: la guerra de clases. En la línea de fuego tenemos a los peones. Más atrás, la aristocracia, los ricos. Finalmente, los verdaderos dueños del combate: todos luchan y mueren por defender a un rey (¿BlackRock?) quien, sin sacrificio, se lo lleva todo.

    En La narración de lo invisible (2004) propusimos una tesis sobre la lucha política de los campos semánticos: quien lograba definir y limitar el significado del ideoléxico (luego “guerra cultural”), marcaba la dirección de la historia. Esto sin negar que la principal fuerza de conflicto radica en la lucha de clases, que las clases en el poder (y sus amanuenses) niegan siempre o se la atribuyen, como intención perversa, a los críticos marxistas, conspiradores del mal.

    Hoy podemos ver cómo esta lucha de clases, ejercida por las elites financieras, no ha cesado de promocionar una guerra cultural como distracción perfecta. Negras contra blancas, cristianos contra musulmanes, machistas contra feministas, elegidos de Dios contra creaciones defectuosas de Dios…

    Esta oligarquía, que no para de secuestrar y concentrar la riqueza de las sociedades, se ha dado cuenta de dos problemas: (1) La brecha entre quienes lo tienen todo y quien no tienen nada se ha incrementado de forma logarítmica ―ergo, peligrosa. (2) La vampirización de las colonias que proveían a los imperios del capitalismo blanco se está secando y los pueblos, que apenas se beneficiaron de este genocidio histórico que dejó cientos de millones de muertos, ya no sienten el privilegio de ese sistema internacional. Están empobrecidos, endeudados, destruidos por las drogas duras y por las drogas de la argumentación apasionada e inútil de las redes de entretenimiento, productoras del odio sectario, nacionalista y tribal.

    La droga principal de las elites es el dinero y el poder. Necesitan siempre más para mantener un mínimo de satisfacción, pero saben que esta situación, tanto nacional como internacional, no es sostenible. A nivel nacional, es la fórmula perfecta para una sangrienta rebelión. A nivel internacional, significa el derrumbe de un poder dictatorial que en el siglo XIX se llamó “democracia blanca”.

    Adentro, para evitar o postergar esta rebelión, necesitan promover el odio entre los de abajo y la militarización como solución. Afuera, el objetivo es el genocidio, la aniquilación de cualquier potencia emergente o la tercera guerra mundial.

    Palestina es el laboratorio perfecto donde se decide cómo alcanzar una brutalidad a pesar de la oposición de un mundo sin poder. La propaganda les está fallando, así que aceleran el recurso sordo de la violencia bélica, cuyo objetivo es la limpieza de humanos incómodos a fuerza de bombardeos masivos, interminables, impunes.

    Todo para agradar a un dios extraño.

    Jorge Majfud, Setiembre 14, 2025.

    https://www.pagina12.com.ar/861287-guerra-cultural-o-lucha-de-clases

    https://www.telesurtv.net/opinion/guerra-cultural-o-lucha-de-clases/

    Marco, Why Isn’t Light Coming Out of Black Holes?

    Since the beginning of this century, we’ve argued—in conferences and in print—that the most reasonable way to reduce the drug business in a capitalist system is by heeding the law of supply and demand. No mafia can sell something illegal that no one wants to buy. Since Nixon, over a trillion dollars spent by Washington on a war that only multiplied deaths south of the border never solved the problem. The law of supply and demand is simple: if consumption is reduced in the United States, the cartels are defunded.

    How? By investing in public health, education, culture (not consumer culture), housing for the homeless, and restoring social programs dismantled by neoliberalism in the 1990s. This would reduce trafficking radically, without firing a shot. Why isn’t this rational approach pursued? Perhaps because eliminating drug trafficking was never the intention.

    The U.S. illegal drug market generates up to $600 billion annually—about the combined economies of Chile and Iran. To move that much cash to Latin American cartels would take 5,000 armored trucks and 60,000 boats like the one you ordered sunk in the Caribbean, killing eleven people. And yet, with the most powerful police, the most advanced technology, and the most expensive military in human history, none of these trucks or boats are ever intercepted. Meanwhile, illegal arms flow daily across the border into Mexico.

    Could it be that the money doesn’t return in cash, but is laundered through banks? Why can’t the world’s most powerful intelligence agencies, which claim to know our personal habits and preferences, discover which banks are laundering $500 or $600 billion?

    The CIA and other agencies have long been implicated in drug trafficking—the same ones that, according to the official story, were blindsided by a handful of students on September 11, 2001, or, as George Bush later admitted, “mistaken” about Saddam Hussein. They’re either incompetent or pretending, well-paid either way. Detecting one truck, one boat, or one bank cannot be Mission Impossible. Why then do agencies siphon off $70 billion in taxes while preoccupying themselves with dissidents’ private lives or organizing plots abroad, yet remain clueless when truly needed?

    Marco, why do you know so well how drugs enter the United States, but have no idea how the dollars to pay for them leave? Why are no traffickers detained by ICE? Why are the American distributors of illegal drugs across the country almost never caught? Or are we to believe drugs fall like rain and dollars evaporate?

    Meanwhile, we’ve seen masked men kidnapping people even for publishing an article. Poor workers of non-Caucasian appearance are treated as the greatest criminals, while now immigrants are even offered visas to persecute immigrants. Billions are spent repressing production, yet undocumented Europeans, Canadians, and Australians—over half a million—are not arrested, beaten, or thrown to the ground.

    Why blame gun users for violence but never the producers? Why blame drug producers for addiction but not the users? Why murder eleven people in the Caribbean without knowing who they were, without due process to bring them to justice?

    You repeat your boss’s words, that killing some with a missile will deter others—just as lynching a free Black person once warned Black slaves against disobedience. A practice that continues, with other justifications. For decades, Miami Cubans spread terror across the U.S. and the Caribbean with bombs and assassinations, protected by the CIA. Posada Carriles, Bosh, Morales, Ross Díaz, Arocena, Novo Sampol, Battle, Suárez, Masferrer—they killed with impunity because “a bomb always makes headlines.”

    Following this old example, why didn’t U.S. police throw a grenade into a New York apartment where traffickers were supposedly hiding? Why didn’t they launch a missile at Epstein’s Lolita Express? Would that have been too cruel? Yet Cuban terrorists in Miami did exactly that with Cubana 455, killing 73 people—mostly young athletes—49 years ago. No one went to jail. How many child rapes and wars might have been prevented by a missile on Epstein’s plane?

    Colombia produces a quarter of the cocaine entering the U.S., yet despite a leftist government still hosts six to ten U.S. military bases. Venezuela, with the world’s largest oil reserves, has none. Ninety-eight percent of fentanyl comes from China—why not shoot down a Chinese ship? In Ecuador, trafficking multiplied under Noboa, an American born in Miami. Why can’t they stop methamphetamine, LSD, and other synthetics produced on U.S. farms? Why not bomb planes from Canada, Belgium, or the Netherlands to stop ecstasy? Are those traffickers too white or too rich to mistreat?

    After the last terrorist act in the Caribbean—a return to 19th-century gunboat diplomacy—you said: “I don’t care what the United Nations says.” Cuban exiles once said the same. On Miami television in 1981, Ricardo “El Mono” Morales admitted to bombing Cubana 455: “I don’t regret anything. If I had to kill 273 instead of 73, I would do it again.”

    But when has Washington ever cared what the world thinks? On Cuba, Iraq, Palestine—the U.N. vote is always overridden by the U.S. veto. Why even bother to announce indifference, when the record is so clear?

    In fewer words, Marco: if Washington decides who lives and dies, what use is the rest of the planet? Still, don’t believe that humanity and its colonies will remain docile and stupid forever.

    Jorge Majfud, september 2025.

    Las fronteras mentales del tribalismo

    «Race mixing is communism» (1958). Cohabitation multiethnique c’est propagande déculturée et sans projet (2004).

    2000 ans d’Historie qui nous ont civilisés

    Hace un tiempo, en un ensayo anterior, critiqué la valoración ética del patriotismo. Un lector francés que leyó una traducción de este artículo hecha por el escritor Pierre Trottier —La maladie morale du patriotismo[1]— Escribió un largo alegato a favor de las fronteras nacionales. Su fundamentación giró en torno a la siguiente idea: Los países tienen distintas culturas, cada uno concibe diferente la «libertad» y, por lo tanto, no es posible considerar el mundo como una «tabla rasa», ignorando las diferencias culturales. De las diferencias culturales se concluye en la necesidad de las fronteras y, más aun, de los valores «patrióticos».

    […] c’est à que servent les frontières: à defender des espaces de liberté dont la valeur diffère d’un côté et de l’autre. L’abolition des frontières viendra quand l’humanité se sera dissoute dans le même moule culturel universel, unique, et total (Oulala/Le Monde, 29 de agosto de 2004).

    Sin negarle el derecho voltaireano, entiendo que este lector no comprendió que mi crítica al «patriotismo» —tal como es entendido hoy y creo ha sido bandera nacionalista en toda la Era Moderna— no ignoraba las diferencias culturales sino, precisamente, las tenía en cuenta. Cosa que no hace el autor de estas palabras en su respuesta, cuando dice que no todas las libertades valen igual, lo cual es bien sabido en los países con conflictos étnicos y culturales, menos por «nous, pauvres français idéalistes décérébrés par la propagande de la cohabitation multiethnique et culturallment diverse, festive et altermondiste, métisse et deculturée, déracinée et sans projet».

    En otro lugar hemos analizado cómo la retórica ideológica procura identificar unos símbolos con otros, unas ideas con otras sin una relación causal o necesaria entre ellas, de forma que se logra una valoración negativa del adversario identificándolo con un concepto negativo. Es el ejemplo de las pancartas que en los años cincuenta, en el sur de Estados Unidos, podían leerse en contra de la integración racial: «Race mixing is communism» (es decir, literalmente, «integración racial es comunismo»).

    Aquí estamos ante al mismo método, el cual se podría resumir de esta forma, aunque esta vez en francés: «cohabitation multiethnique» es (1) «propagande», (2) «déculturé», (3) «et sans project».

    Por si la asociación arbitraria con el objetivo de identificar al adversario —o, en el mejor caso, a la idea adversaria—, no hubiese sido suficiente, el método ideológico cierra su retórica con una frase que, sin nombrarlo, alude a una expresión acuñada por el nazi Hermann Wilhelm Goering hace sesenta años: «Peut-être avez-vouz envie de sortir votre revolver quand vous entendez le mot ‘Culture’?»  (En español, la intolerante frase traducida del alemán sería: «cuando oigo la palabra ‘cultura’ saco el revólver»)

    No obstante, luego de haber atacado el mismo concepto de diversidad cultural, al final mi lector francés pretende identificarse a sí mismo con los defensores de la ‘Culture’, en general, cuando en su caso omitió, deliberadamente, escribir el adjetivo «française» al lado del sustantivo en singular. (El criminal Goering sólo podía concebir «Cultura», con mayúscula y en singular; mientras que nosotros preferimos el plural «culturas»; la diferencia no es simplemente gramatical, sino de vida o muerte, tal como lo demuestra la historia.) De acuerdo con el conjunto de su artículo, lo único que ha demostrado defender, antes que nada, es su propia cultura, en el entendido que los demás harán lo mismo porque el mundo es «un combat que je suis prêt à embrasser face à la menace du totalitarisme intellectuel, celui qui joue au révisionnisme des 2000 ans d’Historie qui nous ont civilisés».

    Mi tribu es el centro del mundo

    No me voy a detener recordando estos arbitrarios y simplificados «dos mil años de historia» europea, cruzados por una multitud de culturas «impuras» —de Oriente y de Occidente, del Norte y del Sur—, de intolerancia religiosa, de totalitarismo francés —dentro y fuera de fronteras— y de libertad y derechos humanos, también franceses.

    Ahora demos un paso más allá. Observemos que la «otredad» no tendría mucho sentido si el «otro» fuera un reflejo especular de nosotros mismos. El desafío y la virtud de nuestro mundo consiste, entonces, no en enfrentarnos con otras culturas y otras sensibilidades éticas sino en aprender a dialogar con las mismas. Ninguna de ellas podría fundamentar un derecho superior o natural sobre la otra, tal como lo sostienen explícitamente algunos intelectuales del centro, como Oriana Fallaci. Sólo la fuerza es capaz de establecer esta diferencia jerárquica, pero recordemos que en un mundo que se ha cerrado en su geografía, la fuerza puede lograr victorias económicas y militares, pero no la justicia necesaria para la paz y el progreso sostenido de la humanidad. Para no hablar sólo de justicia como fin en sí misma.

    Por supuesto que en esta diversidad cultural —a la cual no estamos tan acostumbrados como presumimos; aún nos pesa la sensibilidad moderna de «mi tribu como centro del mundo»— es posible siempre y cuando unos y otros sen capaces de compartir ciertos presupuestos morales. Para entenderme con un chino, con un norteamericano o con un mozambiqueño no necesito exigirle que se vista como yo, que acepte mi preferencia de Sartre sobre Hegel, o de Buda sobre John Lennon o que modifique su política impositiva. Incluso no debería ser necesario, para reconocer al «otro», que el otro comparta mis tendencias sexuales, mi heterosexualidad, por ejemplo. Sí es rigurosamente necesario que ambos, el otro y yo, compartamos algunos axiomas morales como alguno de aquellos que se encuentran resumidos en la Segunda tabla del Decálogo de Moisés: «no matarás; no robarás; no calumniarás…»

    Pero observemos que estos preceptos —que también son prejuicios que podemos llamar positivos o fundamentales, ya que no necesitan ser confirmados por un análisis o pensamiento— no son propios únicamente de la tradición judeo-cristiano-musulmana. Muchas otras religiones, en muchas otras civilizaciones que se desconocían mucho antes de Moisés, ya observaban estos mismos mandamientos. Si bien el psicoanálisis nos advierte que «se prohíbe aquello que se desea»[2] también es cierto que podemos reconocer una «cultura común» que ha ido consolidado normas interiorizadas que se reflejan en una determinada conducta individual y social que nos pone a salvo de la incomunicación y la destrucción. Además, que la tendencia a la conservación de la vida es mayor que la tendencia humana a la destrucción y al genocidio se demuestra con la misma existencia de la raza humana. Sería inimaginable concebir una ciudad de diez millones de habitantes, por «monstruosa que parezca» controlada por el miedo y una fuerza represiva infinita. Es decir, sería inimaginable concebir apenas una avenida en Nueva Delhi, en Estambul, en París o en Nueva York sin una «conciencia ética» fuerte y compleja que facilitara la vida y la convivencia, mejor que cualquier sistema de tránsito facilita el flujo vertiginoso de los vehículos por una red compleja de autopistas.

    Las culturas no necesitan fronteras

    Ahora, si estos argumentos no fueran suficientes para contestar a las observaciones de mi lector francés, procuraría expresarme con un ejemplo tomado, precisamente, de una gran ciudad cualquiera. Pongamos una que suele ser paradigmática por su cosmopolitismo: mi admirada Nueva York. Para este análisis, dejemos de lado por el momento consideraciones geopolíticas —de las cuales ya nos hemos ocupado varias veces y nos seguiremos ocupando en otros ensayos—. Observemos sin prejuicios ideológicos esta región del mundo, como un laboratorio, como un experimento posible de ser extendido a una posible sociedad global sin fronteras nacionales. No hablo aquí de exportar una ideología —¡sálveme Dios!— sino de advertir una situación humana posible, que no se diferencia mucho de otros ejemplos como la Bagdad de las Mil y una noches o la Alejandría egipcia que albergó la biblioteca más grande del mundo antiguo, además de africanos, romanos, griegos, semitas, judíos y comerciantes de todo el mundo —hasta que las masacres de algunos césares, que nunca faltan, terminaron con la población y con su ejemplo.

    En Nueva York podremos reconocer una gran variedad de culturas conviviendo en un área relativamente pequeña, donde se hablan más de una docena de idiomas, donde hay más restaurantes italianos que en Venecia o más restaurantes chinos que en Xi’an, sin contar sinagogas, mezquitas, e iglesias de todo tipo. En un artículo anterior anoté que muchas veces esta convivencia no resulta en un conocimiento del «otro», pero creo que sigue siendo un valioso progreso el hecho de que sean capaces de convivir sin agredirse por sus diferencias.

    Ahora ¿qué rescato de esta metáfora llamada Nueva York? Muchas cosas. Pero para estas reflexiones, entiendo que resulta un ejemplo en que una gran diversidad cultural —política, económica, ética, religiosa, filosófica o artística— es totalmente posible en un área tan pequeña como Manhattan. Y, no obstante, ni el barrio chino, ni el italiano ni el irlandés necesitan de ningún sentimiento patriótico para sobrevivir como comunidad barrial ni para salvaguardar la existencia pacífica de la ciudad entera. Lo único que necesitan es compartir unos pocos principios morales, muy básicos, como aquellos que anotamos más arriba. Principios que, por supuesto, no compartían quienes estrellaron los aviones en el World Trade Center en el 2001[3] ni aquellos higiénicos jefes y soldados que violaron prisioneros en Irak o suprimieron aldeas en Viet Nam «porque molestaban demasiado». Pero observemos que una confusión también criminal se produce cuando el mundo musulmán es identificado con este tipo de mentalidad intolerante, «terrorista». De esa forma, identificamos al enemigo en el otro, en la otra cultura y, por lo tanto, justificamos nuestro pulcro, higiénico y estúpidamente orgulloso patriotismo, echando de esa forma más basura sobre la humanidad.

    Por supuesto que el mundo no es Nueva York, y muchos lo festejarán. No obstante, con este ejemplo no me refiero a ciertos «valores nacionalistas» que deberían ser extendidos por el mundo sino todo lo contrario: la superación de estos valores arbitrariamente sectarios, tribales que amenazan a la «otredad» y, con ello, a la raza humana.

    El ensayo en cuestión —La enfermedad moral del patriotismo— ha sido reproducido en muchos medios y ha sido recibido de muchas formas. Con elogios y con insultos, con comprensión y con «rabia y orgullo». Mientras tanto, procuro repetir sobre el teclado lo que fue capaz de hacer el francés Philippe Petit, aquel francés que, con cierto aire delicado, caminando sobre el vacío, de una torre a la otra nos dejó una lección para la posteridad: el equilibrio y el miedo, la serenidad y el vértigo desesperado, todo, está en la mente humana. De ella depende dejarnos caer en el imponente vacío o sonreírle a los pájaros.

    Jorge Majfud

    The University of Georgia, agosto de 2004

    __________

    [1] Centre des medias alternatifs du Québec, julio 2004

    [2] Sigmund Freud, Tótem y Tabú, La interpretación de los sueños; C. G. Jung, Man and His Symbols, etc.

    [3] Precisamente allí donde en los ’70 el francés Philippe Petit realizó, a mi entender, una de las más perfectas metáforas del espíritu humano: cruzar de una torre a la otra, caminando por una cuerda, recostándose sobre la misma, sobre el absorbente vacío, para mirar el cielo y los pájaros con una sonrisa en los labios.

    https://www.voltairenet.org/article122037.html

    https://www.ensayistas.org/curso3030/textos/ensayo/patriotismo-r.htm

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    Les frontières mentales du tribalisme

    Jorge Majfud

    Université de Géorgie

    Traduction de l’espagnol par: Pierre Trottier

    « Race mixing is communism » (1958). Cohabitation multiethnique

    c’est propagande déculturée et sans projet (2004).

    2000 ans d’Histoire qui nous ont civilisés.

     

    Il y a quelque temps, dans un essai antérieur, je critiquai l’évaluation éthique du patriotisme. Un lecteur français qui lut une traduction de cet article faite par l’écrivain Pierre Trottier – La maladie morale du patriotisme[1] – écrivit un long plaidoyer en faveur des frontières nationales. Ses fondements tournaient autour de l’idée suivante : les pays possèdent différentes cultures, chacune d’entre-elles conçoit la « liberté » et, pour le moment, il n’est pas possible de considérer le monde comme une « table rase », ignorant les différences culturelles. Des différences culturelles, on conclue dans la nécessité des frontières et, plus encore, des valeurs « patriotiques ».

    [ …] c’est à ce que servent les frontières : à défendre des espaces

    de liberté dont la valeur diffère d’un côté et de l’autre. L’abolition

    des frontières viendra quand l’humanité se sera dissoute dans le

    même moule culturel universel, unique, et total ( Oulala/ Le

    Monde, 29 août 2004 ).

    Sans nier le droit voltairien, je comprends que ce lecteur n’a pas compris que ma critique du « patriotisme » – tel qu’on l’entend aujourd’hui, et dont je crois qu’il a été la bannière nationaliste dans toute l’Ère Moderne – n’ignorait pas les différences culturelles mais, précisément, les prenait en compte. Chose que ne fait pas l’auteur de ces paroles dans sa réponse, lorsqu’il dit que ce ne sont pas toutes les libertés qui sont égales, ce qui est bien connu dans les pays vivant des conflits ethniques et culturels, moins pour « nous, pauvres français idéalistes décérébrés par la propagande de la cohabitation multiethnique et culturellement diverse, festive et altermondiste, métissée et déculturée, déracinée et sans projet ».

    En une autre occasion, nous avons analysé comment la rhétorique parvient à identifier des symboles avec d’autres, des idées avec d’autres, sans une relation causale ou nécessaire entre elles, de façon qu’on obtient une évaluation négative de l’adversaire, l’identifiant par un concept négatif. C’est l’exemple des pancartes sur lesquelles, dans les années cinquante dans le sud des États-Unis, on pouvait lire le refus de l’intégration racial : « Race mixing is communism » ( c’est-à-dire, littéralement « l’intégration raciale est du communisme » ). Dans le contexte où se produisaient ces manifestations, « communisme » avait une connotation avec le mal et, à ce moment, on établissait un lien entre les significations consolidées d’une idée – le communisme – et les significations instables d’une autre idée en discussion – l’intégration raciale -. Cependant, dans un autre contexte ou pour d’autres personnes, ce qui devait représenter une offense « l’intégration raciale et le communisme » avait une évaluation opposée : pour un marxiste, le communisme était inconcevable sans une intégration raciale, pour lequel l’accusation pouvait – devait – se comprendre comme la révélation d’une vertu de son idéologie. La même simplification porta, du temps de la Guerre Froide, à ce que quelconque soldat puisse justifier une mort ou un massacre d’un dissident avec la fabrication d’un texte marxiste, quoique aucun d’eux n’eut lu un seul paragraphe de Marx ou connu l’un de ses proches. C’est donc dire que la pire politique se prévalait de ses méthodes simplificatrices afin de commettre et justifier les pires crimes contre l’humanité.

    Ici nous sommes devant la même méthode, laquelle se pourrait résumer de cette façon, quoique cette fois en français : « cohabitation multiethnique »  est (1) propagande, (2) déculturée, (3) et sans projet.

    Par cela, l’association arbitraire avec l’objectif d’identifier l’adversaire – ou, dans le meilleur des cas, l’idée adversaire -, n’eut pas été suffisante, la méthode idéologique boucle sa rhétorique par une phrase qui, sans la nommer, fait allusion à une expression rendue célèbre par le nazi Hermann Wilhelm Goering il y a soixante ans : « Peut-être avez-vous envie de sortir votre révolver quand vous entendez le mot ‘’ Culture ‘’ ? » ( En espagnol, la phrase intolérante traduite de l’allemand serait : « cuando oigo la palabra ‘’ Cultura ‘’ saco el revolver » ).

    Cependant, à la suite d’avoir attaqué le même concept de diversité culturelle, en finissant mon lecteur français prétend s’identifier lui-même avec les défenseurs de la ‘’ Culture ‘’, en général, lorsque dans son cas il omit délibérément d’écrire l’adjectif « française » à côté du substantif au singulier ( le criminel Goering pouvait concevoir seulement la « Culture » avec une majuscule et au singulier; pendant que nous, nous préférons le pluriel « cultures »; la différence n’est pas simplement grammaticale, mais de vie ou de mort, telle que le démontre l’histoire). En accord avec l’ensemble de son article, ce qu’il nous semble défendre uniquement, avant tout, est sa propre culture, sous-entendant que les autres feront la même chose parce que le monde est « un combat que je suis prêt à embrasser face à la menace du totalitarisme intellectuel, celui qui joue au révisionnisme des 2000 ans d’Histoire qui nous ont civilisés ».

    Ma tribu est le centre du monde

    Je ne vais pas m’arrêter à rappeler ces arbitraires et simplifiés « deux mille ans d’histoire » européenne, traversées par une multitude de cultures « impures » -d’Orient et d’Occident, du Nord et du Sud, – d’intolérance religieuse, de totalitarisme français – à l’intérieur comme hors des frontières – et de liberté et de droits humains, aussi français.

    Mais, faisons un pas de plus. Nous observons que « l’autreté » n’aurait pas beaucoup de sens si « l’autre » n’était un reflet spéculaire de nous-mêmes. Le défi et la vertu de notre monde consiste alors, non à nous affronter à d’autres cultures et d’autres sensibilités éthiques, mais d’apprendre à dialoguer avec ces mêmes. Aucune d’entre-elles pourrait fonder un droit supérieur ou naturel sur l’autre, tel que le soutiennent quelques intellectuels du centre, comme Oriana Fallaci. Seule la force est capable d’établir cette différence hiérarchique, mais rappelons que dans un monde qui s’est formé par sa géographie, la force peut obtenir des victoires économiques et militaires, mais non pas la justice nécessaire afin d’obtenir la paix et le progrès soutenu pour l’humanité. Pour ne pas parler seulement de justice comme fin en soi.

    Bien sûr que cette diversité culturelle – à laquelle nous ne sommes pas aussi accoutumés que nous le présumons, encore que la sensibilité moderne de « ma tribu comme centre du monde » nous pèse – est toujours possible lorsque les uns et les autres sont capables de partager certains présupposés moraux. Pour m’entendre avec un chinois, avec un nord-américain ou avec un mozambiquien, je n’ai pas besoin de lui exiger que sa vision soit comme la mienne, qu’il accepte ma préférence de Sartre sur Hegel, ou de Bouddha sur John Lennon, ou qu’il modifie sa politique d’imposition fiscale. Même, il ne devrait pas être nécessaire, afin de reconnaître « l’autre », que l’autre partage mes tendances sexuelles, mon hétérosexualité, par exemple. Il est nécessaire que tous deux, l’autre et moi, partagions quelques axiomes moraux comme certains de ceux que l’on trouve résumés dans la Seconde table du Décalogue de Moïse : « tu ne tueras point; tu ne voleras point; tu ne calomnieras point…».

    Mais, remarquons que ces préceptes – qui aussi sont préjugés que nous pouvons les appeler positifs ou fondamentaux, qui n’ont même pas besoin d’être confirmés par une analyse ou une réflexion – ne sont pas uniquement le propre de la tradition judéo-christiano-musulmane. Beaucoup d’autres religions, dans beaucoup d’autres civilisations qui ne se connaissaient pas, bien avant Moïse, déjà observaient ces commandements. Si bien que le psychanaliste nous avertit « qu’on interdit celui qui se désire »[2] de telle sorte qu’il est certain que nous pouvons reconnaître une « culture commune » qui a été consolidée par des normes intériorisées qui se reflètent dans une conduite individuelle et sociale déterminée, et qui nous préserve de l’incommunication et de la destruction. De plus, que la tendance à la conservation de la vie est plus grande que la destruction et le génocide, se démontre par l’existence même de la race humaine. Il serait inimaginable de concevoir une ville de dix millions d’habitants, aussi monstrueuse qu’elle paraisse, contrôlée par la peur et une force répressive infinie. C’est dire, il serait inimaginable de concevoir une personne à New Delhi, à Istanbul, à Paris ou à New York sans une « conscience éthique » forte et complexe, qui faciliterait la vie et la cohabitation, plus grande que quelconque système de circulation facilitant le flux vertigineux des véhicules sur un réseau complexe d’autoroutes.

    Les cultures ne nécessitent pas de frontières

    Maintenant, si ces arguments n’ont pas été suffisants pour répondre aux observations de mon lecteur français, j’essayerai de m’exprimer par un exemple pris, précisément, dans une grande ville quelconque. Prenons-en une qui a l’habitude d’être paradigmatique par son cosmopolitisme : mon admirée New York. Pour cette analyse, laissons de côté, pour le moment, les considérations géopolitiques – desquelles déjà nous nous sommes occupées souvent et dont nous continuerons à nous occuper dans d’autres essais -. Observons sans préjugés idéologiques cette région du monde comme un laboratoire, comme une expérience susceptible d’être étendue à une éventuelle société globale, sans frontières nationales. Je ne parle pas ici d’exporter une idéologie – Dieu m’en préserve! – mais de faire remarquer une situation humaine possible, qui ne se différencie pas beaucoup de d’autres exemples, telle la Bagdad des Mille et une nuits ou de l’Alexandrie égyptienne qui abrita la bibliothèque la plus grande du monde antique, en plus des africains, des romains, des grecs, des sémites, des juifs et des commerçants de tout le monde – jusqu’à ce que les massacres des quelques césars, qui jamais ne manquent, en terminent avec la population et avec leur exemple.

    Dans New York, nous pourrons reconnaître une grande variété de cultures vivant en commun dans une aire relativement petite, où l’on parle plus d’une douzaine de langues, où il y a plus de restaurants italiens qu’à Venise ou plus de restaurants chinois qu’à Xi’an, sans compter les synagogues, les mosquées et les églises de tout type. Dans un article antérieur, je notai que souvent cette cohabitation ne résultait pas en une connaissance de « l’autre », mais je crois que cela continue d’être un progrès précieux du fait qu’ils soient capables de convivre sans s’agresser pour leurs différences.

    Maintenant, que tirer de cette métaphore de New York? Plusieurs choses. Mais, pour ces réflexions, j’entends que cet exemple de grande diversité culturelle -politique, économique, éthique philosophique ou artistique – est totalement possible dans un espace aussi petit que Manhattan. Et cependant, ni le quartier chinois, ni l’italien, ni l’irlandais n’ont besoin d’aucun sentiment patriotique afin de survivre comme communauté de quartier, ni afin de sauvegarder l’existence pacifique de la cité entière. Ce qu’ils ont besoin est de partager quelques rares principes moraux, très basaux, comme ceux que nous avons évoqués plus haut. Principes, bien sûr, que ne partageaient pas ceux qui lancèrent leurs avions sur les Tours Jumelles en 2001[3], ni ces hygiéniques chefs et soldats qui violèrent les prisonniers en Irak ou supprimèrent des villages au Vietnam « parce qu’ils dérangeaient trop ». Mais nous observons qu’une grande confusion aussi criminelle se produit lorsque le monde musulman est identifié à ce type de mentalité intolérante, « terroriste ». De cette façon, nous identifions l’ennemi dans l’autre, dans l’autre culture et, à ce moment, nous justifions notre propre, hygiénique et stupide orgueil patriotique, déversant de cette façon plus d’ordures sur l’humanité.

    Bien sûr que le monde n’est pas New York, et beaucoup s’en réjouissent. Cependant, par cet exemple, je ne me réfère pas à certaines « valeurs nationalistes » qui devraient être étendues de par le monde mais, au contraire : au dépassement de ces valeurs arbitrairement sectaires, tribales, qui menacent « l’autreté » et, avec cela, la race humaine.

    L’essai en question – La maladie morale du patriotisme – a été reproduit dans plusieurs médias et a été reçu de plusieurs façons. Avec des éloges et des insultes, avec compréhension et avec « rage et orgueil ». Entre-temps, je vais tâcher de reproduire sur le clavier ce que fut capable de faire le français Philippe Petit, ce français qui, avec un certain air délicat, cheminant sur le vide, d’une tour à l’autre, nous laissa une leçon pour le postérité : l’équilibre et la peur, la sérénité et le vertige désespéré, tout, est dans l’esprit humain. De cela dépend de nous laisser tomber dans l’imposant vide ou de sourire aux oiseaux.

    © Jorge Majfud

    Université de Géorgie

    30-08-2004

    Traduit de l’espagnol par :

    Pierre Trottier, octobre 2004

    Trois-Rivières, Québec, Canada

    [1] Centre des Médias Alternatifs du Québec, juillet 2004

    [2] Sigmund Freud, Totem et Tabou, L’interprétation des rêves; C.G. Jung, L’Homme et ses symboles, etc.

    [3] Précisément là où, dans les années 70, le français Philippe Petit réalisa, selon moi, une des plus parfaite métaphore de l’esprit humain : traverser d’une tour à l’autre, cheminant par une corde, se renversant sur le dos, sur l’absorbant vide, regarder le ciel et les oiseaux avec un sourire sur les lèvres.

    ¿A quién beneficia el asesinato de Charlie Kirk en Estados Unidos?

    En nuestro contacto internacional, desde EEUU recibimos al profesor e investigador Jorge Majfud, que en esta oportunidad se refirió al asesinato de Charlie Kirk, activista de ultraderecha y aliado de Donald Trump, en un evento público “lo que demuestra que se quería que esto trascendiera”.

    Dijo que cada vez que hay un hecho que “uno sospecha que es organizado políticamente”, que no es una matanza epidémica como la que ocurre en escuelas, “organizado de una forma que tenga un impacto social y político”, muy bien organizado y financiado, uno puede pensar que los expertos en complots son las agencias secretas, ya sea la CIA o el Mossad o la que fuera.

    Señaló que esas agencias “de izquierda no tienen nada”, por lo tanto cuando se hace una lectura general es una regla de oro preguntarse a quién beneficia.

    Radio Centenario, CX36, Montevideo.

    Nuestro presente estaba definido en 1980

    El poeta y escritor Antonio Gala no fue el único en entrever nuestro presente (Carl Sagan o el músico Frank Zappa en 1986 en Estados Unidos fueron otros ejemplos), pero es significativo que a pocos o a nadie les importó. Aquí un momento de 1991, con el inimitable periodista Jesús Quintero:

    (majfud, setiembre 2025)

    Un consejo, Mr. Trump

    La Política del Bully no va a funcionar. Tal vez usted no lo vea, pero sus hijos sí.

    A finales del siglo XIX y principios del siglo XX, esa misma doctrina se conoció como Política del Garrote, por aquello de Teo Roosevelt: “Habla sueve mientras cargas un garrote”. Por entonces, Estados Unidos era un imperio ascendente y con posibilidades ilimitadas.

    El problema hoy es que Washington ya no es el dueño del único garrote en el barrio. Peor aun cuando, quienes han sufrido su matoneo por generaciones, son unos cuantos, cada uno con su garrote.

    Mi consejo es simple, por el bien de ese pueblo que usted dice amar más que su dinero y por el bien del resto del mundo, aunque esta última no es una mención que lo vaya a conmover demasiado:

    Cuando tu poder está en la decadencia senil, no entres a la Trampa de Tucídides. Habla sueve y abre la puerta de las negociaciones.

    Algo vas a perder, pero no todo.

    Jorge Majfud, 5 de setiembre de 2025.

    A piece of advice, Mr. Trump

    The Bully Policy isn’t going to work. You may not see it, but your children will.
    In the late 19th and early 20th centuries, that same doctrine was known as the Big Stick Policy, after Theo Roosevelt’s saying: “Speak softly while carrying a big stick.” Back then, the United States was a rising empire with unlimited possibilities.

    The problem today is that Washington no longer owns the only big stick in the neighborhood. Even worse is that those who have suffered its bullying for generations are a few, each with a big stick.

    My advice is simple, for the sake of those people you claim to love more than your money and for the sake of the rest of the world, although this last one isn’t a statement that will move you too much:

    When your power is in senile decay, don’t enter the Thucydides Trap. Speak softly and open the door to negotiations.

    You will lose something, but not everything.

    Jorge Majfud, September 5, 2025.

    Marco ¿por qué no sale la luz de los agujeros negros?

    Marco, Why Isn’t Light Coming Out of Black Holes? 14 septiembre, 2025

    Desde principios de este siglo venimos denunciando, en conferencias y en la letra impresa, que la forma más razonable de reducir el exitoso negocio de las drogas en un sistema capitalista es atendiendo a la ley de la oferta y la demanda. No existen mafias intentando vender algo ilegal que nadie quiere comprar. Desde Nixon, todos esos billones de dólares que Washington invirtió en una guerra que sólo ha multiplicado los muertos al sur de la frontera, nunca solucionó el problema. La ley de la oferta y la demanda es clara y simple: si se reduce el consumo (en Estados Unidos) los carteles se desfinanciarían. ¿Cómo? Invirtiendo en salud pública, en educación, en cultura (no en cultura consumista), en casas para los sintecho, recuperando programas sociales destrozados por el neoliberalismo de los 90s. La reducción del narcotráfico sería radical y sin disparar un solo tiro.

    ¿Por qué no se procede de esta forma racional? Tal vez no se quiere eliminar el narco. Nunca se quiso.

    El mercado de las drogas ilegales en Estados Unidos produce un beneficio de hasta 600 mil millones de dólares por año, toda la economía de Chile y de Irán sumadas. Si se intentase enviar todo ese dinero a los carteles de las drogas de América Latina, se necesitarían cada año 5.000 camiones blindados y 60.000 lanchas como la que ordenaste hundir en el Caribe, asesinado a once personas.

    ¿Por qué, con la policía más poderosa, con la tecnología más avanzada, con el ejército más caro de la historia de la Humanidad no son capaces de interceptar ninguno de estos camiones, ninguna de estas lanchas? Eso sin contar el brutal tráfico de armas ilegales que cada día cruza la frontera sur hacia México.

    ¿No será que el dinero del narco de Estados Unidos no regresa en efectivo, sino que se lava en el sistema bancario?

    ¿Por qué las agencias secretas más poderosas del mundo, esas que saben qué marca de vino preferiremos los críticos de aquí y del otro lado del mundo, no pueden averiguar en qué bancos se lavan 500 o 600 mil millones de dólares?

    La CIA y otras agencias siempre estuvieron implicadas en al narco. Las mismas que (según la historia oficial) fueron burladas por un puñado de estudiantes extranjeros el 11 de setiembre de 2001. Las mismas que, al decir de George Bush, se equivocaron con Sadam Hussein. O son idiotas o se hacen, para cobrarla bien.

    Como sea, detectar alguno de estos camiones, alguna de estas lanchas llenas de dólares, alguno de los bancos que lavan capitales del narco, no puede ser Misión Imposible. ¿O sí? ¿Para qué las agencias secretas succionan tantos millones de dólares de los impuestos (70 mil millones en 2025) si se dedican a chusmear en la vida privada de los disidentes y a organizar complots en otros países, y ni siquiera pueden acertar una cuando se los necesitan de verdad?

    ¿Incompetencia o conveniencia?

    Marco, ¿por qué tienes tan claro cómo llega la droga a Estados Unidos, pero ni puta idea de cómo salen los dólares para pagarla?

    ¿Por qué no hay narcotraficantes detenidos por ICE? ¿Por qué nunca, o casi nunca, capturan a los narcos (estadounidenses) que distribuyen las drogas ilegales en todo el vasto territorio nacional? ¿O es que, luego de cruzar la frontera, la droga se distribuye por precipitación pluvial y los dólares suben a las nubes por evaporación?

    Hemos visto hombres enmascarados y sin identificación secuestrando gente hasta por publicar un artículo. Van detrás de trabajadores pobres de aspecto no caucásico, como si fuesen los criminales más peligrosos del mundo. Ahora están ofreciendo visa y residencia a inmigrantes para perseguir a inmigrantes. Interesante eso de invertir miles de millones para reprimir la producción.

    ¿Por qué no detienen, golpean y arrojan al piso a los europeos, canadienses y australianos que son indocumentados? Pasan el medio millón. Igual sería repugnante, pero queda la pregunta.

    ¿Por qué culpan a los consumidores de armas de la violencia y nunca a los productores?

    ¿Por qué culpan a los productores de droga de la adicción y nunca a los consumidores?

    ¿Por qué asesinaste a once personas en el Caribe sin saber quiénes eran y sin el debido proceso para llevarlas ante la justicia de cualquier país?

    ¿Por qué repites las palabras de tu jefe, de que matando a algunos con un misil servirá de ejemplo a otros criminales, como antes se linchaba a un negro libre para prevenir la desobediencia entre los negros esclavos? Práctica que continúa, bajo otras formas y otras excusas.

    Poner una bomba o tirar un misil fue, por décadas, el método de los cubanos de Miami que sembraron de ejecuciones Estados Unidos y el Caribe. ¿Los conoces? Narcos y terroristas protegidos como Posada Carriles, Bosh, Morales, Ross Díaz, Arocena, Novo Sampol, Battle, Suárez, Masferrer… Mataban de forma impune, con explosivos de la CIA, el C4, porque “una bomba siempre es titular”.

    Siguiendo este viejo ejemplo, Marco ¿por qué la policía de Estados Unidos no tira una granada en un apartamento de Nueva York donde se supone que se esconden narcotraficantes, sólo para darle un buen susto a los narcotraficantes?

    ¿Por qué no lanzaron un misil para derribar el Lolita Express de Epstein? ¿Sería muy cruel? Bueno, eso hicieron los terroristas cubanos de Miami con el avión de Cubana 455, matando a 73 personas, casi todos jóvenes atletas cubanos, hará, en un mes, 49 años. Como entonces, tampoco nadie iría preso. ¿Te imaginas cuántas violaciones de menores y cuántas guerras se habría ahorrado la humanidad con un misil en el Lolita Express?

    Colombia produce la cocaína que entra en Estados Unidos (un cuarto de todas las drogas), pero, a pesar de que ahora tiene un gobierno de izquierda, todavía mantiene entre 6 y 10 bases militares estadounidenses. Claro, no posee la principal reserva de petróleo del mundo, como Venezuela. ¿Sabías, Marco?

    El 98 por ciento del fentanilo procede de China, ¿por qué no derribas con un misil un avión o un bote de pescadores chinos? O de Ecuador, donde el narco se multiplicó bajo la presidencia de Noboa, un estadounidense nacido en Miami.

    ¿Por qué no pueden detener la producción de metanfetamina, psicodélicos, LSD y otras drogas sintéticas en las granjas de Estados Unidos?

    ¿Por qué no se bombardea algún avión de Canadá, de Bélgica o de Holanda para detener el ingreso de éxtasis al país? ¿Demasiados blancos para tanta crueldad? ¿Demasiado ricos para no tratarlos bien?

    Luego del último acto terrorista en el Caribe (regreso al Gunboat diplomacy del siglo XIX), dijiste: “No me importa lo que digan las Naciones Unidas”. Lo mismo dijeron los cubanos del exilio, como confesó El Mono Ricardo Morales en la televisión de Miami, en 1981, sobre las bombas en el avión de Cubana 455: “No me arrepiento de nada. Si tuviese que matar 273 de lugar de 73, lo volvía a hacer”.

    ¿Por qué aclaras algo tan obvio? ¿Cuándo a vos, Marco, o al lobby de Washington, les importó lo que diga el mundo? ¿Cuándo se hizo lo que el mundo había votado por unanimidad por alguna causa (Cuba, Irak, Palestina)?  Siempre bastó con el voto o el veto del embajador de Estados Unidos.

    En menos palabras, ¿por qué te molestas en aclarar que te importa una mierda lo que pueda pensar el planeta entero, si quien decide sobre la vida y la muerte de los humanos no es Dios, sino Washington?

    Todavía, claro. No vayas a pensar que la Humanidad y las colonias van a ser dóciles y estúpidas forever and ever.

    jorge majfud, 4 de agosto, 2025

    https://www.pagina12.com.ar/857225-marco-por-que-no-sale-la-luz-de-los-agujeros-negros